OPINIÃO
08/08/2019 13:00 -03 | Atualizado 08/08/2019 13:00 -03

Do coma à comemoração

Como a Ciência e a Besteirologia ajudaram o pequeno Marcelo, que sofreu consequências de uma infecção.

Divulgação/Ricardo Teles/Doutores da Alegria
Doutores da Alegria animam crianças com muita Ciência e Besteirologia.

O último leito do Hospital do Mandaqui, em São Paulo, era ocupado por Marcelo, 11 anos. O menino estava deitado, seu corpo conectado a vários fios, seus olhos cobertos com gazes e em sua boca um tubo gigante.

A Dra. Camila contou que Marcelo estava em coma, entubado, por conta de uma infecção depois de uma cirurgia no apêndice. Ao seu lado, a mãe, olhos marejados, buscava o infinito com um olhar triste.

Os palhaços Cavaco e Chabilson se aproximaram calmamente e perguntaram se podiam tocar uma música para Marcelo. A mãe disse que ele não estava ouvindo. Cavaco avisou que, conforme o estudo da Ciência e da Besteirologia, o ouvido continua funcionando. Ela abriu um pequeno sorriso de meio centímetro e permitiu que tocassem para seu filho.

Ao ritmo de um sambinha, com cavaco e chocalho em mãos, os palhaços foram passando informações importantíssimas para o menino.

– Bom dia, Marcelo! Aqui quem fala é o Cavaco e o Chabilson. Hoje o céu está azul, o sol está brilhando, o Corinthians perdeu o jogo de ontem, meu cabelo não está muito bom, amanhã será terça…

E despediram-se da mãe, cujo sorriso já estava mais aberto, totalizando quase um centímetro a mais.

Na quarta-feira retornaram à UTI do e encontraram a Dra. Camila com um sorriso de três centímetros. Ela contou que Marcelo havia despertado.

Cavaco e Chabilson seguiram até seu leito e lá estava ele: olhos abertos, sem o tubo gigante em sua boca, um pouco sonolento. Quando viu os palhaços, logo abriu um sorriso.

– Oi, Marcelo, que bom que está melhor. Você lembra de nós?

– Lembro sim!

A mãe dele, a médica e a enfermeira ficaram impressionadas. A mãe, desconfiada, perguntou novamente:

– Lembra mesmo, filho?

E ele, com toda convicção, disse que sim. Então Cavaco continuou:

– Lembra que conversamos, Marcelo?

– Sim!

– Lembra que eu falei que o Corinthians perdeu?

– Sim!

– Lembra que tocamos uma música?

– Sim!

– Que bom, Marcelo, eu sabia que você estava aqui o tempo todo. Ainda bem que não costumamos falar mal de ninguém, pois se tivéssemos você também se lembraria!

Ao redor, todos estavam sorrindo surpresos com as lembranças de Marcelo.

O sorriso de sua mãe já estava com dez centímetros. Seu olhar, cheio de vida e alegria. O filho estava bem melhor.

Conversaram mais um tempo, fizeram exames besteirológicos, palhaçadas e precisaram seguir adiante, pois Marcelo não podia rir muito por conta dos pontos da cirurgia. O sorriso já estava de bom tamanho!

Cavaco e Chabilson se despediram e disseram que voltariam na próxima semana. E não queriam encontrá-lo lá! Que era melhor ele ir pra casa, brincar com os amigos da escola e ficar com sua família.

Na semana seguinte, Marcelo havia recebido a alta.

Os palhaços comemoraram a notícia com a equipe. Assim, foram do coma à comemoração, do zero aos cinco centímetros de sorriso.

E continuaram seguindo, de um leito para o outro, em busca de mais comemorações, altas, alegrias e sorrisos mais largos.

Este artigo é de autoria de parceiros do HuffPost Brasil e não representa necessariamente ideias ou opiniões do veículo. Assine nossa newsletter e acompanhe por e-mail os melhores conteúdos de nosso site.