COMIDA
06/03/2019 17:41 -03

Restaurant Week: Eis o nosso veredito dos melhores menus e experiências

HuffPost Brasil visitou 20 restaurantes de Brasília. Veja as casas que se destacaram durante festival.

A gastronomia brasiliense vive uma de suas mais efervescentes fases. Durante muito tempo, foi preciso suor e disposição dos chefs para fazer, na capital federal, receitas que se equiparavam a um padrão nacional e internacional. Alguns insumos sequer chegavam aqui nos primeiros anos de fundação do Distrito Federal. Hoje, mais que reproduzir clássicos, temos identidade. E orgulho dos insumos locais, famosas pratas da casa como pequi e baru.

Sonho de Juscelino Kubistchek, Brasília é, atualmente, mais que centro do poder. Resiliente, conseguiu firmar-se como terceiro polo gastronômico brasileiro em pleno Planalto Central. Eventos aos moldes da Restaurant Week surgem para somar e fazer desse bom momento mais que onda passageira. A evolução é inegável.

Muito além do “bom” ou “ruim”, comidas contam histórias. Julgamentos gastronômicos são carregados de informações, que vão de bagagem cultural a humores momentâneos. Ainda assim, o HuffPost Brasil foi à luta. Avaliou mais de 20 restaurantes (de um total de 63) que se propuseram a participar do evento foodie, que chega ao fim neste domingo (3) e teve início em 8 de fevereiro.

A maratona gastronômica revelou boas surpresas e deliciosas histórias por trás das panelas. Do chef que começou a carreira como faxineiro a consolidação, por definitivo, de receitas vegetarianas em toda sorte de estabelecimentos, até mesmo aqueles especializados em carnes grelhadas na parrilla.

Incapazes de definir o prato preferido (muito mais por excesso de opção do que por indecisão), separamos por zonas de interesses. Divididas em diferentes categorias, veja abaixo as nossas escolhas.

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Sobrecoxas de frango, grata surpresa no Caminito.

A melhor refeição

Uma das grandes surpresas, a visita ao Caminito se fez agradável desde a chegada ao estabelecimento. O atendimento é cordial e o espaço, embora amplo, tem cuidado com cada cantinho da decoração, que lembra o bairro La Boca, de Buenos Aires.

O menu da casa é de autoria de Paula Labaki, uma mestre das churrasqueiras. Embora ela não esteja presente, já que reside em São Paulo e prestou consultoria ao restaurante de Brasília, a degustação do menu da RW seguiu um roteiro sem defeitos.

Entre as alternativas do jantar (por R$ 68), a escolha menos óbvia foi também a mais saborosa. As sobrecoxas de frango empanadas com salsa picante tem um quê de cozinha peruana. O tempero é marcante e crosta ao redor da ave tem a crocância certa. O bife de chorizo com batatas até tinha o ponto correto, mas o destaque, de fato, foi a carne branca.

A conta, ao final, vem dentro de uma charmosa mini parrilla de ferro. Atitude aparentemente boba, mas que separa quem “vende” de quem pensa em toda a experiência de consumo.

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Polpettone da Trattoria da Rosario é permeado por memórias afetivas.

O melhor prato principal

Difícil competir com um italiano quando ele se dispõe a reproduzir receitas afetivas. O polpetone de Rosário Tessier, servido no menu de almoço (R$ 55), comprova a tese. Ele segue a receita aos moldes napolitanos na Trattoria da Rosario. Aprendeu com os pais e estes, por sua vez, com os avós, em um ciclo virtuoso da boa mesa. Usa filé-mignon e recheia a carne com bel paese, queijo da região da Lombardia tão macio quanto a carne que o envolve.

A decisão de inserir a mortadela italiana só coroa uma mistura que, por si, seria suficientemente satisfatória. O embutido acrescenta um gosto defumado à combinação, contrabalançado pela acidez do molho de tomate san marzano (importado) que envolve o espaguete feito ali. Como dizem os locais, “farsi ciotto ciotto”, ou, em bom português, para comer até ficar empanzinado.

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Bolo de cenoura ganha apresentação moderna no Ouriço.

Chef mais criativo

Thiago Paraíso provou que merece os prêmios que tem. Embora esteja na casa dos 20 anos, excursionou por restaurantes em todo o mundo. As bases francesas casadas ao perfume litorâneo do Ouriço são as tônicas do jantar (R$ 68) ofertado no empreendimento. O bonito restaurante no Lago Sul não estaria lotado na data de visita se, ali, não existisse comida gostosa (os preços dos pratos principais não são dos mais baratos, diga-se de passagem).

O arancini sai do lugar comum e vira um bolinho “italiano” de moqueca com leve perfume de leite de coco mais aioli (uma espécie de maionese) de coentro e vinagrete. Um pouquinho de pimenta extra não faria mal. Ainda assim, ganha pontos pela ousadia em fugir do tradicional.

Apesar do espaguete com mexilhões dever em tempero e em molho que não estava suficiente encorpado, a receita é diferente da enxurrada de carne com batatas encontrada em muitos locais.

A maior provocação está no final. Ao ler o cardápio, bolo de cenoura. Quando chega à mesa, percebe-se que ele vem em cubos, cercado por uma tuille (crosta) de chocolate. Sobre e ao redor dela é despejada uma calda de brigadeiro do mesmo ingrediente. Um menu brasileiro, mas longe de zonas de conforto.

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Projeto de George e Julia Zardo faz do The Room o melhor ambiente da Restaurant Week.

Melhor ambiente

Pai e filha, George e Julia Zardo são os responsáveis pelo projeto do The Room, que começou a operação com foco nos serviços de bar, sem esquecer de dar valor ao que sai da cozinha.

Com 120 lugares, a casa respira ares millennials e acerta na decoração nos quais tons terrosos predominam (como nos enormes sofás que convidam ao dolce far niente).

O neon com a palavra love (onde também se pode ler revolution) é apenas um dos espaços instagramáveis do empreendimento do jovem empresário Eduardo Mujica em parceria com os gêmeos Eduardo e Alexandre Coelho, também sócios do L’Entrecôte de Paris. Na RW, o mais interessante foi a entrada do almoço.

Dadinhos de tapioca à Rodrigo Oliveira, do Mocotó, combinaram com o vinho escolhido, que estava em promoção (R$ 59, preço justo para um rótulo espanhol nos restaurantes da capital). O atendimento, entretanto, precisa de (muitos) ajustes.

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Se visitar o Paris 6, prove o prato batizado de “Ivete Sangalo”.

Prato mais “generoso”

Batizada de Ivete Sangalo, a combinação de arroz branco, filé-mignon, dois ovos, farofa, banana empanada e feijão do Paris 6 não tem nada de francesa. Ainda assim, satisfaz. Por mais R$ 2,50 na embalagem para viagem, o prato do almoço (a R$ 43,90, menu em três etapas) durou até o jantar. Desafio lançado: é praticamente impossível comê-lo todo.

A mesma situação se repetiu na entrada (salada caesar) e na sobremesa - mas, por essa, já se esperava. Os doces do empreendimento de Izaac Azar são conhecidos pela megalomania. A regra não foi diferente para o crème brûlée provado, que facilmente serviria duas pessoas.

Clientes Banco do Brasil

É preciso lembrar que esta última semana do Restaurant Week, até o dia 10 de março, é exclusiva para os clientes Banco do Brasil com Ourocard. 

Serviço  
Restaurant Week Brasília 2019
De 8 de fevereiro a 3 de março
Menu em três etapas a R$ 43,90 (almoço) e R$ 54,90 (jantar). No menu Plus, R$ 55 (almoço) e R$ 68 (jantar). Ao valor final da conta pode ser somada a doação de R$ 1, revertido à ONG Amigos da Vida
Confira cardápios e todas as casas participantes neste link.