ENTRETENIMENTO
23/08/2020 02:00 -03 | Atualizado 23/08/2020 13:19 -03

Os melhores discos de 2020 (até agora)

Listamos 11 álbuns que já se destacaram na generosa safra deste ano caótico.

2020 será lembrado como um ano caótico para humanidade, mas também como um período em que a boa música foi abundante. E quando falamos de boa música, estamos nos referindo aquilo que comove, faz dançar, refletir ou cantar em voz alta.

Apesar da pandemia do novo coronavírus, na primeira metade do ano acompanhamos o retorno de medalhões aos holofotes, pontapés iniciais de nomes promissores e lançamentos de diversos trabalhos consistentes na cena nacional e internacional. A seguir, listamos 11 discos que se destacaram nessa safra generosa de 2020 até agora. Pegue seus fones e aumente o som.

Olorum - Mateus Aleluia 

É sublime a união de espiritualidade e negritude no terceiro álbum solo de Mateus Aleluia. Aos 77 anos, o cantor, compositor e músico baiano evoca orixás, canta sobre os mistérios e detalhes da vida com uma capacidade de encantamento possível somente para quem é mestre da africanidade barroca - o único integrante vivo do grupo Os Tincoãs. Um sopro de beleza em 2020. 

Fetch the Bolt Cutters - Fiona Apple

Os fãs já estavam ultrapassando o limite da sanidade ao esperar por quase uma década por um novo disco de Fiona Apple. Mas esse estado quase insuportável é dissipado (ou potencializado?) assim que a cantora e compositora novaiorquina canta I Want You to Love Me. Assim não dá, né? Claro que amamos! Entregue de corpo e alma, como sempre, Fiona não poupa ninguém com suas letras brutalmente pessoais que falam de corações partidos e desilusões, sempre naquele tom de quem está respondendo alguém com um argumento matador que a gente só lembra depois que a discussão terminou. 

Rough and Rowdy Ways - Bob Dylan

Como se manter fresco e relevante como uma das maiores estrelas da música mundial por quase 60 anos? Pergunte ao Bob Dylan. Depois de oito anos sem apresentar uma composição original, Dylan retorna com seu estilo contraditoriamente genial que se equilibra entre o intimista e o épico cheio de blues – no sentido literal, do estilo musical, e também da alma mesmo. Como um Moisés moderno, ele desceu da montanha e nos entregou seus ensinamentos em forma de música. O jeito é ficar quieto, sentar e ouvir. 

Mundo Novo - Mahmundi

Um álbum de letras otimistas e com o título Mundo Novo poderia soar deslocado em um 2020 de surto do novo coronavírus e desespero político. É justamente o contrário o que ocorre com o novo trabalho da carioca Mahmundi. Enxuto (tem 7 faixas), o disco elabora, sob arranjos cativantes, boas ideias de um mundo possível para todos pós-pandemia. Se você ainda não ouviu Mundo Novo, prepare-se para 21 minutos revigorantes.

 

What’s Your Pleasure - Jessie Ware

Pegue seu drink, afaste os móveis e aumente o som. What’s Your Pleasure é um convite para uma deliciosa noitada. Inspirado na era de ouro da música disco (ajudando a confirmar uma tendência absoluta do pop em 2020), o quarto álbum da britânica Jessie Ware é o mais coeso e dançante de sua carreira até agora. Com letras sobre situações estimulantes e complementares, esse disco pode realmente transformar sua sala em uma pista.

Corpo Sem Juízo - Jup do Bairro

Corpo Sem Juízo é uma ponte para o futuro. Em seu EP de estreia solo, a travesti Jup do Bairro aborda sexualidade, gênero, saúde mental, racismo e outros temas seus e urgentes com criatividade e honestidade. A talentosa Badsista é quem assina a produção do disco, que tem funk, rap e experimentalismos eletrônico. Traz também participações afiadas de Deize Tigrona, Linn da Quebrada (com quem Jup tem carreira paralela), Rico Dalasam e Mulambo. Por tudo o que apresenta e representa, Corpo Sem Juízo certamente será lembrado na história da música nacional. 

The Universal Want - Doves

Que tal esquecer que você está nessa porcaria de 2020 e fingir que estamos em 2002? É mais ou menos isso que a banda de Manchester faz com quem ouve seu primeiro disco após um hiato de 11 anos. Ouvir The Universal Want, do Doves, é como encontrar um grande amigo que você não via por mais de uma década e, ao sair com ele para um papo com cerveja, perceber que não importa o quanto tempo passou, ele ainda é o cara mais legal do mundo. Esse disco é pura comfort food para os ouvidos.   

Será que Você vai Acreditar? - Fernanda Takai

Produzido, arranjado, gravado e mixado já durante o período de confinamento da pandemia, Será que Você vai Acreditar?  traz uma Fernanda Takai que parece ter perdido as esperanças, mas nunca suas ternas melodias. Questões como convivência, filhos (no caso de Não Esqueça, composição de Nico Nicolaiewsky, músico do duo Tangos & Tragédias morto em 2014), sofrimento e apatia são apresentadas com sua voz suave e harmonias pop na medida certa. Além disso, há dois ótimos covers de Amy Winehouse (Love is a Losing Game) e Michael Jackson (One Day in Your Life).

Miss Colombia - Lido Pimienta

Colombiana radicada no Canadá, Lido Pimienta discute questões como racismo e misoginia, cruéis na América Latina, de forma singular em seu terceiro disco. Você pode ouvi-la tanto como uma mulher que desabafa sobre questões íntimas quanto uma porta-voz de sua geração. Ritmos afro-colombianos, como a cumbia e o porro, dialogam com diferentes estruturas eletrônicas . Miss Colombia (título que faz referência ao erro que ocorreu no Miss Universo de 2015) tem também participações de ícones do país, como o Sexteto Tabela e Li Saumet, da banda Bomba Estéreo. Em suma, um disco de pop experimental dos mais instigantes deste 2020.

Ungodly Hour - Chloe x Halle

Pupilas de Beyoncé, as irmãs Chloe e Halle Bailey superaram as expectativas, conquistaram a crítica e ampliaram seu público com o segundo álbum de estúdio. Não é para menos. Com 22 e 20 anos, respectivamente, as cantoras exploram toda a beleza e potência de seus vocais em um álbum que foge de melodias óbvias e temas adolescentes. Ungodly Hour é elegante e transita deliciosamente entre o R&B e o pop, passando pelo neo-soul e o gospel.

Sideways to New Italy - Rolling Blackouts Coastal Fever

Quem disse que o indie rock está morto? Após um excelente disco de estreia, Hope Downs (2018), os australianos do Rolling Blackouts Coastal Fever retornam com suas canções solares recheadas de guitarras oitentistas nervosas e melosas. Parece o som perfeito para se ouvir à beira da praia cercado por um trânsito caótico. Não entendeu? Escute The Second of The First, She’s There e Cars in Space e você vai entender.