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28/08/2020 18:23 -03 | Atualizado 28/08/2020 20:25 -03

Após corte de verba, Ministério do Meio Ambiente anuncia suspensão do combate ao desmatamento

Ministério voltou atrás após o vice-presidente dizer que o ministro Ricardo Salles havia se precipitado e que não haveria bloqueio dos recursos.

Susana Vera / reuters
Ministério liderado por Ricardo Salles responsabiliza o Planalto pelo corte na verba.

O Ministério do Meio Ambiente, liderado por Ricardo Salles, anunciou nesta sexta-feira (28) a suspensão de todas as operações de combate ao desmatamento. A razão seria o bloqueio de de R$ 20 milhões de verbas do Ibama e R$ 40 milhões do ICMBio. As ações englobam áreas de desamamento ilegal na Amazonia Legal e às queimadas no Pantanal a partir de segunda-feira (31).

Horas após o anúncio, o vice-presidente, Hamilton Mourão, disse que o ministro Ricardo Salles havia se precipitado. Em seguida, a pasta divulgou atualizou a nota e disse que o recurso havia sido desbloqueado

A nota responsabiliza o Palácio do Planalto pelos bloqueios. “Segundo informado ao MMA pelo Secretário Esteves Colnago do Ministério da Economia, o bloqueio atual de cerca de R$ 60 milhões de reais para IBAMA e ICMBIO foi decidido pela Secretaria de Governo/SEGOV e pela Casa Civil da Presidência da República e vem a se somar à redução de outros R$ 120 milhões já previstos como corte do orçamento na área de meio ambiente para o exercício de 2021.”

O congelamento das ações no âmbito do Ibama desmobiliza 1.346 brigadistas, 86 caminhonetes, 10 caminhões e 4 helicópteros, além de 77 fiscais, 48 viaturas e 2 helicópteros. Em relação ao ICMBio, serão desmobilizados 324 fiscais, além de 459 brigadistas e 10 aeronaves Air Tractor que atuam no combate às queimadas.

O vice-presidente, Hamilton Mourão, que preside o Conselho da Amazônia Legal, negou que as ações serão suspensas. Segundo ele, o recurso não vai ser bloqueado e o ministro se precipitou. “Precipitação do ministro Ricardo Salles. O que tá acontecendo? O governo está buscando recurso para poder pagar o auxílio emergencial. É isso que eu estou chegando à conclusão. Então, está tirando recursos de todos ministérios. Cada ministério oferece aquilo que pode oferecer, né?”, disse, segundo o G1. 

“O Ministério do Meio Ambiente informa que na tarde de hoje houve o desbloqueio financeiro dos recursos do IBAMA e ICMBIO e que, portanto, as operações de combate ao desmatamento ilegal e às queimadas prosseguirão normalmente”, informa a atualização da nota.

Desmatamento recorde

O desmatamento tem batido recordes na Amazônia Legal. O acumulado dos últimos 12 meses mostra aumento de 33% — o maior índice em 5 anos. O dado é do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e foi divulgado no último dia 7.

Essa questão tem sido central no governo do presidente Jair Bolsonaro. No ano passado, países europeus que financiam ações de preservação da Amazônia anunciaram que deixariam de investir no País por ver desinteresse do governo em proteger a floresta. Bolsonaro, no entanto, tem culpado o Inpe pela divulgação do índice negativo e afirmado que há um falso interesse internacional em proteger a região.

Ele afirma que há interesses econômicos envolvidos. Bolsonaro diz também que estão demonizando um histórico exemplar de proteção ambiental. No último dia 11, em encontro virtual com líderes de países da região amazônica, o presidente afirmou que é “mentira” que a Amazônia esteja ardendo em fogo. 

“Por ser floresta úmida, como é em grande parte a dos senhores, não pega fogo. Esta história de que a Amazônia arde em fogo é uma mentira, e nós devemos combater isso com números verdadeiros, é o que estamos fazendo aqui no Brasil”, disse o presidente.

Há pressão de ambientalistas e da sociedade civil organizada para preservação da Amazônia, com o argumento de que a maior floresta tropical tem papel essencial para reduzir os impactos das mudanças climáticas. 

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