A tradição dos nascimentos na realeza britânica - e como eles mudaram ao longo do tempo

Quem não ama um bebê real?

Desde 1950, multidões se aglomeram para receber notícias do nascimento dos membros da realiza. Foi assim com a Princesa Anne e também será com Meghan Markle e Príncipe Harry, que, aliás, devem receber o seu primeiro filho nas próximas semanas.

Príncipes e princesas despertam curiosidade. Mas você sabe quais são as tradições para os nascimentos na realeza?

Os bebês originalmente nasciam em residências reais - como os ávidos espectadores de The Crown saberão.

A Rainha Elizabeth II, por exemplo, nasceu na casa de seus avós maternos em Mayfair - e quando ela estava pronta para começar uma família, os seus filhos nasceram no Palácio de Buckingham.

Pode-se dizer que a regra era um parto em casa, mas com todos os detalhes pensados para servir uma rainha.

Rainha Elizabeth
Rainha Elizabeth

As mamães da realeza tinham ajuda de médicos e doulas durante o nascimento, e verdadeiras enfermarias de maternidade eram improvisadas no palácio.

A rainha Elizabeth deu à luz os Príncipes Charles, Andrew e Edward na chamada Suíte Belga, de acordo com o Telegraph, que havia sido “especialmente convertido em uma maternidade temporária com esse propósito”.

Antes de o Príncipe Charles nascer em 1948, os nascimentos reais costumavam exigir uma testemunha - assim, um secretário do parlamento britânico comparecia para “verificar” o evento. Esta tradição foi abandonada quando a Rainha solicitou maior privacidade para as mulheres que estavam em trabalho de parto.

Já o nascimento de seu segundo filho, a princesa Anne, aconteceu na Clarence House, onde a família real viveu entre 1949 e 1953, enquanto o Palácio de Buckingham era reformado após sofrer danos durante a Segunda Guerra Mundial.

Nessa época, o interesse público pelos nascimentos era enorme - em 12 de agosto de 1950, os simpatizantes da realeza faziam filas do lado de fora da Clarence House, em Londres, para aguardar a notícia.

Os nascimentos reais eram anunciados através de um aviso público exposto fora do Palácio de Buckingham ou da residência real em que a criança nasceu.

De tempos em tempos, o quadro era atualizado com informações sobre a mãe e o bebê. A placa registrada na foto abaixo, publicada depois que o príncipe Charles nasceu, diz: “Sua Alteza Real, a princesa Elizabeth, teve uma boa noite e está fazendo um progresso satisfatório. A criança continua bem.”

Foi a princesa Anne que quebrou a tradição.

Anne foi a primeira da realeza a dar à luz no Hospital St Mary em Londres. Foi nessa maternidade que seus filhos nasceram: Peter, em 1977, e Zara, em 1981.

Após a presença da família real, a maternidade do hospital privado agora custa cerca de £ 5.000 por noite, e é considerada uma das mais exclusivas maternidades do Reino Unido. Essa mudança de tradição trouxe um novo momento-chave nos nascimentos reais: o momento em que o bebê é apresentado às multidões nas escadarias do hospital.

Então, por que houve a mudança?

De acordo com o especialista na família real Richard Fitzwilliams, os palácios carregavam uma ideia de afastamento.

Ele disse que os nascimentos reais também passaram a ser organizados pensando na “oportunidade fotográfica”, que espalharia a notícia por todo o mundo.

“Não há dúvida de que a maternidade do St Mary é o cenário perfeito para uma oportunidade fotográfica do bebê com seus pais”, diz ele ao HuffPost UK.

“Quando uma mulher da realeza dá à luz, isso é um evento global”.

O momento em que um membro da realeza aparecia com o novo bebê se tornou um momento de celebração - e criou algumas imagens icônicas.

Na década de 1970, a doula que ajudou a princesa Anne, Delphine Stephens, levou o pequeno Peter Phillips de apenas 2 dias em seu colo quando deixaram o hospital. Essa foi a primeira aparição do príncipe.

Quatro anos depois, em 1981, a princesa Anne carregou Zara, de três dias de idade, após sair da maternidade.

Uma das fotos mais famosas é a de 22 de junho de 1982, quando a princesa Diana surgiu com o pequeno príncipe William, que estava envolto em um cobertor branco e sendo segurado por seu pai, o príncipe Charles.

Dois anos depois, em 15 de setembro, o príncipe Harry nasceu na mesma maternidade, e o momento também foi registrado.

A princesa Diana aparecia com um cabelo perfeito e vestindo um terno vermelho, que depois foi reproduzido por Kate Middleton.

Nos últimos anos, a duquesa de Cambridge também ficou de pé naqueles mesmos degraus para marcar a chegada do príncipe George, da princesa Charlotte e do príncipe Louis - o bebê sempre estava envolto em um cobertor branco, a multidão aplaudia e um carro estava aguardando que eles entrassem.

Apesar de agora a realeza viver na era das mídias sociais - o anúncio de que Charlotte nasceu foi feito via Twitter - , mas o especialista Fitzwilliams diz que a tradição de postar notícias sobre o novo bebê real em um cavalete no pátio do Palácio de Buckingham foi continuada.

A pergunta é se Meghan Markle vai seguir a tradição. A equipe da maternidade do St. Mary informou que ninguém poderia tirar férias durante os próximos dias, segundo o Telegraph, e isso provocou rumores de que Markle planeja ter seu bebê lá.

“Eles foram solicitados a não tirar férias no mês de abril”, disse uma fonte à publicação. “Todo mundo acha que tem algo a ver com o bebê real, mas nada está confirmado.”

No entanto, Meghan e Harry estão prestes a se mudar para sua nova casa, a Frogmore Cottage, em Windsor, que fica a cerca de 32 quilômetros do Palácio de Kensington. E, de acordo com alguns relatos, isso torna improvável que Meghan viaje de volta a Londres só para dar à luz.

Por isso, circularam rumores de que a duquesa de Sussex vai dar à luz no Hospital Frimley Park, em Surrey.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês