MULHERES
02/08/2019 15:22 -03 | Atualizado 02/08/2019 15:34 -03

Megan Rapinoe é a jogadora favorita para o título de melhor do mundo da Fifa

Fifa divulgou a lista das 12 indicadas ao prêmio de melhor do mundo deste ano. Marta, eleita 6 vezes, não está entre as indicadas.

Getty Editorial
Além de Rapinoe (foto acima), o time dos Estados Unidos é representado também pelas jogadoras Julie Ertz, Rose Lavelle e Alex Morgan.  

Ativista LGBT, a jogadora Megan Rapinoe, da seleção dos Estados Unidos, é mais do que uma artilheira, uma chuteira de ouro e uma das melhores atletas que se viu em campo na Copa do Mundo de Futebol Feminino da França.

Além de ter sido chuteira e bola de ouro da Copa do Mundo ― e de ter levado o troféu para casa ―, foi também quem lançou luz sobre igualdade fora de campo e chegou até a enfrentar o presidente Donald Trump.

Com este histórico construído durante o Mundial, Megan agora é candidata favorita entre as mulheres para o título de melhor mundo pela Fifa. Nesta semana, a organização divulgou lista das 12 indicadas ao Fifa The Best 2019.

O time dos Estados Unidos é representado também pelas jogadoras Julie Ertz, Rose Lavelle e Alex Morgan.

A seleção holandesa, que chegou à final do Mundial, tem apenas uma representante na premiação: a atacante Vivianne Miedema. Já a França, a anfitriã deste ano, apesar de ter sido eliminada pelos EUA nas quartas de final, teve dois nomes indicados: Wendie Renard e Amandine Henry. 

Inglaterra também teve duas atletas indicadas: Ellen White e Lucy Bronze. Fecham a lista a jogadora australiana, Sam Kerr, e as norueguesas, Caroline Graham Hansen e Ada Hegerberg - que ganhou a “Bola de Ouro” em 2018.

Veja a lista completa divulgada pela Fifa:

Desta vez, o Brasil não tem representantes entre as indicadas. Marta é a atual detentora do título de melhor jogadora de futebol do mundo. E já ostentou este título outras seis vezes ― esta é a terceira vez em que Marta não apareceu entre os nomes desde que o prêmio existe para mulheres.

Além de pautar discussão sobre patrocínio igualitário atletas da seleção feminina, Marta alcançou mais um recorde em sua carreira durante a Copa da França. Com 17 gols marcados, ela se tornou a maior artilheira da história das Copas, ultrapassando recorde do alemão Miroslav Klose.

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Em 2018, Marta se tornou a maior artilheira da história das Copas, ultrapassando recorde do alemão Miroslav Klose.

Em entrevista coletiva pós-jogo, a craque brasileira dedicou o novo recorde a todas as mulheres. “Quebrar recordes é algo que acontece naturalmente quando se dedica, faz trabalho com amor”, disse, ao pontuar que estava esperando por esse momento e que estava feliz por ele. 

Os 12 nomes indicados foram apontados por um painel de especialistas, entre eles, a ex-jogadora da seleção brasileira e atual Diretora de Futebol Feminino da Federação Paulista de Futebol, Aline Pelegrino. A escolha foi feita como base no desempenho das atletas entre 25 de maio 2018 e 7 de julho de 2019. 

Votação já está aberta no site da Fifa ― e ficará aberta até o dia 19 de agosto. Paralelamente, acontecerá uma eleição entre jornalistas de cada país filiado à entidade, além dos treinadores e capitães de cada seleção. Cada país terá, desta forma, três representantes. Premiação será realizada em 23 de setembro. 

A copa da visibilidade (e seus efeitos práticos)

Ira L. Black - Corbis via Getty Images
Seleção feminina dos Estados Unidos comemora quarto título conquistado em uma Copa do Mundo.
 

Criado em 1991, o torneio mundial foi ignorado durante muitos anos não só por emissoras de televisão abertas e fechadas no Brasil, mas pelo público em geral. Até 1979, a prática do esporte era proibido para mulheres no País.

Por mais que a Fifa (Federação Internacional da Associação de Futebol) ainda hoje destine apenas cerca de 1% de seus investimentos para o futebol feminino, esta edição da Copa do Mundo caminha para feitos históricos.

No Brasil, pela primeira vez, a Rede Globo transmitiu todos os jogos da seleção brasileira. Na Copa de 2015, apenas alguns jogos foram transmitidos pela TV Bandeirantes, pelo SporTV e TV Brasil - e havia pouco interesse sobre o tema.

Mundialmente, outros movimentos já mostram que essa copa foi diferente e trouxe visibilidade para a modalidade. Mesmo antes dos jogos começarem, por exemplo, com apenas 48 horas após a abertura da venda de ingressos, quatro jogos esgotaram: a abertura, as duas semifinais e a final, segundo a Fifa.

A organização anunciou em abril que, até aquele momento, cerca de 720 mil ingressos já tinham sido vendidos, o que já superava o mundial de 2015. Estes dados e o desempenho das seleções durante o mundial lançou luz sobre como o futebol feminino é visto pelo mundo ― indicando crescimento.

Nesta semana, a Fifa anunciou a expansão de 24 times da atualidade para 32 equipes na edição de 2023 do torneio, e reabriu o processo de candidatura de sedes em potencial. Com a ampliação, a competição se equipará à versão masculina, que tem 32 times desde 1998. Em 1991, eram apenas 12.

Nove países já apresentaram candidaturas para a Copa de 2023. Entre eles, Argentina, Austrália, Bolívia, Brasil, Colômbia, Japão, Nova Zelândia, África do Sul e Coreia do Sul.