MULHERES
06/02/2019 19:02 -02

Médica cubana é vítima de feminicídio na Grande SP

Marido da vítima foi preso em flagrante e indiciado por feminicídio e ocultação de cadáver.

HuffPost Brasil
Dailton e Laidys estavam juntos há cerca de dois anos. 

A médica cubana Laidys Sosa Ulloa Gonçalves, de 37 anos, foi vítima de feminicídio na noite do último domingo (3) em Mauá (ABC), na Grande São Paulo. Ela fez parte do programa Mais Médicos em Ribeirão Pires.

Seu marido, o vigilante Dailton Gonçalves Ferreira foi preso em flagrante no mesmo dia e levado ao 1º Distrito Policial (DP) da cidade, onde foi indiciado por homicídio qualificado, com agravantes de feminicídio e ocultação de cadáver.

De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública (SSP), Ferreira contou que golpeou Laidys pelo pelo menos 10 vezes na casa onde moravam com uma chave de fenda e que, em seguida, abandonou seu corpo em um matagal. 

Ferreira ainda afirmou que “vozes” o induziram a cometer o crime e que matou a companheira após uma discussão. O casal estava junto há cerca de 2 anos. A polícia foi acionada por familiares da vítima.

O réu confesso ainda afirmou que o assassinato “não foi um pecado, mas um sacrifício necessário”. Ele alega que as “vozes” que ouviu foram provocadas por remédios que Laidys receitou a ele.  

Os números do feminicídio no Brasil 

NurPhoto via Getty Images
Ativista protesta pelo fim da violência contra a mulher em São Paulo.

O caso de Laidys não é exceção. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o quinto país que mais mata mulheres. São 4,8 homicídios para cada 100 mil brasileiras. O Mapa da Violência de 2015 aponta que, entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram por sua condição de ser mulher. Do total de feminicídios registrados em 2013, 33,2% dos homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas.

A violência atinge mais mulheres negras. De 2003 a 2013, foi registrado um aumento de 190,9% nos assassinatos de negras. Para o mesmo período, a quantidade anual de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%, saindo de 1.747 em 2003 para 1.576 em 2013.

Com a Lei do Feminicídio, aprovada em 2015, matar uma mulher pela sua condição de mulher passou a ser um agravante do crime de homicídio. A mudança aumenta a pena de um terço até a metade. Para definir a motivação, considera-se que o crime deve envolver violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher.