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28/02/2019 10:53 -03

Ministro da Educação recua e desiste de pedir vídeos de alunos cantando o hino

Inicialmente, o MEC também havia pedido às escolas a leitura de uma carta com slogan da campanha de Bolsonaro.

Ueslei Marcelino / Reuters
No Senado Federal, no dia seguinte ao pedido, na terça-feira (26), o ministro Ricardo Vélez afirmou que percebeu o erro de ter colocado o slogan do governo no primeiro pedido. 

O Ministério da Educação desistiu de pedir às escolas que gravem os estudantes cantando o hino nacional. Em parecer jurídico enviado ao Ministério Público Federal, que havia pedido explicações, a pasta comunica o recuo e justifica questões técnicas e de segurança. O ministério afirma ainda que enviará um novo comunicado às escolas. Será o terceiro em 4 dias. 

Na segunda-feira (25), o MEC havia pedido às escolas gravações dos alunos cantando Hino Nacional e a leitura de uma carta, assinada pelo ministro Ricardo Velez-Rodríguez, com o slogan de campanha do presidente Jair Bolsonaro, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!”.

O pedido gerou uma onda de críticas. Deputada estadual do PSL-SP, Janaina Paschoal considerou o primeiro e-mail enviado pelo MEC às escolas “surreal”. Janaina, que é professora de Direito, aproveitou para aconselhar ao ministro a contratar um especialista em ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). “Não se pode sair filmando crianças”, frisa a deputada.

No Senado Federal, no dia seguinte ao pedido, o ministro Ricardo Vélez-Rodríguez afirmou que percebeu o erro de ter colocado o slogan do governo. “Tirei essa frase, tirei a parte correspondente a filmar crianças sem a autorização dos pais. Evidentemente, se alguma coisa for publicada, será dentro da lei, com autorização dos pais”, disse.

Apesar das críticas que ressaltavam a necessidade de autorização prévia para gravar as crianças, o ministro manteve o pedido de vídeos.

O MEC, entretanto, fez uma ressalva: “A gravação deve ser precedida de autorização legal da pessoa filmada ou de seu responsável.” De acordo com a segunda mensagem, enviada às escolas, as gravações serviriam para “eventual uso institucional”.

 

Condições das escolas

A ideia do ministério de pedir vídeos fez com que a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) aproveitasse para lançar uma campanha com um pedido para que os alunos publicassem nas redes sociais fotos e vídeos que retratem a realidade do ensino da rede pública.

“Convocamos você, estudante, a gravar um vídeo de 1 minuto mostrando os reais problemas das escolas, que é o teto com goteira, a sala de aula sem professor porque não tem salário, a quadra e a bibliotecas fechadas porque não têm manutenção e a escola sem merenda”, diz Pedro Gorki, diretor da Ubes.

A ideia é, por meio da hashtag #MinhaEscolaDeVerdade, unir os vídeos e encaminhá-los para o MEC.