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22/05/2020 14:11 -03

MEC cede e adia prazo de inscrição do Enem para quarta (27)

Estudantes e autoridades pressionavam pela alteração na data por causa dos impactos da pandemia de coronavírus.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou nesta sexta-feira (22) que o prazo de inscrição para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2020 foi adiado para a próxima quarta (27). O último dia para se inscrever no exame era esta sexta, porém o ministério estava sendo pressionado para mudar a data.

Alunos, escolas e autoridades reclamavam de falhas no sistema e dos impactos da pandemia de coronavírus na vida dos estudantes, o que dificulta a inscrição na prova. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), havia pedido na quinta (21) ao presidente Jair Bolsonaro o adiamento do prazo.

A pressão da sociedade já tinha conseguido fazer o governo mudar a data de aplicação das provas, as presenciais estavam marcadas de 1º a 8 de novembro. Os exames digitais seriam aplicados de 22 a 29 de novembro. Ainda não há, no entanto, definição de uma nova data, mas o MEC assegurou que a prova será adiada entre 30 e 60 dias.

Em nota, o MEC reconheceu que a mudança no exame ocorreu devido ”às demandas da sociedade e às manifestações do Poder Legislativo em função do impacto da pandemia do coronavírus”.

NurPhoto via Getty Images

Data da prova

Estudantes relatam que estão perdidos sem aulas ou em fase de adaptação a aulas online e que temem pela prova. A Andifes, que representa os reitores, argumenta que as medidas para contenção da propagação da covid-19 torna desigual o preparo para o exame.

“Nossas crianças e jovens, apesar dos esforços dos gestores e famílias, estão sem atividades presenciais. Essa circunstância afeta de maneira muito desigual classes sociais e regiões, evidenciando um déficit que jamais pode ser ignorado por instituições que tanto se empenham por efetiva inclusão social. Educação também é solidariedade”, diz.

A pressão já havia surtido efeito no Legislativo. Na terça (19), o Senado aprovou o projeto de lei não apenas para prorrogar o exame, mas também demais provas de acesso ao ensino superior, como vestibulares, por conta da pandemia. 

Tanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), quanto o da Câmara avisaram ao governo que aguardariam até a noite de terça por uma deliberação sobre o assunto. Isso porque, na segunda (18), o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, os procurou para dizer que, sim, o Planalto cederia e aceitaria prorrogar o Enem. Contudo, nenhuma confirmação havia sido formalizada após esse sinal de Ramos.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, seguia defendendo a manutenção da data do Enem e havia proposto um consulta aos inscritos para fazer a prova. Entretanto, ele teve que ceder ao Congresso, e o adiamento foi oficializado na quarta.

A batalha de Bolsonaro para arregimentar apoio político no Congresso, sobretudo com o centrão, vem enfraquecendo o chefe do MEC.