POLÍTICA
30/01/2019 08:13 -02 | Atualizado 30/01/2019 09:27 -02

MDB dividido e rito geram incerteza na eleição da presidência do Senado

Partido só deve decidir na quinta-feira se lança Renan Calheiros ou Simone Tebet, e candidatos se unem contra Renan.

Montagem/Agência Senado
"Não tenho condições de abrir mão dessa disputa no MDB", afirmou Simone Tebet.

Às vésperas da eleição da presidência do Senado, na próxima sexta-feira (1º), as articulações se intensificam, mas o resultado ainda é incerto, mesmo com as recentes movimentações de Renan Calheiros (MDB-AL). Tanto a escolha oficial do MDB de seu candidato quanto a possibilidade de candidaturas avulsas e o rito da votação podem influenciar as chances de o veterano na política conquistar o comando da Casa pela quinta vez.

O cargo é determinante na distribuição de postos-chave na Mesa Diretora, nas comissões temáticas e também no ritmo de andamento das propostas do governo de Jair Bolsonaro, como a reforma da Previdência.

Nesta terça-feira (29), o MDB não conseguiu chegar a um consenso para lançar um só candidato para a disputa. A decisão da bancada entre Renan e Simone Tebet (MDB-MS) deve ficar para próxima quinta-feira (31).

Antes de a discussão começar, o presidente do partido, Romero Jucá, adiantou que eles não deveriam bater o martelo no dia. Ao deixar o encontro, ele defendeu o voto fechado e disse acreditar na unidade. “Acredito que a bancada vai se conduzir para um entendimento final”, afirmou a jornalistas.

No recesso do Judiciário, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, decidiu em favor da votação secreta, adotada até então pelos parlamentares. Essa opção favorece Renan.

Na reunião desta terça, Tebet abriu mão da liderança do MDB no Senado, que passou para José Maranhão (MDB-PB). O principal motivo foi manter sua candidatura. “Não tenho condições de abrir mão dessa disputa no MDB”, disse.

Caso não seja escolhida pelos correligionários, a senadora não decidiu se lançará uma candidatura avulsa - ou seja, sem ser o nome oficial do MDB.  “Que partido me abrigaria? Não sei”, afirmou ao HuffPost Brasil.

Caciques da sigla descartam essa possibilidade. “Regimentalmente não existe candidatura avulsa”, disse Maranhão após a reunião. O senador é aliado de Renan e pode atuar na eleição tanto dentro do partido quanto na sexta-feira, se presidir a sessão do pleito.

 

O Renan mais antigo está encerrando o mandato e outro renovado pelas urnas vai tomar posse. Vem com os ventos da última eleição. Como um Renan não tem dialogado com o outro, vamos deixar que eles respondam depoisRenan Calheiros, que deve disputar 5º mandato para Presidência do Senado

Em campanha nos bastidores, Renan não admite abertamente que é candidato, apesar de transmitir confiança na vitória. Questionado por jornalistas, adotou o discurso de se distanciar da velha política. “O Renan mais antigo está encerrando o mandato e outro renovado pelas urnas vai tomar posse. Vem com os ventos da última eleição. Como um Renan não tem dialogado com o outro, vamos deixar que eles respondam depois”, afirmou. Ele disse ainda que só será candidato com aval do partido.

Marcos Oliveira/Agência Senado
“Acredito que a bancada vai se conduzir para um entendimento final”, disse Romero Jucá, presidente do MDB.

MDB dividido entre Renan e Tebet

Dos integrantes da bancada do MDB, Confúcio Moura (MDB-RO) e Jarbas Vasconcelos (MDB-PE) foram os únicos ausentes nesta terça. O grupo chegou a 13 com a filiação de Eduardo Gomes (SD-TO). É o partido com maior representação na Casa, o que tradicionalmente determina quem fica no comando.

A experiência de Renan nos bastidores da política e a atuação contra o que considera excessos do Ministério Público nas investigações contam a favor do senador. Ele também tem buscado uma aproximação com o novo governo, que inclui reuniões com o ministro da Economia, Paulo Guedes. Em outra frente, o parlamentar saiu em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente e envolvido em investigação de movimentações financeiras atípicas.

Do outro lado, Tebet tem investido na bandeira da renovação, alinhada ao resultado das urnas. Apesar de o veterano ser favorito, ela aposta na rejeição popular que o correligionário tem devido ao envolvimento com escândalos de corrupção. Renan foi alvo de 18 inquéritos no STF, sendo que nove foram arquivados.

A  contraposição entre os dois tem motivado um jogo duplo na bancada. Alguns emedebistas têm pedido voto para Tebet, mas se a votação for secreta, devem optar por Renan.

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"Ninguém manifestou intransigência absoluta em se manter candidato", disse a jornalistas nesta terça o senador Major Olímpio (PSL-SP).

Candidatos se unem contra Renan

Numa disputa com 9 candidatos, a maioria deles tem somado esforços contra Renan. Na quinta pela manhã, opositores se reúnem para fechar a estratégia. O grupo se encontrou na última segunda-feira (28) e irá avaliar quais candidaturas serão mantidas e o apoio a manobras regimentais que podem prejudicar o alagoano. “Ninguém manifestou intransigência absoluta em se manter candidato”, disse a jornalistas nesta terça o senador Major Olímpio (PSL-SP), também candidato.

Além dos três concorrentes, estão na disputa Esperidião Amin (PP-SC), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Alvaro Dias (Podemos-PR), Ângelo Coronel (PSD-BA) e Reguffe (Sem partido-DF).

O objetivo do grupo é garantir que Alcolumbre presida a sessão principal. Na sexta, serão realizadas 3 reuniões preparatórias: uma para a posse dos senadores, uma segunda para eleição do presidente da Mesa e a terceira para a eleição dos demais membros da Mesa, conforme o regimento do Senado. A primeira será presidida pelo democrata, por ser o único membro remanescente da Mesa do Senado da legislatura anterior.

Há dúvidas, contudo, sobre a viabilidade dessa estratégia. A Secretaria-Geral da Mesa não se posicionou se ele pode presidir a eleição em si e se o fato de ele ser candidato pode inviabilizar essa condução dos trabalhos. Se o democrata não puder comandar a sessão, seu lugar será ocupado por Maranhão, por ser o senador mais velho.

Quem preside a votação terá nas mãos duas questões: o voto aberto ou fechado e o número mínimo para determinar o resultado. Opositores de Renan entendem que o voto secreto ajuda o emedebista. Uma das estratégias é justamente pressionar os partidos a declararem votos nos candidatos e enfraquecer o alagoado.

O grupo também acredita que a eleição por maioria simples, com 21 votos, favorece o veterano. A alternativa seria exigir maioria absoluta, o equivalente a 41 votos. O artigo 60 do regimento interno determina que a votação será secreta, “exigida maioria de votos, presente a maioria da composição do Senado”.