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27/03/2020 15:19 -03 | Atualizado 27/03/2020 15:31 -03

Estimulados por Bolsonaro, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Santa Catarina reabrem comércio

Após 4 mil mortes, o prefeito de Milão reconheceu erro de ter incentivado manutenção do comércio aberto.

Andressa Anholete via Getty Images
“Se o Brasil parar vai ser o caos. Vai morrer muito mais gente fruto de uma economia que não anda do que do próprio coronavírus”, disse Bolsonaro no dia 17.

Após incentivo do presidente Jair Bolsonaro, alguns estados do Brasil decidiram isolar apenas o grupo de risco e vão reabrir o comércio. Mesmo com alertas de que a única maneira eficaz de combater em massa a infecção pelo novo coronavírus seja o isolamento social provisório (até que a curva achate), Mato Grosso, Rondônia, Santa Catarina e Roraima, por exemplo, anunciaram o fim de medidas restritivas.

O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), editou um decreto que determina retomada do transporte coletivo e do comércio. O texto vale para restaurantes em rodovias, bancos, lotéricas e igrejas. Na capital, no entanto, o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) decidiu que os cuiabanos serão mantidos em isolamento social.

Em Rondônia, o governador Marcos Rocha (PSL) liberou o funcionamento parcial do comércio em todo estado. “Segmentos do setor produtivo não podem parar. Para isso, incluímos alguns itens em um novo decreto que apenas acrescenta novas medida que estão sendo adotadas”, disse, segundo o Estadão.

Diretriz semelhante será adotada em Santa Catarina. Lá, a partir da próxima quarta-feira (1) academias e shoppings estão em funcionamento. Além disso, obras públicas que estavam suspensas foram retomadas. Em Roraima, o comércio será aberto nesta sexta-feira (27). Governador Antonio Denarium (PSL) argumenta: “O Brasil não pode parar, temos contas para pagar”. 

O pensamento de que a cidade não pode parar foi adotado em Milão, na Itália — região italiana que mais registras mortos pela covid-19. A cidade fez campanha para o comércio seguir. Um depois de colocar nas ruas o slogan “Milão não para”, o prefeito Giuseppe Sala reconheceu o erro. 

“Muitos se referem àquele vídeo que circulava com o título MilãoNãoPara. Era 27 de fevereiro, o vídeo estava explodindo nas redes, e todos o divulgaram, inclusive eu. Certo ou errado? Provavelmente errado”, disse o prefeito.

Em 26 de fevereiro, a região da Lombardia, em que fica Milão, tinha 258 infectados e a Itália contabilizava 12 mortes. Apenas nas últimas 24 horas, a Itália teve 919 mortes e o país passa de 9 mil mortos. Em Milão, são mais de 4 mil mortes.

No Brasil, ocorre algo semelhante. O país tem quase 3 mil casos de infecções e 77 mortes e oi governo circula pelas redes sociais uma campanha em que pede para o país não parar.

Nos últimos dias, o presidente vem defendendo o isolamento apenas do grupo de risco com temor de impacto na economia. “Se o Brasil parar vai ser o caos. Vai morrer muito mais gente fruto de uma economia que não anda do que do próprio coronavírus”, disse Bolsonaro no dia 17.