MULHERES
12/05/2019 10:00 -03

O Custo Social de Ser Mãe no Brasil

HuffPost apresenta série de reportagens sobre maternidade, mercado de trabalho e acesso a creches no País.

Daia Oliver/Especial para HuffPost Brasil
Sem emprego, Adenilda tem que cuidar das filhas Jennifer e Lorena em casa.

Adenilda, cabeleireira de 37 anos, moradora de São Paulo, não consegue trabalhar porque precisa ficar com as duas filhas em casa. Uma delas, Jennifer, de 21 anos, tem paralisia cerebral e exige cuidados em casa. Para a menor, Lorena, de 2 anos, Adenilda não consegue matrícula em creche.

Darleni, dona de casa de 34 anos, moradora de Macapá, capital do estado com pior cobertura de creches do Brasil. Pela primeira vez, ela conseguiu vaga em creche para um de seus 6 filhos. Dhaffiny, de 4 anos, junto à mãe e à irmã mais nova, Djennifer, de 2, têm que cruzar BR todos os dias para chegar à creche.

Thais, estudante da UnB (Universidade de Brasília), de 22 anos. Por conta da gravidez de Oliver, hoje com 9 meses, teve que trancar 2 semestres da faculdade de biblioteconomia. Já fez provas com o bebê no chão da sala de aula e lamenta não haver creche no câmpus da Asa Norte, onde tem aulas.

Adenilda, Darleni e Thais são 3 mulheres brasileiras que demonstram o impacto da maternidade no mercado de trabalho. O destino de muitas mães como elas parece irreversível: deixar o ganha-pão de lado para se dedicar à criação dos filhos. A deficiente rede de creches do País — que atende apenas 32% das crianças brasileiras, segundo dados mais recentes — torna ainda mais difícil a liberdade dessas mulheres de trabalhar ou estudar fora.

A partir deste domingo (12), Dia das Mães, o HuffPost Brasil publica a série O Custo Social de Ser Mãe, idealizada pelas jornalistas Andréa Martinelli, editora de Mulheres e LGBT, e Marcella Fernandes, repórter de Política e Mulheres em Brasília. Ao desvelar dados sobre maternidade, emprego, creches e educação infantil, elas expõem o quanto as mulheres com filhos são ora excluídas do mercado de trabalho ora discriminadas com os menores salários.

A jornalista Ana Beatriz Rosa, editora de Comportamento, completa o time desta série. Ela passou uma semana no Amapá, estado onde apenas 12,8% das crianças têm acesso a creches. Deparou-se com um Brasil ainda mais atrasado, com mulheres desempregadas e mães condenadas às tarefas de casa, ao regime domiciliar perpétuo.

Com esta série, mostraremos uma realidade que parece bem distante da igualdade de gêneros no mercado de trabalho, apregoada pelo HuffPost em nível global. E esperamos produzir a reflexão a partir de histórias de mulheres como Adenilda, Darleni e Thais, e de alternativas elaboradas por mães na tentativa de criar os filhos sem deixar o emprego.

Boa leitura.