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27/05/2020 00:00 -03

Desmatamento da Mata Atlântica cresce 27% no 1º ano do governo Bolsonaro

Amazônia foi bioma mais devastado do País no ano passado.

Cristhian Brezolin via Getty Images
Desmatamento na Mata Atlântica cresceu 27,2% entre 2018 e 2019, na comparação com 2017 e 2018. 

O desmatamento da Mata Atlântica aumentou 27,2% de 2018 para 2019 na comparação com o período anterior (2017-2018), totalizando uma área total de 14.502 hectares desflorestados. As informações estão no Atlas da Mata Atlântica, realizado pelo SOS Mata Atlântica e pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e divulgado nesta quarta-feira (27)

O estudo aponta Minas Gerais como o estado em que mais se desmatou (5 mil hectares de floresta nativa), seguido da Bahia (3.532 hectares) e Paraná (2.767 hectares). As áreas desmatadas representam, respectivamente, aumentos de 47%, 78% e 35% de 2018 para 2019, quando comparadas com o período anterior. 

Alagoas e Rio Grande do Norte zeraram o desmatamento e outros 6 estados - Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Pernambuco e Rio de Janeiro - estiveram próximos de também não acabar com suas florestas nativas. 

Outro levantamento divulgado nesta quarta, o Relatório Anual do Desmatamento organizado pelo projeto MapBiomas, mostra o avanço do desflorestamento no País. De acordo com o levantamento, a Amazônia foi o bioma mais devastado do Brasil em 2019, com uma perda média de 2.110 hectares por dia - 63% dos 3.339 hectares devastados por dia no País ao longo do ano passado. 

O MapBiomas monitora áreas de 0,3 hectare, enquanto o sistema Prodes Amazônia emite alertas acima de 6,25 hectares de áreas devastadas, o Prodes Cerrado, 1 hectare, e o Altas Mata Atlântica, 3 hectares. 

Apesar disso, dados oficias já indicam crescimento no desmatamento em 2020. No primeiro trimestre deste ano, por exemplo, dados do Inpe mostram aumento de 51,45% na emissão de alertas na comparação com o mesmo período de 2019.

Na reunião interministerial de 22 de abril que veio à tona no inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal), que investiga suposta influência política do presidente Jair Bolsonaro sobre a Polícia Federal, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendeu mudanças nas regras de proteção ambiental e agricultura, aproveitando a época da pandemia do coronavírus, como forma de evitar processos judiciais. 

“Tem uma lista enorme, em todos os ministérios que têm papel regulatório aqui, para simplificar. Não precisamos de Congresso. Enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas. De IPHAN, de ministério da Agricultura, de ministério de Meio Ambiente, de ministério disso, de ministério daquilo. Agora é hora de unir esforços pra dar de baciada a simplificação, é de regulatório que nós precisamos, em todos os aspectos.”

Após a divulgação do vídeo na última sexta-feira (22), o ministro usou suas redes sociais para se justificar. “Sempre defendi desburocratizar e simplificar normas, em todas as áreas, com bom senso e tudo dentro da lei. O emaranhado de regras irracionais atrapalha investimentos, a geração de empregos e, portanto, o desenvolvimento sustentável no Brasil”, disse Salles.