MULHERES
28/04/2019 01:00 -03

8 mulheres compartilham relatos sobre a primeira masturbação

Pessoas com vagina compartilham suas primeiras experiências com prazer a sós, vibradores e orgasmos.

ILLUSTRATION BY ISABELLA CARAPELLA FOR HUFFPOST
Mulheres falam de suas primeiras experiências com masturbação.

Não me recordo especificamente da primeira vez que me masturbei. Mas imagino que tenha sido no ensino médio, depois de assistir a um episódio de Undressed, da MTV. Durante aqueles anos lembro que houve alguns momentos em que deslizei meu dedo médio para dentro e para fora da minha vagina, por curiosidade e me perguntando “por que as pessoas falam tanto disso?”

A primeira vez que me masturbei e que cheguei a ter um orgasmo maravilhoso foi bem mais memorável. Eu tinha completado 18 anos pouco antes disso e duas amigas me deram um vibrador da Spencer’s chamado “Ever-Ready-Freddy” como presente de aniversário de “brincadeira”. Freddy tinha uma cara intensa e irada. Se você o apertasse ele soltava uma de suas frases famosas, do tipo “que diabos, você não consegue um ‘homem de verdade?’”

Com tudo isso, acho que minhas amigas não imaginavam que eu fosse realmente usar aquele brinquedo sexual de aparência quase demoníaca. Mas usei, sim – e como! Graças a Freddy fui apresentada ao poder mágico do clítoris para desencadear orgasmos. Passei a recorrer à ajuda dele várias vezes por semana, até o dia triste em que ele quebrou. Pois é.

Pensando nestas primeiras experiências ― e em como ainda hoje, em 2019, falar sobre masturbação e vaginas é um tabu ― pedimos para que mulheres compartilhassem como foram suas primeiras experiências com masturbação. Os relatos vão do registro sensual ao carregado de vergonha, passando pelo tom tolinho. Veja o que elas nos disseram.

As respostas foram levemente editadas ou resumidas em nome da clareza.

Brincadeira no jardim de infância

“A primeira vez que eu me masturbei foi no jardim de infância. Comecei a me esfregar no tapete de borracha da escolinha quando todas as crianças estavam sentadas em círculo. Lembro que achei super reconfortante e fiquei com vontade de continuar fazendo, mas acho que a professora me mandou parar.” — Hayley Jade, trabalhadora sexual.

Prazer debaixo do chuveiro

“Como muitas garotas, descobri a masturbação no banho com o chuveirinho de mão. Quando descobri que aquele fluxo de água persistente direcionado ao meu clítoris fazia minhas coxas tremerem, aprendi a me deitar na banheira, firmar meus pés nas laterais e curtir ondas sucessivas de orgasmos. Eu devia ter 7 ou 8 anos. Em uma infância que incluiu muitos altos e baixos, a masturbação era o momento da minha vida quando eu me sentia mais em segurança, sentia mais alegria com meu corpo e me sentia mais viva.” — Chris Maxwell Rose, educadora sexual e apresentadora da podcast “Speaking of Sex” (Falando de Sexo, em tradução livre).

No trepa-trepa do parquinho

“Eu não tinha ideia na época do que eu estava fazendo, mas em algum momento da escola primária, subir nas barras do trepa-trepa começou a ser uma diversão fora de série para mim. Foi apenas quando comecei a estudar para ser terapeuta sexual que percebi que é muito comum meninas e mulheres se masturbarem esfregando-se contra objetos. Eu pensava que tinha acabado de descobrir algum segredo incrível. Muitas mulheres acham que esse é um jeito “bizarro” ou “incomum” de se masturbar, mas na minha experiência, ensinando milhares de mulheres como chegar ao orgasmo, na realidade essa é uma 3 técnicas mais frequentes.” — Vanessa Marin, terapeuta sexual e criadora do curso online Finishing School: Learn How To Orgasm (Se formando na escola: Aprenda a como ter um orgasmo, em tradução livre.)

Vergonha e culpa

“A primeira vez que me masturbei, pelo que lembro, eu devia ter uns 6 anos. Descobri muito rápido o que funcionava bem e o que não dava certo. Me lembro de me sentir superbem com isso até completar uns 10 anos, quando então comecei a ter sentimentos de culpa por minhas vontades sexuais e de vergonha por objetificar mulheres. Percebi cedo na vida que eu era gay, mas passei mais alguns anos negando. Parecia que se eu dissesse em voz alta que gostava de mulheres eu seria rejeitada por todo mundo que amo e que todo mundo ficaria sabendo dos meus pensamentos e sentimentos íntimos. Tive a sorte de contar com primos e primas gays e lésbicas que saíram do armário antes de mim, e isso me deu coragem de me assumir também quando eu tinha 14 anos. Hoje encaro o sexo como algo positivo, muitos dos meus trabalhos e ilustrações enfocam a comunidade LGBTQ e estou noiva do grande amor da minha vida!” –Tevy Khou, ilustradora.

O verão do amor (por mim mesma) 

“Eu tinha 15 anos e estava no meu quarto. Era o verão e eu estava sozinha em casa, porque todo o resto do pessoal estava lá fora, no lago. Eu estava lendo uns folhetos sobre ser personal trainer que tinha guardado entre meus colchões. Quando eu estava pendurada do lado da cama para colocar os folhetos de volta no esconderijo, estiquei o braço para trás para me segurar e acabei com a mão embaixo da minha vulva. Surpresa! Foi uma sensação maravilhosa. Então terminei de esconder minhas coisas e voltei para a cama, de barriga para baixo, e pus minha outra mão dentro da minha calça para usar as duas mãos.

Lembro que me toquei por cima da calcinha porque não queria que minha mão ficasse molhada, e é ainda assim que faço até hoje. Eu queria ficar quietinha, então continuei de barriga para baixo e afundei meu rosto no travesseiro para silenciar qualquer barulho. Deve ser por isso que hoje em dia eu adoro transar com asfixia. Eu não gozei. Pensei que tinha gozado, mas não. Simplesmente foi muito bom. Durou apenas o tempo que consegui prender a respiração. Depois disso tirei a melhor soneca da minha vida!”. — Mara Marek, humorista e apresentadora da podcast “The Happy Never After Podcast” (O nunca felizes para sempre, em tradução livre).

Frida Castelli
Masturbação feminina ainda é tabu.

E aí, doutor?

“A primeira vez que me masturbei eu não tinha ideia de que era isso que estava fazendo. E não fiz sozinha. Eu devia ter uns 10 ou 11 anos. Cada vez que eu encontrava essas 3 meninas em especial a gente brincava de “médico”. Uma de cada vez, puxávamos nossas calças e calcinhas para baixo, até os joelhos, e nos deitávamos na cama com um travesseiro no meio das pernas. Uma das meninas colocava um palito de sorvete entre nossas nádegas para ‘medir nossa temperatura’. Aí a gente mexia os quadris até ‘se sentir bem melhor’. Por algum motivo, chamávamos isso de ‘bra-ing’. ‘Tá bom, é hora do bra-ing. Quando terminar, você vai estar se sentindo muito melhor!’, dizíamos umas às outras.

Éramos muito metódicas na hora de fazer e nos sentíamos absurdamente zonzas e felizes quando terminava. Eu nunca, jamais fazia sozinha naquela época. Não faço ideia do porquê. E foi só quando eu estava na faculdade que liguei os pontinhos. De repente, toda aquela história de me esfregar em travesseiros, sozinha na cama, durante os anos do colegial passou a fazer sentido! – Jenny Block, autora de The Ultimate Guide to Solo Sex (O guia definitivo para fazer sexo sozinha, em tradução livre).

Gandalf, Prazer e Culpa

“Me recordo vividamente da primeira vez que me masturbei. Eu tinha uns 14 ou 15 anos e estava sentada na sala assistindo a Senhor dos Anéis. Tinha acabado de concluir meu trabalho de biologia sobre núcleos celulares ou alguma coisa do tipo e resolvi assistir um pouco de televisão antes de ir para a cama. Me lembro de ter ficado tão ligada ao ouvir o som da voz de Gandalf que senti minha vulva arrepiada pela primeira vez. Eu não entendia o que meu corpo estava tentando me dizer. Fiquei com calor. Meu corpo fervilhava de desejo. Meu corpo começou a doer, e honestamente eu não sabia o que fazer. Estava consumida por tantas sensações que me eram desconhecidas.

Me ensinaram desde criança que as mulheres jovens NÃO DEVEM se dar prazer sozinhas. O prazer é um privilégio do casamento. Apenas as mulheres casadas têm o direito de sentir prazer com seu corpo quando estão com seu marido. Quanto mais eu assistia ao filme, mais minhas coxas foram ficando pegajosas. Eu estava super dividida. Desliguei a TV, subi para meu quarto e rezei até pegar no sono. Umas 3 horas mais tarde meu corpo me despertou de um jeito que eu nunca antes havia sentido. Virei de barriga para baixo e coloquei as mãos entre minhas coxas para aliviar o desconforto. Pela primeira vez na vida senti prazer nos dedos dos pés. Zonza de medo e desejo, senti a necessidade de entender aquela dor. Comecei a passar mão em cada parte do meu corpo, até que estremeci e gozei. O prazer foi tão instantâneo quanto o sentimento de culpa imediatamente após. Comecei a me arrepender por tirar prazer de meu futuro marido.

Me senti tão mal por ter dado prazer a mim mesma que fiz um voto de pureza. Só fui me masturbar outra vez aos 19 anos de idade, na mesma noite em que perdi a virgindade.”— Brittany G. 

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.