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13/03/2019 19:45 -03

Massacre em Suzano foi o quarto em escolas do Brasil nos últimos 8 anos

Em 2011, 12 estudantes com idades entre 12 e 16 anos foram mortos numa escola de Realengo, no Rio.

Nesta manhã desta quarta-feira (13), dois ex-alunos invadiram a Escola Estadual Raul Brasil em Suzano, na Grande São Paulo, e atiraram em alunos e professores. O atentado deixou 10 mortos e 10 feridos. 

Das vítimas, 4 estudantes, 1 funcionária e a coordenadora pedagógica da escola morreram no local. Duas morreram já no hospital ou a caminho dele. 

Os atiradores Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, se mataram na sequência. 

A polícia ainda não sabe o que motivou o massacre que assolou o país nesta quarta. 

Este foi o quarto atentado que deixou mortos em escolas no Brasil nos últimos oito anos. O massacre de Realengo, em 2011, foi o mais letal.

 

Realengo (2011)

Ho New / Reuters
Câmeras de segurança captaram o momento em que estudantes escapam do atirador na escola em Realengo.

Em 7 de abril de 2011, o atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu uma escola municipal em Realengo, no Rio de Janeiro, armado com dois revólveres e começou a disparar contra crianças, matando 12 delas, que tinham idades entre 12 e 16 anos, e deixando mais de 13 feridos. Wellington se suicidou depois de ser atingido por um policial, por volta das 8h30 da manhã.

Na época, testemunhas disseram que Wellington baleou duas pessoas antes mesmo de entrar na escola. Ele entrou no colégio alegando que faria uma palestra. 

Ao G1, na época, o sargento Márcio Alves, da Polícia Militar, disse que fazia uma blitz perto da escola e foi chamado por um aluno baleado. “Seguimos para a escola. Eu cheguei, já estavam ocorrendo os tiros, e, no segundo andar, eu encontrei o meliante saindo de uma sala. Ele apontou a arma em minha direção, foi baleado, caiu na escada e, em seguida, cometeu suicídio”, relatou o policial em 2011.  

Divulgação/TV Globo
Wellington Menezes de Oliveira, que matou 12 jovens em uma escola em Realengo.

A motivação do crime é incerta, porém Wellington deixou uma carta de suicídio na qual sugere que ele sofria bullying. Ele também pesquisava muito sobre atentados terroristas e grupos religiosos fundamentalistas.

 

Janaúba (2017)

AFP Contributor via Getty Images
Familiar chora em velório de vítima do massacre em Janaúba.

No dia 5 de outubro de 2017, o vigilante noturno do Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, Damião Soares dos Santos, de 50 anos, chegou na creche pela manhã alegando que ia entregar picolés para as crianças.

Ao entrar na escola localizada em Janaúba, Minas Gerais, ele invadiu uma sala de aula, trancou a porta e lançou combustível sobre várias crianças, que tinham entre 3 e 7 anos de idade.

Ele também ateou fogo em seguida e, segundo o delegado Bruno Fernandes, chegou a abraçar algumas crianças no meio das chamas. 

Quatro crianças morreram no local e dezenas ficaram feridas. O número de mortos não foi maior por causa da coragem das professoras Heley de Abreu e Jéssica Morgana, que socorreram diversas crianças antes de morrerem em decorrência das queimaduras e fumaça inalada.

No total, 14 pessoas morreram no atentado: três professoras, dez crianças e o vigia. 

De acordo com a delegada regional de Janaúba, Bruna Barbosa, Damião estava afastado do emprego e tinha mania de perseguição, achava que seria envenenado e pode ter sofrido um surto psicótico antes do ataque às crianças.

 

Goiânia (2017)

AFP Contributor via Getty Images

Cerca de 15 dias depois do ataque em Janaúba, um adolescente de 14 anos foi autor de um ataque com arma de fogo no Colégio Goyases, localizado no bairro Conjunto Riviera, em Goiânia. 

Dois estudantes da mesma turma do autor do ataque morreram no local, e quatro ficaram feridos.

Segundo o delegado Luís Gonzaga, da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais da Polícia Civil de Goiás, o estudante afirmou que seu ataque foi motivado por bullying e disse que se inspirou nos casos da escola de Columbine (ocorrido em 1999, nos Estados Unidos) e de Realengo.

No depoimento, o estudante narrou que tinha intenção de matar apenas o colega autor do bullying contra ele, mas no momento do ataque, sentiu vontade de fazer mais vítimas.