MULHERES
24/03/2019 09:31 -03

10 filmes e séries para você começar a entender o que é masculinidade tóxica

Poder, sexo e força estão no centro desse ideal nocivo de masculinidade.

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Tomboy, de Céline Sciamma, discute a construção da identidade e papéis de gênero ainda na infância - e como isso influencia no crescimento.

Tóxico. Essa foi a palavra do ano de 2018, segundo o dicionário Oxford. A escolha não foi apenas pelo seu significado literal, mas pela forma como ela tem sido usada para explicar uma gama de situações. Segundo a instituição responsável pela publicação, depois de “química”, a segunda palavra que frequentemente a acompanha nas buscas é “masculinidade”.

O termo “masculinidade tóxica” está no centro do debate há alguns anos e ganhou destaque em 2018 com os movimentos de luta contra o assédio sexual, como o #MeToo.  

Homens e meninos são constantemente encorajados pela sociedade a se desconectar das suas emoções, fazer uso de violência para resolver conflitos e objetificar e degradar mulheres.

Poder, sexo e força estão no centro desse ideal nocivo de masculinidade. Discuti-la e repensá-la é urgente. O debate é importante tanto para os homens quanto para as mulheres.

Aqui estão 10 filmes e séries que ajudam a entender porque é preciso olhar para esta questão.

 

ATENÇÃO, CONTÉM SPOILERS!

 

The Mask You Live In (2015)

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O documentário, que está disponível na Netflix, explora as consequências dessas cobranças impostas aos meninos.

O documentário The Mask You Live In (a máscara em que você vive, em tradução livre) segue meninos e jovens que tentam permanecer fiéis a si mesmos enquanto negociam com a estreita definição de masculinidade nos Estados Unidos.

“Seja forte”, “seja homem”, “homem não chora”: os protagonistas se confrontam com essas mensagens. O documentário, que está disponível na Netflix, explora as consequências dessas cobranças impostas aos meninos e ilustra, com a ajuda de especialistas, como a sociedade pode criar gerações mais saudáveis de meninos e rapazes.

“Eu diria que a maior emoção sentida pelos homens americanos é a ansiedade. Por que? Porque você precisa provar sua masculinidade o tempo todo”, diz o professor de sociologia Michael Kimmel, um dos entrevistados no filme.

 

Eu não sou um homem fácil (2018)

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Em "Eu não sou um homem fácil", protagonista bate a cabeça e acorda em um universo em que papeis de homens e mulheres estão invertidos na mesma proporção.

O protagonista desta comédia francesa produzida pela Netflix é o típico ‘machão’, que reproduz inúmeros comportamentos considerados tóxicos.

Um belo dia ele bate a cabeça e acorda num universo em que são as mulheres o gênero dominante e reproduzem as mesmas opressões do mundo machista contra os homens.  

A partir daí, ele passa a viver um choque, experimentando na pele o que vivem as mulheres diariamente, desde as pressões estéticas ao assédio, à objetificação e aos relacionamentos abusivos.

 

Precisamos falar com os homens? (2016)

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Documentário produzido pela ONU Mulheres procura aproximar os homens do debate sobre a igualdade de gênero.

Uma iniciativa da ONU Mulheres em parceria com o site Papo de Homem, o documentário procura aproximar os homens do debate sobre a igualdade de gênero. A iniciativa faz parte da campanha internacional #ElesPorElas, cujo objetivo é engajar homens e meninos para novas relações, sem atitudes e comportamentos machistas.

Com entrevistas com homens e mulheres de diferentes áreas, o filme discute os mitos da masculinidade e quanto os comportamentos tóxicos podem ser prejudiciais para ambos. O documentário está disponível no canal da ONU Mulheres no Youtube.

 

Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016)

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Moonlight venceu o Oscar 2017 de Melhor Filme ao retratar nuances da masculinidade negra.

No filme vencedor do Oscar de 2017, o diretor e roteirista Barry Jenkins faz uma discussão sobre a construção da masculinidade e as subjetividades do homem negro, que costuma ser retratado de forma bastante estereotipada no cinema.

O premiado longa-metragem conta, em três atos, a jornada de Chiron em busca por sua identidade. O filme aborda, em diferentes fases da vida do protagonista, questões como a homossexualidade, status social, violência, solidão, criminalidade, preconceito e bullying.

 

Os Iniciados (2017)

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"Os Iniciados" retrata ambiente de machismo e agressão em que Xolani cresce.

O filme sul-africano conta a história de Xolani, um operário que se ausenta do trabalho para ajudar nos ritos de transição da adolescência para a vida adulta entre os homens da etnia Xhosa.  

Em um remoto acampamento em uma montanha, jovens se recuperam da cirurgia de circuncisão enquanto aprendem os códigos masculinos de sua cultura. Neste ambiente de machismo e agressão, Xolani cuida de Kwanda, um rebelde novato de Joanesburgo, que questiona os códigos patriarcais de iniciação.

“De modo sensível e crítico, o filme trata das formas de construção da masculinidade e da heterossexualidade compulsória imposta aos homens negros na África do Sul”, escreve o ativista Renan Quinalha, em crítica publicada na Revista Cult.

 

Tomboy (2011)

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Tomboy, de Céline Sciamma, discute a construção da identidade e papéis de gênero ainda na infância -- e como isso influencia no seu crescimento.

Tomboy é um longa-metragem francês escrito e dirigido por Céline Sciamma que discute a construção da identidade e papéis de gênero na infância e as dificuldades das relações entre crianças e pais nesse processo.

De forma poética, ele conta a história de uma criança de 10 anos, designada menina ao nascer, mas que se vê como menino e procura sustentar essa identidade dentro de um novo grupo de amigos.

 

Dzi Croquettes (2009) 

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Dzi Croquetes foi um grupo de atores e bailarinos cariocas que se tornou símbolo da contracultura nos anos 70.

O documentário brasileiro dirigido por Tatiana Issa e Raphael Alvarez resgata a trajetória do Dzi Croquettes, grupo de atores e bailarinos cariocas que se tornou símbolo da contracultura nos anos 70.

Os espetáculos revolucionaram os palcos com performances de homens com barba cultivada e pernas cabeludas, que contrastavam com sapatos de salto alto e roupas femininas.

O conjunto contestava a ditadura por meio do deboche e da ironia e defendia a quebra de tabus sociais e sexuais e das noções ‘padrões’ de masculinidade.

 

Big Little Lies (2018)

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Produzida por Reese Witherspoon, "Big Little Lies" traz as consequências da masculinidade tóxica.

A premiada minissérie da HBO, baseada em livro homônimo, é uma série sobre mulheres, que, no início, parece contar a fabricação de um crime, mas acaba revelando, em uma de suas principais tramas, a crueldade da violência doméstica e da masculinidade tóxica. Impactante e potente, a trama relata a história de uma sobrevivente.

Nas aparências, a protagonista Celeste, interpretada por Nicole Kidman, parece viver um casamento perfeito. Mas ao longo dos sete episódios conhecemos a realidade de uma relação abusiva, construída na base da violência e no machismo, que tem impacto inclusive no comportamento dos filhos do casal com as colegas de escola.

 

Brooklyn Nine-Nine (2013)

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Brooklyn Nine-Nine mostra que ser emotivo não faz de ninguém mais fraco. 

Em sua sexta temporada, a série Brooklyn Nine-Nine, da NBC, vem mostrando na TV bons exemplos de masculinidade ao quebrar alguns estereótipos com seus personagens homens, sem que isso pareça algo inverossímil.

No final do ano passado, o canal de cinema no Youtube Entre Planos falou sobre isso. O vídeo destaca, por exemplo, o comportamento do sargento Terry Jeffords, interpretado por Terry Crews, que confronta a ideia de que o homem forte não pode demonstrar emoções. Um personagem doce e sensato, Terry mostra como ser emotivo não faz de ninguém mais fraco. 

 

Queer Eye (2018)

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O que dizer do "Fab Five"?

O reality show acompanha o “Fab Five” - cinco homens gays especialistas em comida e vinho, design, cultura, cuidados pessoais e moda - na missão de ajudar, em cada episódio, uma pessoa diferente a mudar sua vida, conquistar confiança e autoestima, aprender coisas novas, abrir a mente e respeitar a diversidade.

Com histórias sensíveis e emocionantes, Queer Eye tem sido considerada um “antídoto” para a masculinidade tóxica. A terceira temporada acaba de estrear na Netflix.

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