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28/02/2020 05:38 -03 | Atualizado 28/02/2020 05:46 -03

Máscaras descartáveis realmente te protegem contra o coronavírus?

Segundo o governo, casos suspeitos no Brasil podem chegar a 300. Saiba quais são as formas mais eficazes de evitar a contaminação.

A confirmação do primeiro caso de contaminação pelo coronavírus no Brasil nesta semana deixou muita gente preocupada. Na quinta-feira (27), o Ministério  da Saúde informou que o número de casos suspeitos subiu para 132 no país, mas que pode chegar a 300 com outros casos analisados.

O vírus identificado pela primeira vez em Wuhan, na China, causa a doença respiratória covid-19, que pode se manifestar como uma gripe leve até uma pneumonia intensa, a depender da pessoa. Segundo a Organização Mundial de Saúde, até a quinta-feira, havia 82.294 casos confirmados em todo o mundo, sendo 3.664 fora da China. No total, 2.804 pessoas já morreram por decorrência da covid-19.

Como o vírus é uma situação nova para nós, e estamos sendo bombardeados a todo momento com notícias sobre o tema, muitas pessoas já correram atrás de máscaras descartáveis para se proteger, já que o coronavírus é transmissível através do contato humano e da exposição a gotículas respiratórias de uma pessoa infectada.

Mas esse tipo de prevenção realmente funciona?

Especialistas são céticos em relação à eficácia da máscara na proteção contra vírus e bactérias perigosos.

Veja algumas opiniões sobre se você deveria ou não usar uma máscara e de que outra forma você pode se proteger.

Máscaras que cobrem o rosto podem ajudar, até certo ponto.

Amanda Perobelli / Reuters
"Lembre-se que os seus olhos ainda estão abertos e você pode contaminar o transmitir a doença por eles”, explica Michael Ison, especialista em doenças infecciosas da Northwestern Medicine.

Vírus têm maneiras diferentes de serem transmitidos.

Quando uma pessoa infectada tosse ou espirra, ela expele gotículas no ar que podem carregar o vírus. E ele pode se espalhar quando essas gotas tocam os olhos e o nariz de outra pessoa.

O vírus também pode se espalhar em algumas superfícies. Se alguém entrar em contato com essas gotículas contagiosas - no ar ou tocando em uma superfície que continha as gotículas - pode se contaminar.

Na última quinta-feira, o diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), Robert Redfield, disse ao Congresso norte-americano que a agência está avaliando quanto tempo o coronavírus pode sobreviver e ser infeccioso nas superfícies.

“No cobre e no aço é bastante típico, são cerca de duas horas”, declarou Redfield. “Mas direi que em outras superfícies - papelão ou plástico - é mais longo, e estamos analisando isso.”

Existem evidências de que, quando usadas corretamente, as máscaras faciais podem retardar a propagação de vírus no ar. Por exemplo, um estudo de 2008 descobriu que aqueles que usavam uma máscara tinham 80% menos chances de contrair a gripe. Outro relatório de 2009 constatou que, juntamente com a lavagem frequente das mãos, as máscaras faciais diminuíram o risco das pessoas de contrair a gripe em cerca de 70%.

Mas as máscaras não são infalíveis, e só porque você está usando uma não significa que você está 100% seguro.

“Qualquer tipo de máscara seria útil, porque se você está cobrindo seu nariz e sua boca, é uma forma de se proteger. Mas lembre-se que os seus olhos ainda estão abertos e você pode contaminar o transmitir a doença por eles”, explica Michael Ison, especialista em doenças infecciosas da Northwestern Medicine.

Quando olhamos para a epidemia da síndrome respiratória aguda grave (SARS) que aconteceu em 2003, também com epicentro na China, os pesquisadores concluíram que as máscaras faciais tiveram um certo papel na diminuição da propagação - especialmente em ambientes hospitalares - mas principalmente porque impediram que os doentes passassem a SARS para as pessoas ao seu redor. De fato, a maioria das pessoas na Ásia usa as máscaras para não ficar doente, mas também para proteger outras pessoas de germes e vírus prejudiciais.

Em 2012, quando outro coronavírus mortal - a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) - se espalhou, as autoridades de saúde recomendaram o uso de máscara facial apenas se você estivesse na mesma sala que uma pessoa contaminada. Na época, não havia evidência suficiente se as máscaras tinham algum papel em impedir a propagação da MERS.

O principal argumento é: as máscaras por si só não eliminam o risco de contrair o coronavírus. Mas, elas podem ajudar. “Isso pode reduzir o risco de algumas transmissões, mas não leva o risco a zero”, diz Ison.

Existem diferentes tipos de máscaras descartáveis.

Existem dois tipos de máscaras faciais que podem ajudar a reduzir suas chances de contrair o coronavírus: máscaras hospitalares e as respiradoras, também conhecidas como máscaras N-95.

A maioria das máscaras que vemos em fotos são as máscaras hospitalares, que médicos, dentistas e enfermeiros usam no tratamento de pacientes.

Embora elas protejam as pessoas de espirros, elas não são super seguras. Isso porque a máscara não fica ajustada ao rosto e o tecido é bastante fino, então permite que gotículas menores acabem penetrando por ela.

“As máscaras [cirúrgicas] fornecem um grau de proteção contra líquidos, incluindo a tosse ou espirro, e fornecem alguma filtragem do ar. No entanto, como as máscaras não fornecem uma vedação firme ao redor do nariz e da boca do usuário, grande parte do ar inalado e expirado não é filtrado”, diz Richard Martinello, especialista em doenças infecciosas da Yale Medicine.

Há ainda os respiradores, comumente usados ​​por trabalhadores da construção civil. Eles são mais resistentes e ficam ajustados ao seu rosto. Segundo o CDC, essas máscaras filtram cerca de 95% das partículas transportadas pelo ar, incluindo vírus e bactérias.

Mas eles não são tão confortáveis ​​e muitas pessoas relatam problemas para respirar, dificultando o uso continuo da máscara.

Os respiradores podem ficar entupidos e fazer com que a frequência cardíaca da pessoa suba. Mulheres grávidas ou pessoas com problemas respiratórios devem consultar um médico antes de usá-los.

Grande parte das pessoas não precisa de uma máscara facial

hxdbzxy via Getty Images
Lavar as mãos é uma das maneiras mais eficazes de prevenir vírus.

Os especialistas em saúde ainda dizem que você não precisa entrar em pânico. Enquanto a Anvisa e o Ministério da Saúde estão se preparando para a disseminação do vírus aqui no Brasil, o risco imediato para as pessoas ainda é relativamente baixo e os especialistas enfatizam que é importante manter a calma.

Ou seja, não há uma necessidade real de o público usar máscaras, de acordo com os especialistas. O ponto principal, nesse momento, é impedir que alguém que já esteja doente infecte outros.

“Geralmente, não recomendamos o uso de máscaras ou respiradores para o público em geral. É claro que as pessoas que desejam ser mais cautelosas quanto à exposição a germes quando em público podem optar por usar uma máscara”, disse Martinello.

A qualidade das máscaras depende em grande parte se você as está usando corretamente. Certifique-se de que o lado correto esteja voltado para fora, mantenha a máscara bem ajustada sobre o nariz, prenda os laços atrás das orelhas e feche as folgas ao redor da linha da mandíbula. Martinello disse que o maior erro que as pessoas cometem é quando a máscara cobre a boca, mas não o nariz.

Há outras atitudes mais eficazes do que usar uma máscara, no entanto. Uma delas é manter distância de pessoas doentes, especialmente aquelas que tossem ou espirram. Além disso, não tocar o rosto com as mãos com muita frequência minimiza a exposição a germes nocivos.

Por fim, lavar as mãos é a sua melhor linha de defesa contra qualquer vírus. Lave as mãos com frequência e com dedicação. Isso significa passar pelo menos 20 segundos lavando as mãos com sabão e água.

“Garantir que as pessoas lavem as mãos e tomem a vacina contra a gripe provavelmente será uma maneira melhor para mantê-las saudáveis ​​do que colocar uma máscara facial”, diz Ison.

 

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.