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20/05/2020 14:16 -03

Bolsonaro convida Mario Frias para Secretaria de Cultura no lugar de Regina Duarte

Defensor ferrenho do presidente nas redes sociais, ator ainda não havia dado resposta no início da tarde desta quarta.

Reprodução Facebook @MarioFriasOficial
Ator Mario Frias foi convidado pelo presidente Bolsonaro para substituir Regina Duarte na Secretaria de Cultura.

Após oficializar a demissão de Regina Duarte da Secretaria de Cultura em um vídeo na manhã desta quarta-feira (20), o presidente Jair Bolsonaro convidou o ator Mario Frias para ocupar o cargo. Até o início da tarde, não havia confirmação sobre uma resposta. 

O mandatário já havia deixado clara sua predileção por Frias. Na terça (19), publicou em suas redes sociais um vídeo com trechos de entrevista do ator à CNN Brasil, na qual ele defende Bolsonaro. Na ocasião, ele também elogiou Regina e se colocou à disposição do presidente. 

“Pro Jair, cara, o que ele precisar, eu tô aqui. Eu torço demais pra Regina, eu sou fã dela, mas pelo Brasil eu tô aqui, [para] o que for preciso”, disse à CNN no começo de maio. A partir daí os rumores sobre sua indicação ganharam corpo. 

Mario Frias é um árduo defensor do governo. Em seu Facebook, promove lives com aliados, como a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e, inclusive, corrobora algumas teses bolsonaristas, como “o Brasil não pode parar” e sobre “vírus Chinês”. 

Os 77 dias de Regina na Cultura

A queda de Regina Duarte veio após um longo processo de fritura que começou mesmo antes de ela tomar posse, em 4 de março. Um dia antes, o escritor Olavo de Carvalho, considerado o guru dos bolsonaristas, criticou a atriz e se disse arrependido da indicação. 

Nos bastidores, a ala ideológica do governo reclama de Regina não ter atendido aos anseios de “despetização” da área cultural. Há quem diga ainda que ela não fez nada de relevante no tempo em que esteve na secretaria. “Qual o legado?”, afirmou um bolsonarista ao HuffPost nesta quarta (20).

Conforme interlocutores, o próprio Bolsonaro, porém, autorizou aliados a criticarem publicamente a ex-secretária, que agora assume a Cinemateca de São Paulo. No vídeo em que selou sua saída do governo, ela negou qualquer fritura. “Pessoal, eu vim aqui perguntar para o presidente se ele está me fritando, porque eu li isso numa imprensa que eu não acredito mais, mas, de qualquer forma, queria que ele me dissesse pessoalmente: ‘tá me fritando, presidente?’”, diz, rindo. 

Em seu discurso de posse, que desagradou, ela cobrou de Bolsonaro “porteira fechada”, que segundo ela lhe fora prometida. Foi corrigida prontamente pelo chefe. “Regina, todos os meus ministros também receberam [carta branca]. No início têm liberdade para escolher quem você quer. Obviamente, em alguns momentos, eu exerço o poder de veto em alguns nomes.” 

E assim o fez. Para começo de conversa, Sergio Camargo, presidente da Fundação Palmares, foi mantido no cargo a contragosto de Regina. No início de maio, Bolsonaro reconduziu à presidência da Funarte o maestro Dante Mantovani, que havia sido demitido assim que a atriz assumiu a Secretaria de Cultura. O governo voltou atrás no mesmo dia. 

Na última semana, o braço-direito de Regina Duarte foi exonerado. O secretário-adjunto Pedro Horta, que não agradava à ala ideológica do governo, teve a demissão assinada também por Braga Netto. Ele tinha sido nomeado por Regina logo que ela tomou posse.

A demissão de Horta também veio depois de uma entrevista de Regina Duarte à CNN Brasil, na qual ela minimizou a tortura cometida sistematicamente durante a ditadura militar. “Sempre houve tortura, não quero arrastar um cemitério. Mas a humanidade não para de morrer, se você falar de vida, de um lado tem morte. Por que olhar para trás? Não vive quem fica arrastando cordéis de caixões, acho que tem uma morbidez neste momento. A covid está trazendo uma morbidez insuportável, não tá legal!”, afirmou.