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04/11/2019 16:33 -03

‘Não sabemos se ainda existe muito ou pouco óleo para chegar às praias’, diz Marinha

“Não existe efetivamente uma maneira correta e precisa para monitorar essas manchas de óleo.”

MATEUS MORBECK via Getty Images

O governo brasileiro ainda não sabe o quanto de óleo derramado na costa brasileira está para chegar às praias. De acordo com o comandante de Operações Navais da Marinha, Leonardo Puntel, o volume de manchas tem diminuído, mas “dizer o quanto óleo ainda tem é muito difícil falar”.

“Como o óleo vem submerso, nós não sabemos se ainda existe muita coisa ou pouca coisa. Não existe efetivamente uma maneira correta e precisa para monitorar essas manchas de óleo”, afirmou.

Dos nove estados do Nordeste, no último domingo, apenas três contavam com registros de manchas, segundo autoridades da Marinha. De acordo com Puntel, o cenário mostra “um arrefecimento real estatístico da quantidade de óleo nas praias”. “Há mais de cinco dias que não chega óleo nenhum em Pernambuco”, pontuou.

Mais cedo, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, endossou a fala do comandante da Marinha. Ele destacou que a “situação é inédita”. “Esse desastre nunca aconteceu no Brasil, até no mundo. Esse óleo, que não é perceptível pelo satélite. (…) Não sabemos a quantidade derramada do que está por vir.”

Responsabilização

Uma das dificuldades para contenção do óleo derramado na costa brasileira é a ausência de um responsável. Na semana passada, uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal apontou o navio grego Bouboulina, de propriedade da Delta Tankers, como o mais provável responsável pelo derramamento. A empresa, entretanto, nega responsabilidades.

Nesta segunda-feira (4), a Polícia Federal informou que essa empresa será notificada via Interpol para que possa se manifestar sobre as investigações.

Segundo o delegado da PF Franco Perazzoni, na primeira fase da investigação, de caráter sigiloso, a empresa não foi contactada.

“Nesse primeiro momento, reunimos todos elementos possíveis sem qualquer alerta ao investigado”, disse Perazzoni, ao participar de coletiva de imprensa em Brasília.

“A empresa vai ser notificada agora, já fizemos pedido via Interpol, vai tomar conhecimento do teor integral da investigação, vai ser solicitada, via Interpol, a apresentar documentos que ela alega ter. Vamos reunir elementos e avaliar”, concluiu.

O navio, segundo as investigações, teria sido abastecido no Porto de José, na Venezuela, e zarpado no dia 18 de julho com destino à Malásia.

A PF estima que 2,5 mil toneladas de óleo foram derramadas no oceano pelo navio Bouboulina, o petroleiro de bandeira grega que, segundo procuradores da República, teria derramado o petróleo a cerca de 700 km da costa do Brasil entre 28 e 29 de julho, depois de ser abastecido com óleo da Venezuela.

Mais de 4 mil toneladas de óleo já foram recolhidas em todos os locais afetados, entre praias, mangues e rios até o momento. Isso porque, explicou a Marinha ao HuffPost, assim que despejado no oceano, o óleo já muda de densidade, o que altera o peso. Além disso, em contato com a areia, grãos também acabam recolhidos e pesam mais.