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10/03/2020 19:01 -03

Justiça do Rio decide que acusados de matar Marielle vão a júri popular

Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz serão julgados pelo duplo homicídio da vereadora e de seu motorista, Anderson. Crime aconteceu em 14 de março de 2018.

Agência Brasil
Marielle Franco, vereadora do PSol assassinada em 14 de março de 2018 com 4 tiros na cabeça ao sair de um evento no Rio de Janeiro. 

O PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira, acusados pelas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, serão julgados por júri popular. A decisão é desta terça-feira (10) e é assinada pelo juiz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. 

A vereadora foi assassinada junto com seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, no Rio, enquanto voltava, à noite, de um evento sobre mulheres negras. A investigação está sob sigilo e as linhas de apuração apontam para a participação de milícias e, ainda, para um crime político.

Um ano depois, Ronnie e Élcio foram presos, mas os motivos dos assassinatos não foram esclarecidos e as investigações não indicam o mandante do crime. O sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz foram presos em março de 2019 por envolvimento no crime.

ASSOCIATED PRESS
Faixa com a imagem de Marielle Franco é exibida em protesto em defesa dos direitos das mulheres.

Mulher negra, nascida na Favela da Maré, lésbica e defensora dos direitos humanos, Marielle foi a 5ª vereadora mais votada do Rio em 2016. Ela denunciava abusos da Polícia Militar, atendia vítimas da milícia e dava apoio a policiais atingidos pela violência no Rio e às suas famílias.

Segundo a Folha de S. Paulo, Ronnie e Élcio negam, em seus depoimentos, qualquer envolvimento no crime. O primeiro é acusado de atirar contra as vítimas. O segundo, de dirigir o carro que perseguiu a vereadora do PSol. Ambos afirmam que estavam em um bar assistindo jogo de futebol.

De acordo com o jornal O Globo, o juiz, no entanto, decidiu pelo julgamento por entender que há indícios suficientes contra os réus. O julgamento está previsto para o final do mês de março, dias após o crime completar dois anos.