MULHERES
25/07/2019 02:00 -03

Mobilização coletiva une forças para levar família de Marielle à inauguração de jardim em Paris

Jardim suspenso em homenagem à vereadora será inaugurado em setembro e está localizado próximo a Gare de L’Est, uma das regiões mais movimentadas de Paris.

MAURO PIMENTEL via Getty Images

Pouco mais de um ano e meio após o assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, um jardim suspenso ganhará seu nome em Paris, na França. No dia 21 de setembro de 2019, está prevista a inauguração do primeiro espaço permanente com o nome da defensora dos direitos humanos.

A Red-Br (Rede Europeia pela Democracia do Brasil), associação sediada na França que liderou o projeto de construção do espaço, criou campanha de financiamento coletivo para garantir que a família de Marielle esteja no evento. 

Silvia Capanema Schmidt, presidente da associação, reforça ao HuffPost Brasil a importância da presença dos familiares em Paris “pelo respeito à pessoa de Marielle, ao que ela representa”.

“Um respeito que é também a de onde ela vem e ao que ela construiu: a filha, a relação com a irmã, o exemplo da mãe. Esse respeito à família e homenagem é também um respeito aos seres humanos que somos, e ao povo brasileiro. As dificuldades são reais para pagar uma viagem a Paris”, defende.  

Esse respeito à família e homenagem é também um respeito aos seres humanos que somos, e ao povo brasileiro.Silvia Capanema Schmidt, presidente da Red-Br

De acordo com o texto do grupo, formado por pesquisadores, artistas, agentes culturais, cidadãs e cidadãos que vivem na Europa e propõem ações para preservar, construir e ampliar a democracia no Brasil, “a família não tem recursos para arcar com a viagem a Paris para presenciar a inauguração do jardim. Acreditamos, entretanto, que seria indispensável a presença de membros da família nesse momento, um acontecimento também importante para a memória de Marielle e de tudo que ela representa”.

Assim, no último dia 19 de julho, foi lançada a iniciativa do financiamento. “Com a contribuição coletiva de todas e todos poderemos alcançar nosso objetivo. Os fundos coletados nesta campanha participativa serão usados para pagar os voos e a acomodação dos membros da família de Marielle na França. O orçamento estimado é de aproximadamente 5.000 euros”, explica o texto.

O projeto do jardim suspenso foi aprovado pela prefeitura de Paris em abril deste ano. À época, a prefeita Anne Hidalgo anunciou a criação do espaço em sua rede social, após a votação do conselho.

“Foi votado! Os representantes parisienses aprovaram nesta manhã a proposta que eu apresentei a eles com minha equipe: um lugar em Paris levará o nome de Marielle Franco, ativista de direitos humanos, eleita do Rio de Janeiro, assassinada em março de 2018”, escreveu em seu perfil do Twitter.

O local escolhido foi no 10º distrito da cidade, sobre as plataformas da Gare de L’Est, uma das principais estações de trem da capital francesa.

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Praça em homenagem a Marielle será construída próxima de Gare de L’Est, uma das principais estações de trem da capital francesa.

A associação Red-Br liderou a iniciativa do pedido de homenagem à Marielle na prefeitura de Paris com o apoio de coletivos como Autres Brésils, France Amérique Latine, Amnesty International France, Coletiva Marielles, Ligue des Droits de l’Homme, Inter LGBT, Amis des Sans Terre.

O grupo fez “o pedido para que um local público da cidade recebesse o nome de Marielle Franco, correspondendo à expectativa lançada pelas homenagens internacionais expressas nas placas ‘Rua Marielle Franco’”. 

O caso Marielle Franco

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Manifestante veste camiseta e leva flores em protesto quando a morte da ativista completou um ano, em 14 de março de 2019.

A vereadora foi assassinada junto com seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. A investigação está sob sigilo e as principais linhas de apuração apontam para a participação de milícias ou, ainda, para um crime político.

Até o momento, dois suspeitos de envolvimento no crime foram detidos, mas os motivos dos assassinatos não foram esclarecidos e não se descarta a possibilidade de haver mandantes.

Mulher negra, nascida na Favela da Maré, lésbica e defensora dos direitos humanos, Marielle foi a 5ª vereadora mais votada do Rio em 2016. Ela denunciava abusos da Polícia Militar, atendia vítimas da milícia e dava apoio a policiais vitimados pela violência no Rio e às suas famílias.