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02/11/2019 16:43 -03 | Atualizado 02/11/2019 17:10 -03

Bolsonaro afirma que pegou áudios da portaria de condomínio 'antes que fossem adulterados'

Presidente também acusou novamente o governador Wilson Witzel de manipular o processo que trata assassinato de Marielle Franco.

EVARISTO SA via Getty Images
“A minha convicção é de que ele [Witzel] agiu no processo para botar meu nome lá dentro", disse Bolsonaro a jornalistas neste sábado (2).

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que teve acesso aos áudios das ligações realizadas entre a portaria e as casas do condomínio em que mora, Vivendas da Barra antes que, segundo ele, os áudios fossem adulterados.

A afirmação foi feita durante entrevista a jornalistas em Brasília, neste sábado (2), ao visitar uma concessionária de motos. O presidente, no entanto, não especificou a data em que retirou os arquivos da portaria do condomínio.

“Agora, eu estava em Brasília, está comprovado. Várias passagens minhas pelo painel eletrônico da Câmara, com registro de presença, na quarta-feira geralmente parlamentar está aqui”, disse o presidente que, em seguida, falou sobre o acesso que teve aos áudios da portaria do Vivendas da Barra.

“Eu estava aqui, não estava lá, e outra, nós pegamos antes que fosse adulterado, pegamos lá toda a memória da secretária eletrônica, que é guardada há mais de anos, a voz não é minha. Não é o seu Jair. Agora, que eu desconfio, que o porteiro leu sem assinar ou induziram ele a assinar aquilo. Induziram entre aspas, né? Induziram a assinar aquilo.”

Em seguida, o presidente acusou novamente o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, de manipular o processo sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco para incluir seu nome. Bolsonaro afirmou que Witzel está usando a “máquina do estado” para perseguir a ele, parentes e amigos com o objetivo de se tornar presidente da República.

A minha convicção é de que ele [Witzel] agiu no processo para botar meu nome lá dentro.Presidente Jair Bolsonaro, em conversa com jornalistas

“A minha convicção é de que ele [Witzel] agiu no processo para botar meu nome lá dentro. Espero agora que não queiram jogar para cima do colo do porteiro. Pode até ser que ele seja responsável, mas não podemos deixar de analisar a participação do governador. Como é que pode um delegado da Polícia Civil ter acesso às gravações da secretária eletrônica?”, disse.

Anteriormente, Bolsonaro já havia acusado Witzel de supostamente atuar de forma irregular nesse caso e o governador fluminense se defendido publicamente das afirmações feitas. Ele não se manifestou ainda neste sábado.

“Chegando [no governo], [Witzel] virou inimigo nosso e começou a usar a máquina do estado para perseguir Flávio, Carlos, eu, o [deputado] Hélio Negão e tudo quanto é amigo meu está sendo investigado”, completou o presidente.

O contexto do nome de Bolsonaro na investigação do caso

ASSOCIATED PRESS
Reportagem do Jornal Nacional relaciona o nome do presidente Jair Bolsonaro ao caso Marielle Franco.

Nesta semana, reportagem do Jornal Nacional revelou que o nome do presidente foi citado em documentos da investigação do caso Marielle Franco. A Polícia Civil do Rio de Janeiro teve acesso ao livro de visitas do condomínio Vivendas da Barra, na Zona Oeste carioca, onde o presidente mora, assim como o policial militar Ronnie Lessa, acusado de ser autor dos disparos contra a vereadora em março de 2018.

No dia do crime, em 14 de março de 2018, Elcio Queiroz, outro envolvido no crime, teria anunciado que iria à casa 58, de Bolsonaro, mas foi à 65, de Lessa. Menção ao presidente pode fazer com que o inquérito siga para o STF (Supremo Tribunal Federal). 

A reportagem aponta que, em dois depoimentos, o porteiro reiterou ter interfonado para a casa 58 e que identificou alguém “com a voz do Seu Jair”. O JN destaca que a guarita do condomínio Vivendas da Barra grava as conversas da portaria e tenta, agora, recuperar as informações da data. No mesmo dia, contudo, reportagem aponta que Bolsonaro estava em Brasília.

Bolsonaro, que estava na Arábia Saudita à época, entrou ao vivo pelo Facebook às três horas da manhã do horário local. Durante transmissão, o presidente mostrou descontrole, falou palavrões e, em momentos de fúria, afirmou que a TV Globo tenta atacar sua imagem e disse que não renovará sua concessão. Ele também acusou o governador fluminense, Wilson Witzel, de ter sido o responsável pelo vazamento da informação contida no inquérito.

“Vocês vão renovar a concessão em 2022, não vou persegui-los, mas o processo tem que estar limpo. Se não estiver limpo, não tem concessão da renovação de vocês. Vocês apostaram em me derrubar no primeiro ano e não conseguiram”, disse, sobre a TV Globo. “O senhor [Wilson Witzel] só se elegeu governador porque ficou o tempo todo colado com o Flávio, meu filho”.

Bolsonaro ainda questionou: “Qual a intenção de desgastar o governo federal? O que vocês ganham com um governo fraco?” E continuou: “Qual a intenção de vocês? O orgasmo da TV Globo é ver alguém preso? Eu seguro a onda. Eu tenho imensa responsabilidade. Eu tenho compromisso. Apesar da imprensa porca, nojenta, canalha, imoral.”