MULHERES
25/07/2020 04:00 -03

Marcha das Mulheres Negras acontece online pela primeira vez devido à pandemia de covid-19

Em 25 de julho, é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e de Teresa de Benguela, mulher escravizada que se tornou rainha.

Devido ao isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus, a Marcha das Mulheres Negras de São Paulo não ocupará, tradicionalmente, as ruas neste 25 de julho de 2020, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. O evento, que acontece desde 2015, terá sua primeira versão online. 

O tema escolhido para este ano foi “Nem cárcere, nem tiro, nem covid: corpos negros vivos! Mulheres negras e indígenas! Por nós, por todas nós, pelo bem viver!”, lembrando as mortes recentes de jovens negros pela polícia no Brasil e os protestos que eclodiram pelo mundo após o assassinato de George Floyd.

A partir das 14h, o evento vai transmitir desde debates, atrações infantis, até intervenções de rua pelos perfis no Facebook, Instagram e YouTube da Marcha.

Nacho Doce / Reuters

Com a marcha virtual, o grupo se junta às iniciativas de outros movimentos sociais que, diante do surto de covid-19, tentam reinventar as celebrações que ocupam as ruas, a exemplo da Parada LGBT.

“Agora de maneira virtual em função da covid-19, apresentamos, para a sociedade, questões que nos afetam diretamente e que queremos ver enfrentadas por todas as pessoas que acreditam em um projeto democrático de País”, diz o manifesto do grupo.

O texto lembra o Caso Miguel, em Recife, critica a ação de governantes diante da pandemia e destaca que a crise sanitária escancarou desigualdades econômicas, sociais e raciais que prejudicam a população negra no País.

″[A pandemia] Mostrou que o racismo estrutural impõe à população negra a maior vulnerabilidade, pois esta é a parcela da população que segue sem acesso a direitos básicos de saúde, saneamento, educação e moradia.”

Segundo os números da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), que reúne os registros de óbitos feitos pelos cartórios do País, o número geral de mortes por causas naturais entre 16 de março e 30 de junho subiu 13% na comparação com o mesmo período de 2019.

Entre pessoas que se declaram pretas, por sua vez, o número subiu 31,1% no mesmo período, e entre os autodeclarados pardos, o aumento foi de 31,4%. Entre os brancos, o número de mortes naturais subiu 9,3%, de acordo com comunicado da Arpen-Brasil.

A marcha, que teve início em novembro de 2015, aconteceu nos últimos quatro anos no mês de julho, para homenagear não só o Dia Internacional da Mulher Negra, mas também o Dia de Teresa de Benguela, mulher escravizada que virou rainha e liderou um quilombo de negros e índios na época do Brasil colonial.

Veja a programação completa da 1ª Marcha das Mulheres Negras Online:

Nacho Doce / Reuters
Manifestante participa de um protesto de mulheres negras e indígenas contra o racismo e o machismo em São Paulo, em 25 de julho de 2017.

Neste sábado (25), a Marcha será transmitida a partir das 14h, com uma live de abertura conduzida por ialorixás, saudando a ancestralidade. Em seguida, às 15h, terá início a “Marchinha”, com programação infantil que traz contação de histórias, oficina de bonecas abayomi e apresentação de palhaçaria.

Em seguida, às 16h, o bloco afro Ilú Obá de Min, que é composto apenas por mulheres, promove uma aula-espetáculo. Depois, às 17h30, será realizado o debate “Marcha das Mulheres Negras 5 anos: perspectivas de futuro pós-covid”, em parceria com o Sesc Itaquera. 

Das 19h às 22h, acontecem homenagens póstumas às poetas Tula Pilar e Helena Nogueira, debate sobre “Genocídio, Feminicídio, encarceramento e outras formas de nos matar”, e shows com a rapper Luana Hansen e Samba Negras em Marcha.

Veja a programação completa aqui.