MULHERES
20/01/2020 16:24 -03 | Atualizado 20/01/2020 18:33 -03

Marcha das Mulheres acentua tom político ao pedir pelo impeachment de Donald Trump

Cerca de 250 protestos foram contabilizados nos EUA neste fim de semana. Para manifestantes, é preciso continuar pressionando pela saída de Trump do governo.

ASSOCIATED PRESS
As participantes da Marcha das Mulheres seguram cartazes perto da Casa Branca, no último sábado (18), em Washington, três anos após a primeira marcha, realizada em 2017, um dia após Donald Trump assumir o cargo oficialmente.

Milhares de mulheres foram às ruas em diversos estados norte-americanos no último fim de semana para se juntar à Marcha das Mulheres e pedir pelo impeachment de Donald Trump e reivindicar seus direitos.

Washington (DC) foi a cidade que mais concentrou manifestantes, cerca de 25 mil pessoas foram às ruas ― um número considerado baixo, perto dos mais de 3 milhões que ocuparam a cidade em 2017, na primeira edição da Marcha. Protestos foram contabilizadas em outros 250 estados norte-americanos. 

O protesto, realizado no sábado (18), é a primeira manifestação de mulheres antes de eleição presidencial no país, que acontece em novembro. Desde janeiro de 2017, diante da eleição de Trump, o movimento feminista se organizou e foi às ruas contra sua eleição, rejeitando-o como presidente e inflamou um evento que se tornou anual. Quatro anos depois, elas pedem não só impeachment, mas não querem sua reeleição. 

REUTERS/Bryan Woolston
Centenas de milhares de pessoas marcham pela Pennsylvania Avenue durante a Marcha das Mulheres em Washington (DC), em 2017.

Segundo as organizadoras, o tema escolhido para o evento deste ano foi “Marche Pelos Seus Direitos”. “Iremos às ruas para chamar a atenção internacional para os desafios que as mulheres enfrentam no exercício da soberania sobre seus próprios corpos, capacitando-as a superar a discriminação sistêmica e defender seus direitos humanos universais”, disseram, em comunicado enviado à imprensa.

O foco da manifestação - o quarto desde a eleição de Trump e primeiro desde que a Marcha foi reorganizada após conflitos internos, controvérsias e alegações de antissemitismo - foi igualdade salarial, mudanças climáticas, direitos reprodutivos e questões ligadas à imigração. Mas o pedido de impeachment de Trump ganhou tom forte e onipresente, de acordo com o NYT.

“Alguém precisa continuar pressionando”, disse a norte-americana Cara Horan ao The New York Times, sobre o processo de impeachment do presidente Donald Trump. Horan recentemente se mudou de Chicago para Washington e foi à Marcha das Mulheres, que aconteceu neste fim de semana. “E não adianta esperar, porque o que aprendi nos últimos quatro anos é que ninguém vai consertar nada para você”, disse.

Além da tônica sobre o impedimento de Trump, a Marcha provocou outro tipo de protesto. A Administração Nacional de Arquivos e Registros dos EUA pediu desculpas no sábado (18), dia em que ocorreu a Marcha, por censurar uma fotografia do evento em 2017. Cartazes que eram críticos ao presidente apareciam apagados. Após protestos, a organização desfez a edição.

O processo de impeachment de Trump foi aprovado pela Câmara recentemente e aguarda o desfecho do processo no Senado, cujo julgamento foi aberto oficialmente na última quinta-feira (16). Partido do presidente, que é republicano, tem maioria entre os senadores, o que torna difícil uma destituição.

Abaixo, estão 21 imagens da 4º Marcha das Mulheres Contra Trump nos EUA:

  • Sarah Morris via Getty Images
    Mulher em Los Angeles, Califórnia. "Cuidado: este não é um instrumento cirúrgico", diz cabide de manifestante.
  • APU GOMES via Getty Images
    Manifestantes em Los Angeles, na California.
  • Sarah Morris via Getty Images
    "E a culpa não era minha, nem onde estava, nem como me vestia", diz cartaz de manifestante. Frase é da performance-protesto do grupo feminista chileno Lastesis.
  • Sarah Morris via Getty Images
    Manifestante à favor de Bernie Sanders para a presidência. Eleições nos EUA acontecem em novembro de 2020.
  • John Lamparski via Getty Images
    Manifestantes em Nova York.
  • Ira L. Black - Corbis via Getty Images
    "Lute como Ruth Ginsburg", diz cartaz de manifestante em Nova York.
  • Anadolu Agency via Getty Images
    Manifestantes em Washington, DC.
  • Michael McCoy / Reuters
    Manifestantes durante protesto "The rapist is you" (O estuprador é você), inspirada no coletivo feminista chileo, Lastesis.
  • Mary Calvert / Reuters
    Manifestantes em Washington, DC.
  • Anadolu Agency via Getty Images
    Manifestantes em Washington, DC.
  • ASSOCIATED PRESS
    Manifestantes durante protesto "The rapist is you" (O estuprador é você), inspirada no coletivo feminista chileo, Lastesis, em Nova York.
  • ASSOCIATED PRESS
    Manifestante em Illinois, Chicago.
  • Anadolu Agency via Getty Images
    Manifestante em Washington, DC.
  • ASSOCIATED PRESS
    Manifestantes durante protesto "The rapist is you" (O estuprador é você), inspirada no coletivo feminista chileo, Lastesis, em Nova York.
  • ASSOCIATED PRESS
    "Resista', diz toca cor-de-rosa, símbolo da manifestação desde 2017.
  • ASSOCIATED PRESS
    Manifestante durante Marcha em Illinois, Chicago.
  • ASSOCIATED PRESS
    Manifestantes durante protesto "The rapist is you" (O estuprador é você), inspirada no coletivo feminista chileo, Lastesis, em Nova York.
  • ASSOCIATED PRESS
    Manifestantes em Washington, DC.