OPINIÃO
12/07/2019 13:31 -03 | Atualizado 12/07/2019 13:33 -03

Flip 2019: Marcelo D'Salete lista as 10 HQs que marcaram sua trajetória

Ganhador do Prêmio Eisner, autor estará na Flip nesta sexta (12) para debate sobre direitos das minorias políticas.

Montagem/Divulgação
Quadrinista e mestre em história da arte pela USP, Marcelo D'Salete ganhou em 2018 o Prêmio Eisner, o Oscar dos quadrinhos.

A 17ª edição do Festival Literário de Paraty (Flip), que começou nesta quarta-feira (10) e segue até domingo (14), é dedicada ao escritor Euclides da Cunha (1886-1909), autor de Os Sertões. Como de costume, a Flip tem uma programação bem diversificada, contando com a presença de escritores, pesquisadores, músicos e, claro, quadrinistas, como Marcelo D’Salete.

Um dos maiores nomes dos quadrinhos brasileiros, o paulistano de 40 anos ganhou, no ano passado, o Prêmio Eisner - considerado o Oscar da categoria - pelo graphic novel Cumbe, um tratado sobre a escravidão no Brasil colonial. Protagonizada por escravizados, os quatro contos narram a luta contra a violência sofrida pelos negros e a busca por liberdade.

Crescido na periferia de São Paulo, D’Salete vai debater na Flip os diretos das minorias políticas com Marcela Cananéa, militante do Fórum de Comunidades Tradicionais e uma das responsáveis pelo Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis de Bocaina (RJ), instituição que promove o bem-viver e o desenvolvimento sustentável da região, em diálogos com as comunidades caiçaras, indígenas e quilombola.

Pensando nas influências que o fizeram ser um dos principais quadrinistas da atualidade, pedi ao autor que fizesse uma lista das HQs que o inspiraram. E você confere logo abaixo uma listagem de respeito, que vai de Akira, passando por obras de Lourenço Mutarelli e Frank Miller.

1. Akira, de Katsuhiro Otomo

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“Obra única, influenciou muitas gerações de artistas. Destaque para o uso do tempo, as cenas de ação e o domínio da narrativa. No final de 1980, foi meu primeiro e inesquecível contato com o formato mangá. Otomo constrói uma cidade de Tokyo deslumbrante e, posteriormente, a destrói, parte por parte.”

 2. Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller

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“Miller trouxe o personagem para um universo de crimes, conflitos e debates muito contemporâneos. Li no final de 1980 e a obra abriu novas possibilidades de ler e compreender os quadrinhos para além dos tradicionais conflitos de fim de mundo dos Comics americanos.”

3. Chapa Quente, de André Kitagawa

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“Kitagawa possui um desenho forte, com muito contraste e abuso de sombras. Publicamos juntos na [editora] Front no começo de 2000 e seu trabalho me marcou muito pelo modo de narrar, pelos temas e pelo apuro no desenho.”

 

4. Fawcett, de Flavio Colin e do André Diniz

 
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“Belo trabalho sobre história e com ótimos personagens. O preto e branco do Colin continua sendo uma influência incontornável.”

 

5. Palhaços Mudos, de Laerte Coutinho

 
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“A Laerte explora o universo dos quadrinhos de modo único neste trabalho. Uma aula de desenho, de gestos e expressões nos quadrinhos.”

 6. Preto e Branco, de Taiyo Matsumoto

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“A arte do Taiyo tem diversos pontos altos. Além do domínio completo da narrativa, tem o uso singular da linha e da liberdade com o desenho. Um dos principais artistas em atividade hoje.”

 7. O Sistema, de Peter Kuper

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“Peter Kuper apresenta aqui uma história sem falas, extremamente complexa e instigante. O cenário urbano, os logotipos, as passagens entre cenas, as tramas e subtramas são muito bem construídas e desenvolvidas.”

 8. Transubstanciação, de Lourenço Mutarelli

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“Nesta obra, o autor me impressionou pelo universo gráfico e dramático. Além disso, foi um artista importante por trazer histórias completas, estranhas e densas em formato de revista e depois de livro. Ele abriu caminho para muitos outros quadrinistas que não se encaixavam apenas no contexto do humor. Na época, quem me apresentou este quadrinho foi o grafiteiro Pato.”

 9. Tungstênio, Marcello Quintanilha

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“O autor é sem dúvidas um dos grandes artistas contemporâneos dos quadrinhos. Tungstênio é o cume de um processo de domínio do desenho e da narrativa que já despontava em suas histórias curtas anteriores. Uma leitura mais que necessária.”

 10. Vagabond, de Takehiko Inoue

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“Nesta obra, me interessou a forma de trabalhar um tema histórico de modo tão dinâmico e contemporâneo. Vale atentar para o uso fabuloso dos flashbacks e pelas cenas meticulosas de conflito com espadas. Quando iniciei meus trabalhos mais históricos, esta foi uma leitura fundamental.”

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