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11/01/2020 15:31 -03 | Atualizado 13/01/2020 14:18 -03

Manifestantes pedem renúncia de líder iraniano por queda de avião

Chefes da União Europeia apelam para 'total cooperação' do Irã em investigação do abate da aeronave que deixou 176 mortos.

Manifestantes iranianos pediram a renúncia do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, neste sábado (11), depois que o governo do Irã afirmou que suas Forças Armadas derrubaram por engano um avião ucraniano, matando todas as 176 pessoas a bordo.

“Comandante-em-chefe (Khamenei) renuncie, renuncie”, gritavam centenas de pessoas, de acordo com vídeos publicados no Twitter, em frente à universidade Amir Kabir, em Teerã.

De acordo com a agência Reuters, a agência de notícias iraniana Fars, em um raro relato sobre protestos contra o governo, disse que manifestantes cantaram frases contra as autoridades do país em Teerã neste sábado.

Wana News Agency / Reuters
População iraniana vai às ruas após governo admitir erro em abate de avião de empresa Ukraine International Airlines (UIA) na quarta (8).

A reportagem da Fars disse que os manifestantes que foram às ruas também arrancaram imagens de Qassem Soleimani, o comandante da importante Força Quds, da Guarda Revolucionária, que foi morto em um ataque de drone dos Estados Unidos.

A agência, amplamente vista como próxima à Guarda, publicou fotografias das manifestações e um cartaz destruído de Soleimani. Segundo a Fars, cerca de 700 a mil pessoas participaram do protesto.

Cooperação

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, disse neste sábado (11) que a União Europeia (UE) “reconhece” a responsabilidade do Irã no abate de um avião civil ucraniano na última quarta-feira (8), quer “total cooperação” do Irã. Todas as 176 pessoas a bordo morreram.

“A UE reconhece as declarações feitas pelas autoridades iranianas nas quais se assumem responsáveis pelo incidente do voo PS752 da Ukraine International Airlines (UIA)”, indicou um porta-voz do Alto Representante para Política Externa da UE, em comunicado.

A mesma nota informativa acrescentou que a UE espera, e perante os compromissos assumidos pelo Presidente iraniano Hassan Rohani, que “o Irã continue a cooperar totalmente” e “realize uma investigação integral e transparente” sobre este caso, processo esse que “deve cumprir os padrões internacionais”.

“Devem ser tomadas medidas apropriadas para garantir que um acidente tão horrível não volte nunca mais a acontecer”, frisou o comunicado, que ainda lamenta a morte “de tantas pessoas de diferentes países” e reitera as “sinceras condolências” às famílias das vítimas.

Queda

Um Boeing 737 da companhia aérea privada ucraniana UIA caiu próximo de Teerã, provocando a morte de todas pessoas que seguiam a bordo.

A maioria das vítimas tinha dupla nacionalidade, iraniana e canadense, mas também estavam a bordo cidadãos da Ucrânia, Suécia, Afeganistão, Alemanha e do Reino Unido.

Um alto comandante da Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado que soube que um míssil tinha derrubado um avião ucraniano no mesmo dia do acidente e que assumia total responsabilidade pela queda, dizendo que sua força agiu por engano diante de um alerta para “guerra total”.

O Irã negou por dias que um míssil tivesse atingido o Boeing 737-800 na quarta-feira pouco depois de decolar de Teerã a caminho de Kiev. “Eu gostaria de poder morrer e não testemunhar um acidente assim”, disse o chefe da divisão aeroespacial da Guarda, Amirali Hajizadeh, à televisão estatal.

O avião caiu pouco depois que o Irã lançou ataques com mísseis contra alvos dos Estados Unidos no Iraque em retaliação pelo assassinato de Qassem Soleimani, comandante da Força Quds da Guarda, pelos EUA no Iraque. O Irã esperava represálias dos EUA.

“Naquela noite, estávamos preparados para uma guerra total”, disse Hajizadeh, acrescentando que as unidades de defesa aérea estavam em alerta máximo e que uma camada extra de defesas havia sido instalada em Teerã.

O comandante afirmou que a Guarda solicitou que voos comerciais fossem interrompidos, mas disse que os pedidos não foram atendidos. Ele acrescentou ter sido informado sobre o ataque com mísseis ao avião de passageiros ucraniano na quarta-feira.

A declaração, porém, veio só depois de informações dos Estados Unidos e do Canadá terem indicado desde quinta-feira que o avião poderia ter sido abatido pelo sistema de defesa antiaéreo iraniano.

Na sexta-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em uma reunião extraordinária em Bruxelas convocada para analisar a escalada das tensões no Oriente Médio, não conseguiram alcançar uma posição unânime em relação ao caso do Boeing 737.

Com Reuters e Agência Brasil

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