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14/06/2020 13:49 -03

Manifestantes queimam lanchonete em Atlanta após nova morte de homem negro por policial

Morte de Rayshard Brooks acontece após semanas de manifestações nas principais cidades dos Estados Unidos provocadas pela morte de George Floyd.

Manifestantes fecharam uma importante rodovia em Atlanta na noite deste sábado (13) e queimaram uma unidade da lanchonete Wendy’s onde um homem negro foi morto a tiros pela polícia enquanto tentava escapar da prisão, em mais um incidente que deve aumentar as tensões nos Estados Unidos em relação a questões raciais e a violência policial.

A lanchonete esteve em chamas por mais de 45 minutos antes que as equipes de bombeiros chegassem para controlar o incêndio, protegidas por uma linha de policiais, segundo mostrou a televisão local. Naquele momento, o prédio já estava reduzido a escombros carbonizados ao lado de um posto de gasolina.

Outros manifestantes marcharam para a rodovia Interstate-75, parando o tráfego, antes que a polícia usasse uma série de viaturas para detê-los. A chefe de polícia da cidade, Erika Shields, renunciou no sábado em função da morte de Rayshard Brooks, de 27 anos, na noite de sexta-feira, registrada em vídeo.

O departamento da polícia demitiu o policial que supostamente atirou e matou Brooks, disse o porta-voz da polícia Carlos Campos. Outro oficial envolvido no incidente foi colocado em licença administrativa. Os dois eram brancos.

A morte de Brooks acontece após semanas de manifestações nas principais cidades dos Estados Unidos provocadas pela morte de George Floyd, um negro de 46 anos morto no último dia 25 de maio depois que um policial de Mineápolis se ajoelhou sobre o seu pescoço por quase nove minutos após detê-lo.

Manifestações antirracistas explodem pelo mundo

Guy Smallman via Getty Images
Os apoiadores do grupo de protestos London Black Revs levantam os punhos desafiadores para manifestantes de extrema direita.

Milhares de manifestantes antirracismo reuniram-se no centro de Paris, neste sábado (13), para denunciar a violência policial, mantendo a onda de indignação que tomou o mundo após o assassinato de um homem negro por um policial branco, nos Estados Unidos. George Floyd tinha 46 anos de idade.

A polícia francesa usou bombas de gás para impedir que os manifestantes marchassem pelo centro de Paris. A questão racial despertada pela morte de Floyd ressoou na França, especialmente nos subúrbios da cidade, onde grupos de direitos humanos afirmam dizem que há tratamento violento da polícia francesa contra moradores, em especial, com imigrantes é grande.

Um cartaz carregado pela multidão na Praça da República dizia: “Espero que não seja morto por ser negro hoje”. Outro carregava uma mensagem para o governo: “Se você semear injustiça, colherá revolta”.

Assa Traoré, irmã de Adama Traoré, 24 anos, que morreu perto de Paris, em 2016, após a polícia detê-lo, discursou à multidão. “A morte de George Floyd ecoa com força na morte do meu irmãozinho na França”, disse. “O que está acontecendo nos Estados Unidos acontece na França. Nossos irmãos estão morrendo”.

A família de Traoré afirma que ele foi asfixiado quando três policiais prenderam-no no chão com o peso dos seus corpos. As autoridades afirmam que a causa da morte não está clara.

O ministro do Interior, Christophe Castaner, disse nesta semana que reconhece que há “suspeitas comprovadas de racismo” nas agências policiais da França.

Protestos também ocorreram em outros países neste sábado, incluindo em diversas cidades australianas, Taipé, Zurique e Londres.

Estátuas de figuras históricas, incluindo Winston Churchill ―líder britânico na Segunda Guerra Mundial que os manifestantes chamam de xenófobo― foram protegidas para tentar minimizar os tumultos.

Na Trafalgar Square, a polícia separou dois grupos de aproximadamente 100 pessoas cada, um cantando “Black Lives Matter” e o outro ofensas racistas. Alguns grupos empurraram, jogara garrafas e latas e dispararam fogos de artifício, enquanto a polícia, com cachorro e cavalos, alinhava-se.

BEN STANSALL via Getty Images
Uma almofada com um retrato do ex-primeiro-ministro Winston Churchill é vista no revestimento de sua estátua enquanto membros de grupos de extrema direita se reúnem na Parliament Square, centro de Londres em 13 de junho de 2020.

Manifestações têm ocorrido ao redor do mundo depois da morte de George Floyd em Mineápolis, um homem negro de 46 anos, após um policial branco ajoelhar-se em seu pescoço durante quase nove minutos.

No Reino Unido, o debate está forte em relação a monumentos de pessoas envolvidas no passado imperialista do país, especialmente depois que a estátua do comerciante de escravos Edward Colston foi derrubada e atirada do porto de Bristol, no fim de semana passado.

A polícia afirmou, neste sábado, que algumas pessoas estavam levando armas aos protestos de Londres. Eles impuseram restrições de rotas aos dois grupos e disseram que as manifestações precisavam terminar até as 17h.