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26/05/2019 18:32 -03 | Atualizado 26/05/2019 20:51 -03

Manifestações pró-Bolsonaro são oportunidade para mudar o Brasil, diz manifestante

Passeata pró-Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo, é marcada por ataques ao ‘toma lá, dá cá’, ao centrão e ao STF. Manifestantes defendem Moro e Paulo Guedes.

Grasielle Castro/Huffpost Brasil
"Siga firme, mito", diz cartaz de Vanete Martes, em defesa do governo Bolsonaro. 

A esperança por um Brasil governado para brasileiros foi o que tirou a funcionária pública Vanete Martes, 55 anos, de casa neste domingo (26) a levou para a Avenida Paulista, em São Paulo. Com uma camiseta amarela e um cartaz no qual pedia um Brasil melhor para seu neto e seus sobrinhos, ela se uniu à multidão que tentou se contrapor aos protestos de 15 de maio, organizada por manifestantes insatisfeitos com os cortes na educação.

Ao HuffPost, a Vó Neste afirmou que está decepcionada com o Congresso antigo e com o que entrou. Ela reconhece que muitos são novatos, mas diz que as velhas práticas ainda dominam a Câmara e o Senado e isso precisa mudar. “Vim porque vejo uma oportunidade única de mudar o País. Oportunidade de tirar a corrupção, o toma lá, dá cá.”

Vim porque vejo uma oportunidade única de mudar o País. Oportunidade de tirar a corrupção, o toma lá, dá cáVanete Martes, funcionária pública

A funcionária pública que votou no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, duas vezes, se diz arrependida. “Foi muita decepção. Dei um voto de confiança mais de uma vez. Depois não deu mais. Não quero ter bandido de estimação.” Questionada se é a favor das reformas, ela responde de imediato: “Do jeito que as coisas estavam e estão, não dá. A vida do brasileiro desse jeito não dá”.

O desejo por mudança também foi o que motivou Reginaldo Barbosa, 56 anos, a sair às ruas pela 4ª vez em defesa de Bolsonaro. O comerciante — quase falindo, como ele ressalta —  diz que não aguenta mais a corrupção. “O País está parado por causa do toma lá, dá cá. Os do contra deveriam deixar aquele que assumiu de fato fazer o que os 58 milhões de brasileiros colocaram fé.”

Na opinião dele, o presidente está de mãos atadas, por isso é difícil fazer uma avaliação sobre os primeiros meses de governo. Ele acredita que há benfeitorias que a imprensa não divulga. “Estou confiante”, disse. Em seguida, emendou: “ainda”. “É um período muito delicado, mas com fé, nós vamos passar.”

Estou confiante — aindaReginaldo Barbosa, comerciante
Grasielle Castro/HuffPost Brasil
Para Reginaldo Barbosa, o País está parado por causa do 'toma lá, dá cá'. 

Embora haja muito debate sobre a atuação dos congressistas, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) também não foram poupados. Cartazes ironizavam a compra de lagostas e vinhos importados pela Corte. Ironizavam também as queixas em relação ao suposto uso de robôs na campanha de Bolsonaro. Do alto dos carros de som, os organizadores diziam que nunca tinham vistos tantos robôs por metro quadrado.

Cartazes também enalteciam os ministros da Justiça, Sergio Moro, e da Economia, Paulo Guedes, e endossavam as reformas e propostas que o presidente está com dificuldade de fazer tramitar no Congresso. Mensagens em defesa reforma da Previdência, reforma tributária, do pacote anticrime e da medida provisória que reduz o número de ministérios faziam parte do cenário da manifestação.

Alguns cartazes eram confeccionados na hora. O eletricista André Pires, 39 anos, teve a ideia de aproveitar a ocasião para protestar e ganhar dinheiro. Por R$ 5, era possível levar algum dos cartazes com dizeres prontos, como “menos estado, mais privado. Privatiza tudo” ou personalizar a mensagem.

Para ele, o momento que o Brasil está passando é único. “É preciso passar as reformas estruturantes. A liberdade econômica vai dar um up para o País fora de série. Infelizmente, nosso Estado é muito gigante”, disse.

É preciso passar as reformas estruturantes. A liberdade econômica vai dar um up para o País fora de sérieAndré Pires, eletricista
Grasielle Castro/HuffPost Brasil
André Pires aproveitou o ato para vender cartazes e defender um estado mínimo.

 A polícia militar não divulgou o público estimado, mas a manifestação ocupou 7 quadras da Paulista, com maior concentração em 3 delas. 

 

Atos ao redor do País

Nos 26 estados e no DF, brasileiros, como André, Reginaldo e Vante, saíram às ruas em uma manifestação impulsionada pelo presidente Jair Bolsonaro. No Twitter, o presidente publicou fotos e vídeos do protestos e criticou aqueles que foram aos atos pedir o fechamento do Congresso.

“Há alguns dias atrás, fui claro ao dizer que quem estivesse pedindo o fechamento do Congresso ou STF hoje estaria na manifestação errada. A população mostrou isso. Sua grande maioria foi às ruas com pautas legítimas e democráticas, mas há quem ainda insista em distorcer os fatos”, disse. 

Na rede social, ele também enalteceu o caráter pacífico dos atos. Disse que o país “caminha cada vez mais para o amadurecimento de sua democracia, com representantes sensíveis aos anseios da sociedade”.  

Grupos que tradicionalmente apoiavam manifestações contra o PT e favoráveis a Bolsonaro como o MBL e o Vem Pra Rua não aderiram aos protestos deste domingo.