Como as manicures reabriram nos EUA depois do lockdown

Mostramos como os salões de beleza estão reabrindo com muitas medidas de segurança em algumas cidades dos Estados Unidos.

Depois de semanas de isolamento, voltar ao salão para fazer as unhas promete devolver um pouco de normalidade às nossas vidas. Mas, com a possível reabertura desse tipo de serviço, os salões precisam se preparar para funcionar de maneira muito diferente.

É cedo demais para fazer as unhas? Depende, diz Saskia Popescu, especialista em prevenção de infecções da George Mason University.

“Como as manicures são um dos ambientes de maior risco, por causa do contato cara a cara por um período prolongado e num espaço pequeno e fechado, as medidas de segurança serão críticas”, afirma ela.

A transmissão generalizada do vírus, um sistema de saúde sobrecarregado e testes limitados são todos motivos pelos quais é necessário ter cautela, afirma a médica.

“É importante ser vigilante no controle de infecções, e essas medidas costumam estar sujeitas a erros humanos. Portanto, os empresários precisam ter o cuidado de seguir diretrizes rigorosas e também aplicá-las aos clientes”, diz Popescu.

Em preparação para maior reabertura nos EUA, muitos salões estão adotando novos protocolos rígidos de segurança, às vezes além das exigências dos governos locais. Mostramos aqui como foi a preparação para a retomada do atendimento e os protocolos de segurança em alguns lugares.

Manicure atende cliente protegida por uma tela de acrílico no Nails and Spa Salon, em Miramar, Flórida, no fim de maio.
Manicure atende cliente protegida por uma tela de acrílico no Nails and Spa Salon, em Miramar, Flórida, no fim de maio.

Em Miami, um dos epicentros do coronavírus na Flórida, salões de unhas como o Mano voltaram a atender em 18 de maio. No Mano, as clientes têm de lavar as mãos com água e sabão e depois usar álcool gel, diz a proprietária, Monique Magnaye.

Todos dentro do salão devem usar máscara. Telas de acrílico foram instaladas para separar as clientes e as manicures, e cada estação fica a 2 metros de distância da próxima. A área de espera agora fica do lado de fora. E, é claro, todas as superfícies de muito contato são desinfetadas várias vezes por dia.

“É importante ser vigilante no controle de infecções, e essas medidas costumam estar sujeitas a erros humanos. Portanto, os empresários precisam ter o cuidado de seguir diretrizes rigorosas e também aplicá-las aos clientes.”

- - Saskia Popescu, especialista em prevenção de infecções da George Mason University

“As clientes responderam muito bem. Praticamente todo mundo vem de máscara e a mantém no rosto”, afirma Magnaye. “Acho que elas apreciam nossos esforços e sabem que sua cooperação manterá tudo funcionando sem problemas. Todos se sentem seguros.”

Na Geórgia, onde os negócios começaram a reabrir apesar do aumento nos casos diários de covid-19, diversos salões foram pegos de surpresa.

“Ficamos surpresos com a decisão do governador [Brian] Kemp de reabrir salões em 24 de abril”, disse a dona de um salão de beleza de Atlanta, que não quis ser identificada. Ela afirma que só voltou a operar depois de implementar os sistemas adequados para manter a equipe e os clientes em segurança.

Depois de reaberto o negócio, todas as atividades foram guiadas pelas recomendações do Conselho Estadual de Cosmetólogos e Barbeiros do estado. Todos no salão devem usar máscaras, os clientes devem lavar as mãos antes de tocar nas superfícies e também precisam responder um questionário sobre sua saúde.

Mas algumas das restrições já foram relaxadas. “Aceitamos algumas clientes sem hora marcada, mas mantemos o mesmo nível de segurança”, afirma a proprietária.

O salão trabalha com uma equipe reduzida. “Atualmente, nos dias de maior movimento, temos 8 manicures; nos dias normais, são 5, em média. Antes da pandemia, chegávamos a ter 13 ou 14.”

Na Califórnia ― onde o primeiro caso de propagação comunitária do coronavírus ocorreu num salão de beleza, segundo o governador Gavin Newsom ― ainda não há uma data definida para a reabertura dos salões. Mas, quando chegar o dia, Kristin Gyimah, do Dime Nails, em Los Angeles, diz que estará pronta.

“Já estamos nos preparando. Treinamos nossa equipe antes da reabertura para evitar erros e confusão”, afirma ela. “Vai ser um desafio incluir na rotina algumas medidas de segurança necessárias, mas o treinamento e diretrizes claras garantirão que tudo seja executado de maneira consistente e correta.”

Gyimah diz que já instalou telas de acrílico na recepção e em todas as estações das manicures. Ela também escreveu um manual de medidas de segurança para as funcionárias e um guia de treinamento, que inclui como ajudar os clientes a procurar as cores de esmalte sem tocar nos vidros, como medir a temperatura dos funcionários e como usar equipamentos de proteção pessoal, como máscaras (que são trocadas uma vez por dia).

A manicure Jimmie atende uma cliente no salão Nails and Spa, em Miramar, Flórida, 20 de maio de 2020.
A manicure Jimmie atende uma cliente no salão Nails and Spa, em Miramar, Flórida, 20 de maio de 2020.
Duas manicures atendem clientes no salão Nails and Spa, em Miramar, Flórida, 20 de maio de 2020. Há um espaço entre as clientes para evitar o contato.
Duas manicures atendem clientes no salão Nails and Spa, em Miramar, Flórida, 20 de maio de 2020. Há um espaço entre as clientes para evitar o contato.

A grande questão continua sendo: essas medidas de segurança serão suficientes para garantir a segurança dos salões de beleza?

Popescu afirma que as estratégias são ótimas. Ela também incentiva os salões a pedir que as clientes não frequentem os estabelecimentos se estiverem doentes, tampouco levem acompanhantes.

A médica também oferece conselhos para as clientes. “Evite usar o celular enquanto estiver fazendo as unhas (a contaminação cruzada é muito fácil), informe-se de antemão sobre as medidas de higienização adotadas pelo estabelecimento e, quando estiver lá, confira se elas estão sendo seguidas à risca. Senão, é um sinal de alerta.”

Questionada se ela iria a uma manicure hoje, eis a resposta de Popescu: “No momento, não estou vendo a tendência contínua de queda nos casos do Arizona, portanto não me sinto segura para voltar a sair de casa”.

A decisão tem a ver com isso e com as medidas de segurança implementadas pelos salões. “Mas meu plano é entrar em contato com minha manicure favorita e saber quais são estratégias dela, talvez até para dar algumas sugestões.”

Dito isso, é importante lembrar que não é necessário fazer as unhas no salão. Você pode tentar fazê-las em casa, ou então tomar apenas os cuidados básicos por enquanto. Os salões abertos precisam fazer de tudo para se proteger e a seus clientes, mas qualquer interação acarreta um risco. Portanto, mantenha-se informada, tome precauções e, acima de tudo, esteja segura.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.