ENTRETENIMENTO
03/03/2019 09:26 -03 | Atualizado 03/03/2019 09:27 -03

A homenagem que Marielle Franco receberá da Mangueira na Sapucaí

♫ “Brasil, chegou a hora de ouvir as Marias Mahis, Marielles, Malês.” ♫

Montagem/Divulgação/Léo Queiroz
Mangueira discutirá o tema "História que a História Não Conta" na avenida.

Marielle Franco será lembrada na Sapucaí no Carnaval 2019.

A escola de samba Estação Primeira de Mangueira levará para a avenida, na madrugada da próxima segunda-feira (4), um samba-enredo cuja letra presta uma homenagem à vereadora do Psol assassinada a tiros há quase um ano junto com o motorista Anderson Gomes — crimes esses ainda não solucionados.

De autoria do carnavalesco Tomaz Miranda, o enredo deste ano da tradicional agremiação carioca se chama História Pra Ninar Gente Grande e tem como tema a História que a História Não Conta. Já o samba leva o título de Eu Quero Um Brasil Que Não Está No Retrato.

É no refrão que o nome da vereadora é citado:

“Brasil, chegou a hora de ouvir as Marias Mahis, Marielles, Malês.”

Escute o samba-enredo no player abaixo:

Veja a letra do samba:

“Brasil, meu nego deixa eu te contar

A história que a história não conta

O avesso do mesmo lugar

Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo a Mangueira chegou

Com versos que o livro apagou

Desde 1500, tem mais invasão do que descobrimento

Tem sangue retinto, pisado

Atrás do herói emoldurado

Mulheres, tamoios, mulatos

Eu quero o país que não tá no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara

Tua cara é de Cariri

Não veio do céu nem das mãos de Isabel

A liberdade é um Dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de Julho

Quem foi de aço nos anos de chumbo

Brasil chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles e Malês.

Mangueira, tira a poeira dos porões

Ô, abre alas

Pros seus heróis de barracões

Dos Brasis que se faz um país de Lecis, Jamelões

São verde e rosa as multidões.”

De acordo com a Folha de São Paulo, a Mangueira deve apresentar a narrativa não oficial da História do País, destacando a importância de cidadãos negros, indígenas e pobres ainda desconhecidos por parte da população brasileira.

″É pertinente neste momento político. Propor um pensamento, uma avaliação crítica da história do Brasil a partir do momento em que correntes conservadoras que hoje ocupam o poder tentam diminuir esse aspecto crítico da escola e da figura do professor”, disse Vieira à Folha.

A viúva de Marielle, Mônica Benício, deve abrir a última ala da escola, que reunirá homens e mulheres nascidos e criados em favelas brasileiras, que alcançaram prestígio em suas áreas de atuação. “

Uma musa trans na Mangueira

Pela primeira vez em 90 anos de História, a Mangueira terá uma musa trans: Patrícia Souza, de 25 anos. Nascida em São Cristóvão, na Zona Oeste do Rio, ela já desfilava na escola antes de realizar o processo de transição.

“As meninas já me conheciam, fiz a minha transição, voltei como Patrícia e fui muito bem recebida”, contou a musa ao G1. “Fico grata de não ter tido preconceito dentro da escola porque a gente fica com medo também de ter algum tipo de piada”, completou.

Presidente preso por corrupção

Em 2019, a Mangueira desfilará na Sapucaí com a imagem duplamente arranhada. Além da crise financeira - compartilhada com as outras agremiações devido ao corte de verbas para o Carnaval -, a escola também foi afetada pela Operação Furna da Onça, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Em novembro do ano passado, o presidente da escola e então deputado federal Chiquinho da Mangueira (PSC) foi preso após investigações da Polícia Federal.

Ele é suspeito de receber propinas mensais para votar de acordo com os interesses do governo de Sérgio Cabral (MDB). Os valores variavam de R$ 20 mil a R$ 100 mil. O deputado nega as acusações.