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15/04/2020 17:34 -03 | Atualizado 15/04/2020 17:58 -03

Mandetta rejeita demissão de Wanderson: 'Sairemos do ministério juntos'

Ministro da Saúde diz que cúpula do ministério continua "mais um pouco". A deputados, ele disse que sua demissão "não passa de amanhã".

Divulgação/Erasmo Gonçalves/Ministério da Saúde
João Gabbardo, Luiz Henrique Mandetta e Wanderson Oliveira: o trio que comanda o Ministério da Saúde.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, rejeitou o pedido de demissão do secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, nesta quarta-feira (15). Mais cedo, Ministério da Saúde havia confirmado que Wanderson havia pedido para sair.

“Nós entramos juntos no ministério, estamos trabalhando juntos até o momento de sairmos juntos do Ministério da Saúde”, afirmou Mandetta. “Estamos todos juntos e misturados mais um pouco”, pontuou, referindo-se não apenas a Wanderson mas também ao secretário-executivo da pasta, João Gabbardo.

O trio tem sido a cara do Ministério da Saúde no combate ao coronavírus com suas coletivas diárias com balanços da covid-19. Foi sugestão de Wanderson o uso do colete em defesa do SUS (Sistema Único de Saúde).

Na manhã desta quarta, Mandetta disse a deputados federais que “não passa de amanhã” sua demissão. Ele falou reservadamente a membros da comissão da Câmara Federal que acompanha a pandemia.

“Claramente há um descompasso entre o Ministério da Saúde [e o governo]. A gente coloca e deixa muito claro que vai trabalhar até 100% dos limites das nossas possibilidades. Enquanto eu estiver no Ministério da Saúde, vocês podem ter certeza que o povo está trabalhando lá”, afirmou Mandetta, destacando que não haverá mudança na política de isolamento social apregado por ele — e alvo de críticas do presidente.

O ministro voltou a afirmar nesta quarta que só deixa a pasta em três hipóteses: se for dispensado pelo presidente Jair Bolsonaro; se pegar o novo coronavírus; e se achar que sua missão está cumprida.

Sobre a possível substituição dele, Mandetta afirma que “o importante é que quem o presidente coloque no ministério ele confie e tenha condições para que a pessoa possa trabalhar baseado na ciência, nos números, para que a sociedade possa junto com governadores e prefeitos tomar as melhores decisões”.

Em relação às especulações de que Gabbardo pode assumir o ministério no lugar de Mandetta, o secretário-executivo foi categórico: “Aceitei o convite do ministro Mandetta [em 2018]; o dia em que ele sair, eu saio”, afirmou. Gabbardo disse que ajudará na transição do novo ministro por seu compromisso com o Ministério da Saúde, onde ingressou há 40 anos, segundo ele.

Wanderson pediu para sair

Em carta à sua equipe enviada nesta quarta, publicada na coluna da jornalista Mônica Bergamo, Wanderson Oliveira deixa claro que a demissão de Mandetta está próxima e que sua saída também é inevitável, já que está no cargo por decisão do ministro.

“Ontem [terça] tive reunião com o ministro e sua saída está programada para as próximas horas ou dias. Infelizmente não temos como precisar o momento exato. Pode ser um anúncio respeitoso diretamente para ele ou pode ser um Twitter. Só Deus para entender o que o querem fazer”, diz o texto, com clara preocupação sobre os objetivos do governo Bolsonaro com a demissão do ministro.

As declarações de Mandetta indicam que o trio Mandetta, Gabbardo e Wanderson deverá sair junto do ministério, assim que Bolsonaro encontrar um substituto para o ministro. “O médico não abandona o paciente”, vem ressaltando Mandetta, sugerindo que só deixa o ministério quando o presidente demiti-lo.