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17/03/2020 17:35 -03 | Atualizado 17/03/2020 18:12 -03

'Não adianta parar tudo e depois não ter alimento para os outros estados', diz Mandetta

Ministro da Saúde diz que restrição de circulação precisa ser decidida em conjunto com outras áreas. Balanço da pasta informa 291 casos confirmados no País.

O ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou, nesta terça-feira (17), que medidas para restringir a circulação de pessoas a fim de evitar a transmissão do novo coronavírus serão tomadas pelo comitê de crise instaurado pelo governo de Jair Bolsonaro. “Não adianta parar tudo e depois não ter alimento para os outros estados”, disse, em coletiva de imprensa.

O comitê inclui 17 ministérios, como Saúde, Justiça e Economia, além da Caixa Econômica, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social), Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

De acordo com Mandetta, decisões como bloqueios, quarentenas e limitações de ir e vir serão tomadas em conjunto. “São medidas que quando adotadas afetam agricultura, segurança, logística nacional, uma série de outros ministérios que têm de fazer parte desse tipo de solução”, disse.

Governadores já têm adotado algumas ações para limitar a circulação de pessoas. A expectativa é de que elas se ampliem em abril e maio, segundo o ministro.

O tema tem sido discutido com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. “Devemos ter muito cuidado com medidas restritivas que possam interromper abastecimento de grandes eixos”, afirmou Mandetta. “São Paulo é um grande produtor, um grande canal”, completou.

Mais cedo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrou medidas mais rígidas do Executivo. “Acho que o governo já deveria ter fechado as fronteiras. Acho que já deveria ter restringido os voos internacionais e já deveria ter restringido a circulação das pessoas, principalmente nos estados, onde a projeção é de problemas maiores, como no estado do Rio e no estado de São Paulo. Mas estas posições são comandadas pelo Poder Executivo”, disse a jornalistas. 

Adriano Machado / Reuters
"Não temos nenhum país do mundo com um sistema de saúde preparado para ser, em massa, acionado para testes, diagnóstico, equipamento para internações hospitalares e internações de leitos de CTI", afirmou ministro da saúde.

 

Primeira morte pela covid-19

O ministro da saúde chamou atenção para o número de contaminados pelo novo coronavírus até a primeira morte provocada pela doença covid-19. Nesta terça, o governo de São Paulo confirmou o primeiro óbito provocado pelo vírus no estado e também no Brasil.

A vítima é um morador de São Paulo, de 62 anos, que tinha como comorbidade diabetes e hipertensão. Ele começou a sentir os sintomas no dia 10, foi internado dia 14 e faleceu no dia 16. Não tinha histórico de viagem.  

“Chegamos a 400 casos [de contaminados] sem nenhum óbito e tivemos o primeiro. Podemos ter 6 óbitos amanhã. Não temos condições de dizer a letalidade, mas é interessante a primeira impressão de 400 casos confirmados para o primeiro óbito. O Brasil é um país jovem. Vamos ver como isso funciona. Lembrando que temos muito o que aprender ainda sobre o comportamento desse vírus”, afirmou Mandetta.

O número de casos confirmados pelo Ministério da Saúde até as 16h desta terça era de 291, mas devido ao horário em que o balanço é fechado, ficam de fora notificações mais recentes feitas pelos estados.

De acordo com a pasta, até o momento, só há transmissão comunitária do vírus nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, que representam 9% do total. Em Sergipe e no Distrito Federal estão sendo feitas investigações nesse sentido. A transmissão comunitária, ou sustentada, acontece quando não é possível relacionar o paciente a um contato contaminado no exterior.

O ministro destacou que entre 80% e 85% dos infectados não devem precisar de internação, apenas orientações e uso de antitérmicos de uso pessoal, como paracetamol e dipirona. Ações para telemedicina estão sendo estudadas.

O objetivo é não sobrecarregar os hospitais, que irão atender casos graves. “É uma doença que tem abalado os sistemas de saúde do mundo inteiro. Não temos nenhum país do mundo com um sistema de saúde preparado para ser, em massa, acionado para testes, diagnóstico, equipamento para internações hospitalares e internações de leitos de CTI. Estamos vendo países de primeiro mundo terem colapso”, afirmou Mandetta.

De acordo com o ministro, até o o fim de semana, cerca de 200 leitos extras de CIT devem estar instalados nos estados. Nesta terça, foram liberados 80 para São Paulo, 40 para o Rio, 30 para Rio Grande do Sul e 50 para Minas Gerias. Na próxima semana, serão liberadas outras 340 unidades. Também estão sendo repassados recursos por estados a depender da população. O valor é de R$ 2 por habitante. Para São Paulo, foram quase R$ 100 milhões.