NOTÍCIAS
31/03/2020 18:37 -03 | Atualizado 31/03/2020 19:14 -03

Mandetta volta a defender isolamento social ao comentar recomendação da OMS

Diretor da organização pediu que países pensassem em políticas voltadas para os mais pobres na pandemia de covid-19.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltou a recomendar nesta quarta-feira (31) que as pessoas obedeçam ao isolamento social, conforme determinado pelos governos estaduais, a fim de conter a pandemia do novo coronavírus. Ele afirmou que não há mudanças previstas no momento e ressaltou a importância de respostas econômicas de socorro a populações mais vulneráveis.

Em coletiva de imprensa, ao ser questionado sobre recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) em relação à população de baixa renda, Mandetta afirmou que não seriam adotadas flexibilizações sobre a circulação de pessoas no momento. “Não vamos fazer medidas arriscadas para nosso povo enquanto não tivermos condições de trabalho”, disse, em referência a medidas de socorro a trabalhadores informais e pessoas de baixa renda, em elaboração pelo Executivo e pelo Legislativo.

Nesta segunda-feira (30), o Senado aprovou o auxílio emergencial de R$ 600 para trabalhadores informais de baixa renda. O valor pode checar a R$ 1.200, no caso de mulheres chefes de família. A medida precisa ser sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro e, posteriormente, regulada pelo Executivo.

Em comunicado nesta segunda, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu que países pensassem em políticas voltadas para os mais pobres na pandemia. “Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS”, disse.

Contrário ao isolamento, o presidente Jair Bolsonaro deturpou a frase para justificar seu ponto de vista e defender a retomada das atividades econômicas.

Ao responder sobre ações para comunidades, Mandetta ressaltou a necessidade de adaptar à realidade local. “Nós conhecemos a Rocinha. Nós conhecemos Paraisópolis (…) Se o Brasil não faz uma receita de bolo do Amapá ao Rio Grande do Sul, imagina a OMS fazer uma receita de bolo para o mundo?”, questionou.

O titular da Saúde reforçou o tom conciliador e citou trechos de uma música de Paulinho da Viola, ao se referir a possíveis ajustes sobre o isolamento. “Faça como um velho marinheiro / Que durante o nevoeiro /Leva o barco devagar”, recitou Mandetta.

Ainda sobre o isolamento, o ministro ressaltou que a parcela mais jovem da população irá adquirir imunidade e ser assintomática, porém, por outro lado, são os que mais transmitem o vírus. Por isso, podem colocar em risco os grupos mais frágeis, que incluem pessoas acima de 60 anos. “A luta é grande. É uma luta de fôlego. Vamos ter de ter muita resiliência, muita paciência”, disse.

Isac Nóbrega/PR
O titular da Saúde reforçou o tom conciliador e citou trechos de uma música de Paulinho da Viola, ao se referir a possíveis ajustes sobre o isolamento. “Faça como um velho marinheiro / Que durante o nevoeiro /Leva o barco devagar”, recitou Mandetta.  

Equipamentos para saúde

Quanto a equipamentos no sistema de saúde, o ministro anunciou que foi fechado, na noite de noite, um contrato para aquisição de 300 milhões de EPIs (Equipamento de Proteção Individual, como máscaras para profissionais de saúde). O prazo é que o material chegue em até 30 dias ao Brasil e seja capaz de abastecer o País por 60 dias. De acordo com Mandetta, também está em estudo o uso de máscaras feitas de TNT.

Sobre a falta de ventiladores e respiradores para atender a todos os casos graves da covid-19, Mandetta disse que a pasta está prestes a anunciar uma solução “muito robusta”, mas que ainda precisa de amadurecimento.

O número de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil chegou a 5.717, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta segunda. O número de mortes é de 201. A taxa de letalidade é de 3,5%.

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, 500 mil unidades de testes rápidos chegaram ao Brasil. É o primeiro lote de um total de 5 milhões adquiridos pela Vale e doados ao governo federal. Eles serão usados em profissionais da saúde e em agentes de segurança, como policiais, bombeiros e guardas civis que estejam com sintomas da covid-19.