ENTRETENIMENTO
17/10/2019 03:00 -03 | Atualizado 17/10/2019 18:55 -03

O maior mal de 'Malévola: Dona do Mal' é o próprio filme

Primeira sequência de um live-action Disney não faz o menor sentido.

Com Malévola: Dona do Mal, que estreia nesta quinta-feira (17) nos cinemas brasileiros, a Disney inventou uma nova categoria de filme. Se o primeiro Malévola (2014) era um spin-off em live-action da clássica animação A Bela Adormecida (1959) que se apoiava exclusivamente no poder da estrela Angelina Jolie, sua continuação é o subproduto do subproduto. E sem o destaque de Jolie. 

É claro que é irresistível para qualquer grande estúdio de Hollywood não pensar em uma sequência quando o primeiro filme vai tão bem na bilheteria. Justo. Mas é um grande mistério a razão pela qual Jolie, a alma da “franquia”, fica bons minutos da trama fora da tela.

Talvez por estar envergonhada de uma sequência que não faz o menor sentido - Malévola não era boazinha, afinal? - e com uma nova e ridícula “mitologia” criada para dar à sua personagem uma motivação. Malévola não é um ser único, mas parte de uma tribo de seres chifrudos com asas. Os “Malévolos”? É a solução de roteiro mais esdrúxula dos últimos tempos. E olha que estamos falando de uma obra de pura fantasia.

Ao que parece, os roteiristas e o diretor Joachim Rønning (do também péssimo Piratas do Caribe - A Vingança de Salazar) se inspiraram na última temporada de Game of Thrones. Tudo em Malévola: Dona do Mal parece ter sido feito às pressas para cumprir um cronograma. A história é simplista e cheia de remendos. As cenas de ação são confusas, desconexas.

Divulgação
Dona do mal? Mas a Malévola não era boazinha afinal?

A trama se passa cinco anos após Aurora (Elle Fanning) despertar de seu sono. Ela é a rainha dos Moors, seres mágicos que não são bem compreendidos pelos humanos do reino de Ulsted. Mas ela é pedida em casamento pelo Príncipe Phillip (Harris Dickinson), e para que a união dê certo, eles precisam convencer os desconfiados súditos de Ulsted e a irredutível e temida Malévola, madrinha de Aurora. 

O acordo de paz seria selado em um jantar com o Rei John (Robert Lindsay) e a Rainha Ingrith (Michelle Pfeiffer) no castelo de Ulsted, mas o rei é enfeitiçado e todos acusam Malévola, que ao fugir é ferida e resgatada por seres que serão muito importantes para Malévola conhecer suas raízes.

Divulgação
Rainha Ingrith só serve para dar aquela saudade da Mulher Gato.

Malévola: Dona do Mal é muito mais um filme de Pfeiffer que Jolie. E isso é só mais um dos graves erros da produção. Seu personagem é previsível e caricato como um vilão um desenho animado genérico. Que saudade dos tempos de Mulher Gato… Outra personagens que ganha mais destaque que Malévola é a chatíssima Aurora.

Mas como dizem por aí: Há males que vêm para o bem. Quem sabe Malévola: Dona do Mal pode ser o começo do fim dessa fórmula dos live-actions da Disney que, convenhamos, já deu tudo o que tinha que dar. 

É verdade que há outros títulos já garantidos, como A Pequena Sereia, A Dama e o Vagabundo e Mulan, mas ao mesmo tempo que um grande estúdio de Hollywood não resiste a prolongação de um sucesso ad eternum, não tem a menor cerimônia em abandonar projetos ao primeiro sinal de prejuízo.