POLÍTICA
22/01/2019 20:18 -02 | Atualizado 22/01/2019 20:19 -02

Major Olímpio e Simone Tebet x Renan Calheiros na disputa no Senado

Senador do partido do presidente nega que investigações de Flávio Bolsonaro vão atrapalhar propostas do governo.

Montagem/Reprodução/Facebook/Agência Senado

Integrante do partido do presidente Jair Bolsonaro, o senador Major Olímpio(PSL-SP) uniu forças com Simone Tebet (MDB-MS) para derrotar Renan Calheiros (MDB-AL) na disputa pela presidência do Senado Federal. Ele diz que pode abrir mão da própria candidatura caso a emedebista se fortaleça até 1º de fevereiro, data da disputa.

“Sou candidato, mas desde o princípio nós estamos conversando com as candidaturas colocadas para ter uma candidatura que pudesse fazer frente à candidatura de Renan”, afirmou Major Olímpio a jornalistas nesta terça-feira (22). O objetivo é reduzir os nomes e juntar forças em torno de quem tenha maior potencial de vitória.

O senador admitiu sair de cena se Tebet se fortalecer e diz esperar a mesma conduta da colega. “Se meu nome for mais viável, espero o apoiamento dela”, afirmou. A bancada do MDB vota na próxima terça-feira (29) quem será o candidato. Nos bastidores, Renan ainda é visto como favorito e Tebet prometeu se lançar ainda que seja uma candidatura independente, sem apoio do partido.

O plano inicial do MDB era esperar até a véspera da eleição para indicar apenas um nome, mas Tebet, que lidera a bancada, mudou de ideia na última segunda-feira (21). “Devemos absorver o recado das urnas, que clamou por renovação na política e, consequentemente, no Senado”, disse, em nota após comunicar sua intenção na disputa ao presidente da sigla, Romero Jucá.

A assessoria de Jucá, por sua vez, divulgou nota negando que a candidatura divida a legenda.

Em busca do comando do Senado pela quinta vez, Renan ainda não se apresentou oficialmente como candidato e chegou a negar que irá concorrer.

Nos últimos tempos, por outro lado, o parlamentar tem tentado reverter a imagem ligada à velha política e buscado uma aproximação com o novo governo. Nesta semana, ele irá se reunir com o ministro da Economia, Paulo Guedes, pela segunda vez.

Apesar da aproximação com Tebet, o PSL também tem conversado com outros candidatos, como Davi Alcolumbre (DEM-AP). Conta contra ele, contudo, o fato de o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) ser o favorito na disputa para presidência da Câmara. O entendimento é que os parlamentares não aceitariam que os Democratas comandassem as duas casas.

Major Olímpio diz que é candidato do PSL, mas não do governo e criticou a atuação do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, em favor de Alcolumbre.

“Cada um esperneia como quer. Governo tem que ser governo. Disputas partidárias podem atrapalhar o governo”, criticou. Enquanto, no Senado, o PSL tem candidato próprio, na Câmara, a bancada decidiu apoiar Rodrigo Maia.

 

Flávio Bolsonaro

Questionado sobre o possível impacto das investigações envolvendo o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, Olímpio disse não acreditar que será aberto um processo no Conselho de Ética. Ele também minimizou influência nas votações. “Estão bem distintas as coisas. As necessidade da população são tão maiores e expectativas tão maiores, e em nada vai atrapalhar o governo nesse momento”, disse.

Flávio Bolsonaro é investigado, na esfera cível, na Justiça do Rio. Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou depósitos suspeitos na conta do parlamentar que somam R$ 96 mil, além de um pagamento de R$ 1 milhão de um título bancário da Caixa Econômica Federal.