Desabafo de Maisa nos lembra que suicídio nunca deve ser motivo de brincadeira

Aliás, é muito importante falar sempre sobre depressão e prevenção do suicídio.

Nesta madrugada de segunda para terça-feira (14), às 2h43, a apresentadora e atriz Maisa Silva usou seu perfil no Twitter pra fazer um desabafo sobre mensagens de apologia a suicídio que estava recebendo: “2 da manhã e tão mandando eu me matar”.

Não ficou claro se os comentários chegaram em mensagens privadas, em posts públicos ou por outros meios. Para surpresa de ninguém, depois deste tuíte ela recebeu respostas que debochavam da situação.

Porém, como tem muita gente boa por aí, ela também recebeu centenas de mensagens de apoio de seus seguidores, incluindo da influenciadora Dora Figueiredo:

Dois minutos depois do primeiro tuíte, Maisa fez um novo desabafo e ainda deixou um sério alerta:

Usando seu alcance de mais de 7 milhões e meio de seguidores, a apresentadora fez uma reflexão muito importante sobre o impacto que uma mensagem como essa pode ter na vida de uma pessoa que já tem depressão ou mesmo pensamentos suicidas.

Vamos lembrar aqui que na última década dobrou o número de jovens com pensamentos suicidas.

É o que mostrou uma pesquisa realizada nos Estados Unidos entre 2007 e 2015. As visitas de emergências feitas em hospitais norte-americanos com pacientes de 5 a 18 anos com pensamentos suicidas e tentativas de suicídio subiram de 580.000 para o assustador número de 1,12 milhão de jovens.

Imagine a possibilidade de haver muitos casos não notificados e teremos um número muito maior e mais assustador. Leia mais nesta reportagem.

E, pra tudo ficar ainda pior, os jovens brasileiros quase não conversam sobre depressão. A pesquisa Depressão, suicídio e tabu no Brasil: Um novo olhar sobre a Saúde Mental, realizada pelo Ibope Conecta, mostrou este e outros problemas. Um dos números mais chocantes: 39% dos adolescentes de 13 a 17 anos afirmam que não se sentiriam à vontade em compartilhar com a família um diagnóstico de depressão. Leia mais sobre a pesquisa nesta reportagem.

Por isso é muito grave mandar, pra qualquer pessoa, mensagens como a que a Maisa recebeu.

Maisa ensina por que não se deve brincar com suicídio.
Maisa ensina por que não se deve brincar com suicídio.

Apesar de tudo, e talvez sem perceber, a apresentadora fez algo necessário: chamar a atenção para o assunto, coisa que as pessoas que enfrentam este problema pouco fazem.

É o que nos explicou a psicanalista Soraya Carvalho em outro texto aqui do HuffPost: “Conversar abertamente sobre suicídio é importantíssimo e pode ajudar muito aqueles que estão em grande sofrimento psíquico e vendo a morte como uma alternativa para dar um basta ao seu sofrimento”.

Sempre lembrando a importância de um contato especializado no assunto: “O ideal é que a pessoa seja escutada por um profissional especialista no assunto ou por voluntários do CVV, que recebem treinamento para abordar pessoas em risco de suicídio”.

“A família, um amigo ou um professor podem ajudar muito sem que tenham um preparo especial para lidar com tal assunto, desde que sigam algumas recomendações básicas e fundamentais.”

E pra finalizar, vamos lembrar que também estamos falando de um crime.

Como bem disse uma seguidora da apresentadora, é crime induzir ou instigar o suicídio, de acordo com o artigo 122 do Código Penal brasileiro com prisão que pode variar de 1 a 6 anos (consulte aqui).

Caso você — ou alguém que você conheça — precise de ajuda, ligue 188, para o CVV - Centro de Valorização da Vida, ou acesse o site. O atendimento é gratuito, sigiloso e não é preciso se identificar. O movimento Conte Comigo oferece informações para lidar com a depressão. No exterior, consulte o site da Associação Internacional para Prevenção do Suicídio para acessar uma base de dados com redes de apoio disponíveis.