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05/10/2019 16:00 -03

'Óbvio que o Michel operou o processo de impeachment', diz Rodrigo Maia

Presidente da Câmara disse também que poderia ter sido presidente no lugar de Temer, se quisesse.

EVARISTO SA via Getty Images
Presidente da Câmara disse também que poderia ter sido presidente no lugar de Temer, se quisesse.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou neste sábado (5) que o ex-presidente Michel Temer (MDB) trabalhou pelo impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. ”É óbvio que o Michel operou o processo de impeachment politicamente”, disse no Festival Piauí de Jornalismo, em São Paulo (SP).

De acordo com o democrata, o emedebista errou nessa articulação. “Acho que ele errou porque a Dilma ia cair de qualquer jeito diante de todas as situações de governar. Mas você organizar o processo de alguma forma sinalizando espaço eu acho que te limita um momento de necessidade de reformar o Brasil”, disse.

Ao negar que trabalho pela saída de Dilma, Temer usou o termo “golpe, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, exibida em setembro. “O pessoal dizia ‘o Temer é golpista’ e que eu teria apoiado o golpe. Diferente disso, eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe”,  disse o ex-presidente. O emedebista afirmou ainda que não imaginava que viraria presidente por essas vias”.

Sobre as possibilidades de queda de Temer durante o governo do emedebista, Maia defendeu sua decisão de não aceitar os pedidos de impeachment contra o então presidente. “Fui responsável por não derrubar o Temer. Não seria razoável. Não tive medo, ao contrário. Continuo fazendo a mesma coisa, presidindo a Câmara e impondo os limites entre o Legislativo e o Executivo”, afirmou. “Eu acho que eu fiz o contrário mostra que as ambições pessoais não podem estar acima do cargo que ocupava”, completou.

Ao negar ser uma espécie de primeiro ministro do governo de Jair Bolsonaro, o presidente da Câmara negou ter ambições de chegar ao Palácio do Planalto por vias indiretas. “Se eu quisesse ter sido presidente da República, teria sido no lugar do Michel”, afirmou.

Caso Temer perdesse o comando do Executivo nos dois anos finais do mandato, Maia assumiria o cargo em caráter provisório e teria de convocaria  eleições indiretas imediatamente, conforme a Constituição.

Em agosto de 2017 a Câmara rejeitou denúncia contra Temer no âmbito da Operação Lava Jato. Em outubro, os deputados rejeitaram uma segunda denúncia contra o emedebista, também decorrente da delação de empresários da JBS.

Sobre a disputa presidencial de 2022, o democrata disse que não faz questão de integrar uma chapa mas que quer contribuir para a formação de um governo de centro. “Meu perfil inicial não é de candidato majoritário, mas tenho uma boa condição de ajudar”, disse. Ele fez acenos tanto a uma possível candidatura do apresentador Luciano Huck quanto do governador de São Paulo, João Doria.

Maia critica cota para mulheres na política

O presidente da Câmara também minimizou o indiciamento do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, acusado de operar um esquema de candidaturas laranjas. De acordo com Maia, a regra de destinar 30% do Fundo Eleitoral para candidaturas femininas, estabelecida em 2018 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) “ainda vai dar muito problema” e cada caso tem de ser avaliado individualmente.

O percentual decidido pelo TSE tem como base o número previsto na Lei das Eleições, que estabelece que um partido tem de reservar pelo menos 30% das vagas eleitorais para um dos gêneros.

Presidente do PSL de Minas Gerais durante a eleição de 2018, Marcelo Álvaro Antônio é investigado por usar mulheres como candidatas laranja para cumprir essa cota na disputa de cadeiras na Assembleia Legislativa de Minas no ano passado. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, de R$ 279 mil repassados pelo PSL a 4 candidaturas femininas, ao menos R$ 85 mil foram destinados a 4 empresas de pessoas ligadas ao ministro do Turismo.

Nesta semana, a Polícia Federal indiciou o ministro do Turismo e o Ministério Público estadual de Minas Gerais ofereceu denúncia contra o integrante do primeiro escalão do governo Bolsonaro. Caberá à Justiça decidir se acata ou não a denúncia contra o ministro. Se isso ocorrer, ele vira réu e vai responder a um processo criminal no qual poderá ser condenado ou absolvido.

Mesmo com o avanço das investigações, o presidente decidiu manter o ministro no cargo. Marcelo Álvaro Antonio nega as acusações.