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26/02/2020 13:45 -03 | Atualizado 26/02/2020 17:17 -03

Maia critica tensão e pede 'respeito às instituições democráticas'

Presidente da Câmara é um dos principais alvos das manifestações convocadas por bolsonaristas para 15 de março.

EVARISTO SA via Getty Images
Presidente da Câmara é um dos principais alvos dos protestos convocados por bolsonaristas para 15 de março

Um dos principais alvos das manifestações convocadas para o dia 15 de março, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), usou o seu Twitter no início da tarde desta quarta-feira (26) para criticar de forma indireta Jair Bolsonaro por seu apoio ao ato. 

“Somos nós, autoridades, que temos de dar o exemplo de respeito às instituições e à ordem constitucional”, afirmou o deputado, que continuou em seguida: “Acima de tudo e de todos está o respeito às instituições democráticas.”

No fim da tarde, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, também se manifestou, por nota, repudiando o “clima de disputa permanente”.

“Sociedades livres e desenvolvidas nunca prescindiram de instituições sólidas para manter a sua integridade. Não existe democracia sem um Parlamento atuante, um Judiciário independente e um Executivo já legitimado pelo voto. O Brasil não pode conviver com um clima de disputa permanente. É preciso paz para construir o futuro. A convivência harmônica entre todos é o que constrói uma grande nação”.

Polêmica

Bolsonaro compartilhou ao menos dois vídeos pelo WhatsApp em que há convocação para os atos do dia 15. Em um deles, revelado pela colunista Vera Magalhães, há imagens de quando o mandatário foi alvo de uma facada, em dezembro de 2018, e de sua recuperação em seguida. 

Seguem-se diversas mensagens, como “ele foi chamado a lutar por nós”, “ele comprou briga por nós”, “ele desafiou os poderosos por nós”, “ele quase morreu por nós”, além de menções de que ele é vítima de calúnias e enfrenta a esquerda. Por fim, a convocação para a manifestação: “Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil”. 

O outro, confirmado pela Folha de S.Paulo, tem imagens de manifestações em frente ao Congresso, e já começa com a fala: “o que esperar do futuro se não tomarmos de volta o nosso Brasil?”. 

Em nenhum dos dois fala-se diretamente sobre ataques ao Congresso e aos demais dos Poderes. Contudo, nas redes circulam diversas postagens de grupos bolsonaristas com esse tom. 

Mais cedo, o presidente usou suas redes sociais para responder as críticas que vem recebendo e disse que os vídeos compartilhados tratam-se de “troca de mensagens de cunho pessoal”. “Tenho 35Mi de seguidores em minhas mídias sociais, c/ notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional. No Whatsapp, algumas dezenas de amigos onde trocamos mensagens de cunho pessoal. Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República”, escreveu. 

Bolsonaro, contudo, não falou nada sobre as pautas alegadas para a manifestação do dia 15 de março ser “Fora Maia e Alcolumbre”, os presidentes das duas casas do Congresso. Há ainda quem divulgue a manifestação pedindo o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal).