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13/04/2020 16:57 -03

Maia apoia posição de Mandetta por unificar discurso do governo: 'Não foi agressivo'

Ao "Fantástico", ministro da Saúde disse que brasileiros não sabem se seguem as orientações dele para isolamento social ou do presidente Jair Bolsonaro, contra o confinamento.

Andressa Anholete via Getty Images
Presidente da Câmara saiu em defesa do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que é do seu partido — o DEM.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, saiu em defesa do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nesta segunda-feira (13), após repercussão da entrevista dele ao Fantástico no domingo. Mandetta cobrou do governo federal unificar o discurso sobre o isolamento social e a prevenção do coronavírus.

“Mandetta foi muito tranquilo; não achei agressivo”, disse Maia. “Ele está sendo coerente, está preocupado com os impactos que a aglomeração de pessoas pode gerar na perda de vidas e no colapso do sistema de saúde.”

Sem citar nominalmente o presidente Jair Bolsonaro, o ministro disse à TV Globo que a falta de uma “fala única” do governo acaba gerando uma dubiedade para o brasileiro. “Ele não sabe se ele escuta o ministro da Saúde, se ele escuta o presidente, quem é que ele escuta”, destacou Mandetta.

Maia acolheu completamente o argumento de Mandetta: “quando o ministro dá uma orientação e o presidente dá outra, é claro que isso gera uma dúvida na sociedade brasileira. Essas dúvidas precisam acabar; a gente precisa ter um caminho único”.

Esse alinhamento entre Maia e Mandetta reflete o beneplácito do DEM, partido dos dois, à entrevista concedida ao Fantástico. A intenção era confrontar as recentes atitudes de Bolsonaro, que na Sexta-feira Santa promoveu aglomeração, coçou o nariz e depois cumprimentou apoiadores — entre eles, uma idosa (integrante do grupo de risco da doença). Um dia antes, foi a padaria e posou com fãs.

Mandetta deu uma indireta ao presidente na TV Globo: “Quando você vê as pessoas entrando em padaria, entrando em supermercado, fazendo filas uma atrás da outra, encostadas, grudadas, pessoas fazendo piquenique em parque, isso é claramente uma coisa equivocada”.

O tom usado pelo ministro foi criticado pela cúpula do Planalto. Militares entenderam a entrevista como uma insubordinação de Mandetta a Bolsonaro. O general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, foi o único a tentar colocar panos quentes.

Há exatamente uma semana, Mandetta teve uma reunião tensa com Bolsonaro. Sua demissão era dada como certa, mas a pressão política segurou a “caneta” do presidente.