POLÍTICA
28/03/2019 17:14 -03

Em recuo nos confrontos, Maia se encontra com Moro e Guedes e Bolsonaro prega trégua

“Clima de paz que faz toda diferença para nosso país!”, disse Joice Hasselmann, que articulou encontro entre Maia e Moro.

Reprodução/ Twitter
Foto postada no Twitter pela deputada Joice Hasselmann mostra Moro e Maia tomando café da manhã nesta quinta.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia(DEM-RJ), recebeu nesta quinta-feira (28) dois dos principais ministros do governo Bolsonaro em meio a uma crise com o Planalto. Já o presidente Jair Bolsonaro declarou publicamente que os atritos com Maia, registrados até horas antes, são “página virada”.

Os acenos positivos parecem ter sido bem recebidos pelo mercado. O Ibovespa registrava alta de 3,07% no meio da tarde, enquanto o dólar, que chegou a R$ 4,00 na quarta-feira, começou a cair.  

Pela manhã, foi Sergio Moro, ministro da Justiça, quem tomou café da manhã com Maia, na companhia da líder do governo na Câmara, Joice Hasselmann (PSL-SP), que articulou o encontro.

Após trocar farpas com Maia na última semana sobre a tramitação do projeto de lei anticrime na Câmara, Moro disse nesta quinta, após a reunião à Folha de S. Paulo, que “o tempo e a pauta pertencem ao Congresso”.

“O que houve foram ruídos de declarações na semana passada. Isso não implica nada em mudança de relacionamento, tenho um grande respeito pelo presidente Rodrigo Maia”, disse Moro após o encontro, durante a apresentação de uma ação do Ministério da Justiça para combater pornografia infantil, segundo o jornal.

Hasselman, que tem atuado para colocar panos quentes no embate entre o Executivo e o Congresso, classificou o encontro como “café da manhã da paz” em sua conta no Twitter.

“Pacote Anticrime do governo @jairbolsonaro caminhará a PASSOS LARGOS na @camaradeputados, terá tempo encurtado no Grupo de Trabalho e ao mesmo tempo será discutido no @SenadoFederal. As decisões foram num café da manhã da paz hj com nosso Sergio Moro e @RodrigoMaia”, escreveu.

Segundo a deputada, o tempo no grupo de trabalho criado por Maia para analisar o texto de Moro “deve cair pela metade” e o projeto “tramitará rapidamente na Câmara enquanto a discussão ocorre também no Senado”.

“Clima de paz que faz TODA DIFERENÇA para nosso país!”, completou.

Moro havia afirmado no último dia 20, ao visitar o Congresso, que a tramitação do projeto não prejudicava o avanço da reforma da Previdência e pediu urgência. Maia tinha determinado já a criação de um grupo de trabalho que teria até 90 dias para analisar o texto de Moro.

Naquele dia, Maia disse que Moro é “funcionário de Bolsonaro” e que o acordo com o presidente era tramitar a reforma da Previdência primeiro. “Ele [Moro] conhece pouco a política. (…) Ele está confundido as bolas. Ele não é presidente da República. Não foi eleito para isso. Tá ficando uma situação ruim para ele”, atirou Maia no dia 20.

 

‘Barulho vai diminuir’, diz Guedes após almoço com Maia

Na hora do almoço, o encontro foi com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o principal interessado na tramitação da reforma da Previdência. Ao fim da reunião, os dois procuraram mostrar um discurso afinado aos jornalistas.

Guedes reconheceu que às vezes há “ruídos” na relação entre Executivo e Legislativo, mas garantiu que o “barulho” gerado pelos atritos recentes vai diminuir. Maia, por sua vez, reafirmou que seu foco é fazer as reformas que o país precisa, entre elas a da Previdência.

“Eu estou muito confiante de que os Poderes independentes estão harmonicamente buscando o aperfeiçoamento institucional do Brasil. Existem uns ruídos de comunicação, houve muito combate durante a campanha, e esse barulho vai diminuir”, disse Guedes.

“Eu acredito que sim, a reforma vai deslanchar. Eu tenho recebido muito apoio do presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Rodrigo Maia, desde o início”, acrescentou.

Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Maia e o ministro Paulo Guedes falam com jornalistas após almoço.

Maia, por sua vez, repetiu o que havia dito na véspera, quando afirmou que se concentrará na aprovação da reforma da Previdência e afirmou que a ida de Guedes na semana que vem à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara será importante. Inicialmente, o ministro deveria ter ido à CCJ nesta semana, mas recusou o convite e não compareceu.

“A Câmara trabalhou bem esta semana e tenho certeza que a partir da próxima semana, com a presença do ministro na Comissão de Constituição e Justiça, nós retomamos com força o debate da reforma da Previdência para mostrar aos brasileiros que nós temos um foco que é aprovar as reformas no Brasil”, disse o presidente da Câmara.

“A ida dele (Guedes) à Câmara na quarta vai ser muito importante para que ele possa mostrar os benefícios que uma reforma difícil vai dar para a sociedade brasileira. Esse é o motivo do almoço, e tenho certeza que nós vamos, daqui para frente, a gente vai colocar esse trem nos trilhos para que a gente possa caminhar com velocidade.”

 

‘Página virada’ com Bolsonaro

Também nesta quinta, o presidente Jair Bolsonaro deu declarações amigáveis direcionadas a Maia, com quem, até a véspera, vinha trocando acusações públicas.

Segundo Bolsonaro, o conflito com Maia é “página virada”.

“Para mim isso foi uma chuva de verão e agora o céu está lindo. O Brasil está acima de nós”, disse o presidente após uma cerimônia em que recebeu a Ordem do Mérito Judiciário Militar. “Da minha parte não tem problema nenhum. Vamos em frente. Página virada.”

Na quarta-feira, depois de uma tentativa inicial de trégua, Bolsonaro voltou a dizer que Maia estava “abalado” por questões familiares, referindo-se à prisão do ex-ministro Moreira Franco, que é padrasto da mulher de Maia.

O presidente da Câmara respondeu que Bolsonaro estava “brincando de ser presidente” e os ânimos se exaltaram novamente. Horas depois, em entrevista à TV Band, Bolsonaro retrucou: “Não existe brincadeira de minha parte. Muito pelo contrário. Quero não acreditar que ele [Maia] tenha falado isso.” 

Ao final do dia, depois de o dólar ter se aproximado de R$ 4, o presidente da Câmara decidiu acenar com uma nova trégua. Em entrevista, disse que os dois, ele e Bolsonaro, tinham que parar com os atritos, e que para ele o assunto não existia mais.