LGBT
01/04/2019 18:12 -03 | Atualizado 01/04/2019 18:52 -03

Esta mulher deu à luz a própria neta em ‘barriga solidária’ para filho gay

Aos 61 anos, Cecile Eledge, de Nebraska, nos EUA, tornou-se "mãe" e avó ao mesmo tempo.

Ariel Panowicz Fotografia
Por meio de Cecile, seu filho, Matthew, e o marido dele, Elliot, se tornaram pais.

Cecile Eledge, norte-americana de 61 anos e moradora de Nebraska, deu à luz na última semana a sua própria neta. A pequena, que foi batizada de Uma Louise nasceu da “barriga solidária” a que ela se submeteu para realizar o sonho de seu filho, Matthew Eledge, 32 e de seu marido Elliott Dougherty, 29.

E tudo começou como uma “piada”. Segundo o The New York Post, o casal tinha o desejo de ter um bebê, mas enfrentava uma série de dificuldades em procedimentos de inseminação artificial ou adoção não detalhadas por eles.

Quando Cecile afirmou que poderia gerar a criança voluntariamente, eles não acreditaram. “Não houve momento de hesitação da minha parte. Foi um instinto natural. Eu disse ‘se quiserem que eu seja a gestante, farei isso na hora’”, contou Cecile à KETV-News, um canal televisivo local.

Eles economizaram durante anos para realizar o procedimento e estimam que todos os gastos ― entre gastos médicos, exames, fertilização in vitro e até o momento do parto ― ficou em U$ 40 mil (cerca de R$ 160 mil).

Ariel Panowicz Fotografia
Matthew Eledge e seu marido Elliott Dougherty no momento em que viram "Uma Louise" pela primeira vez.

Depois de muitos exames e discussões sobre o tema, médicos da Universidade de Nebraska afirmaram que o procedimento poderia ser feito, mas alertaram que, por causa da idade avançada de Cecile, as chances de complicações ao longo da gestação eram grandes e o parto provavelmente seria por cesariana.

Para que o procedimento fosse realizado, a irmã de Elliott, Lea Yribe, concordou em doar seus óvulos. O esperma doador é de Matthew. Após terem sido fecundados, os óvulos foram, então, inseminados em Cecile.

Em entrevista ao HuffPost US, Matthew disse que precisou se esforçar para explicar a situação às pessoas. Ele, seu marido e a família como um todo receberam comentários tanto elogiosos quanto ofensivos durante o processo.

″Às vezes, pessoas realmente inteligentes ouvem essa história e acham que é um incesto”, disse. “Recebemos perguntas realmente honestas de pessoas realmente inteligentes como: ‘Você está com medo das anomalias genéticas?’ É uma boa pergunta, é uma situação única, mas acho que é mais fácil soletrar em termos leigos: minha mãe era simplesmente a gestora”, completou.

O caso desta família de Nebraska traz à tona os dilemas éticos e as polêmicas que circulam entre a escolha pelas chamadas “barrigas de aluguel” ou “gravidez por substituição” por casais homoafetivos, ao invés da adoção.

Ariel Panowicz Fotografia
A família estava reunida na sala de parto quando Uma Loise nasceu.

Contrariando expectativas, a gestação correu tranquilamente. Segundo o NYP, Cecile, que já é mãe duas vezes, apenas se sentiu mais enjoada do que nas outras gestações. O parto, realizado no dia 25 de março, foi normal. O bebê nasceu prematuro, com cerca de 2,5 Kg.

O parto foi registrado pela fotógrafa Ariel Panowicz, que publicou imagens em sua conta de Instagram. “Gestada por sua avó, criada por dois pais e uma tia amorosa, Uma está cercada por uma quantidade imensa de amor. Fazer parte disso foi incrível. Cecile, você é uma guerreira”, escreveu na rede social.

“Quando você é um homem gay casado e quer ter filhos, você abraça o fato de que vai ter que criar uma família de forma especial. Existem formas criativas e únicas de construir uma família”, disse Matthew em texto publicado em seu Instagram. “Nós somos gratos porque todo o processo correu bem.”

“Estamos muito felizes que Uma e sua avó estão aqui, felizes e saudáveis. Toda a equipe, dos médicos aos enfermeiros, passando pelos técnicos de laboratório demonstraram um equilíbrio muito bonito entre profissionalismo e compaixão. Agora nós vamos apenas relaxar e curtir esse momento”, completou.