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04/05/2019 13:43 -03

Guaidó e Maduro disputam apoio de militares com protestos e visitas a cadetes

Líder opositor convocou manifestações em frente a quartéis pelo país; Maduro participou de treinamento militar neste sábado (4).

Edilzon Gamez via Getty Images
Manifestante protesta contra o regime de Maduro em frente a quartel em Caracas.

O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, e o líder opositor Juan Guaidótentam mais uma vez demonstrar força entre os militares neste sábado (4), com marchas convocadas pelo país e participação em treinamentos de cadetes.

Guaidó, que é presidente da Assembleia Nacional e foi reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países, pediu que seus apoiadores se concentrassem em frente às “unidades militares mais próximas em todo o território nacional”, de “forma cívica e pacífica”. 

“O objetivo é levar nossa mensagem sem cair em confronto nem em provocações”, escreveu Guaidó no Twitter nesta manhã.

Na mensagem de convocação até os quartéis, o opositor pede que os venezuelanos vistam as cores da bandeira e gritem juntos “Povo e FANB [Forças Armadas Nacionais Bolivarianas] resgataremos a Venezuela!”.

A preocupação com o caráter pacífico da manifestação vem depois de confrontos registrados nos últimos protestos. Enquanto manifestantes atiravam pedras contra as forças leais a Maduro, os militares e guardas revidavam com gás lacrimogêneo e armas de fogo.

Pelo menos 5 pessoas morreram, segundo a ONU. Em um vídeo, é possível ver um tanque atropelando manifestantes em frente a um quartel.

Do outro lado, Maduro visitou um centro de treinamento militar no estado de Cojedes, a oeste de Miranda, onde fica Caracas, para acompanhar os exercícios de cadetes da Universidade Militar Bolivariana. A atividade foi transmitida ao vivo pelo Twitter.

Maduro também condenou, em uma postagem anterior, o “punhado de traidores que se vendem aos interesses dos EUA”. Segundo ele, estes “não mancharão a honra militar da pátria”.

“Nossa FANB está profundamente comprometida com a proteção do povo, a defesa da soberania nacional e a Constituição. É uma instituição de moral e luzes”, escreveu.

Na noite de sexta-feira (3), o procurador-geral da Venezuela, Tarek Saab, ligado a Maduro, anunciou pela televisão estatal VTV ter ordenado a detenção de 18 civis e militares que estariam envolvidos na tentativa de derrubar Maduro.

“Pedimos 18 mandados de prisão para civis e militares conspiradores, alguns com patente de tenente-coronel. Obtivemos provas importantes. Eles (presos) vão ser muitos mais, provavelmente porque estão a trair muitos daqueles que foram presos”, afirmou Saab.

O apoio dos militares é fundamental para a manutenção de Maduro no poder, por isso todos os esforços da oposição e dos Estados Unidos têm sido no sentido de pressionar os integrantes das Forças Armadas a desertar.

Handout . / Reuters
Maduro cumprimenta cadetes durante treinamento no estado de Cojedes.

Na última terça-feira, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, sugeriu que o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, teria aceito se voltar contra Maduro, além do comandante da Guarda de Honra presidencial, Iván Rafael Hernández, e do presidente do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, Maikel Moreno. Dois dias depois, Padrino López apareceu marchando ao lado de Maduro em frente a militares.

Segundo o ministro, o governo americano chegou a lhe oferecer dinheiro para que se voltasse contra Maduro, o que ele não aceitou.

“Quiseram me comprar como se eu fosse um mercenário”, afirmou Padrino López.

Na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro reforçou o coro de que uma saída para a Venezuela passa, necessariamente, pelos militares do País vizinho.

“A gente espera que essa fissura que está na base do Exército vá para cima. Não tem outra maneira. Se você não enfraquecer o Exército da Venezuela, o Maduro não cai”, afirmou.