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23/02/2019 16:46 -03 | Atualizado 23/02/2019 19:55 -03

Nicolás Maduro ataca Donald Trump e rompe relações com Colômbia

Em longo discurso, ditador venezuelano poupa o Brasil.

ASSOCIATED PRESS
Nicolás Maduro falou por mais de uma hora em Caracas ante a escalada de tensão nas fronteiras da Venezuela.

Em discurso que durou mais de uma hora, com direito a olas bolivarianas, o ditador Nicolás Maduro subiu o tom com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Colômbia, Iván Duque. Dirigindo-se a uma multidão em Caracas neste sábado (23), Maduro rompeu as relações com a Colômbia e deu prazo de 24 horas para o corpo diplomático do país vizinho deixar a Venezuela.

Mais cedo, Duque e Juan Guaidó, presidente interino da Venezuela, comandaram juntos o envio de ajuda humanitária para a fronteira. “Nunca antes um governo colombiano caiu tão baixo”, disparou Maduro, ante a escalada de tensão nas fronteiras do país.

Segundo a vice-presidente da Colômbia, Marta Lucía Ramírez, Maduro não pode romper relações diplomáticas, pois o país não reconhece a presidência dele. “Nosso governo não indicou embaixador lá nem reconhecemos embaixador de Maduro”, disse. 

Em seu discurso, Maduro bradou que os EUA estudam uma invasão militar na Venezuela. “Donald Trump odeia a Venezuela e os povos latino-americanos e caribenhos. Por isso, ele quer construir um muro lá... E quer tirar toda a nossa riqueza: o ouro, o petróleo, o gás”, acusou Maduro.

O ditador venezuelano diz que não é Trump nem oligarquia colombiana que decidem o futuro do país. “Jamais me renderei; defenderei minha Pátria com minha vida, se necessário for”, enfatizou.

Ele ordenou que, caso fosse afastado do poder, o povo e as Forças Armadas Bolivarianas saíssem às ruas em uma “união cívico-militar” para promover uma “grande revolução proletária e socialista”.

Maduro também questionou por que Guaidó não convocou eleições presidenciais para 30 dias se ele é mesmo presidente interino. “Ele sabe que vamos ganhar [a eleição].”

Também brincou com o público, incentivando os venezuelanos a relaxar no Carnaval no fim deste mês. E até fez trocadilho: “estou mais duro do que nunca”.

Venezuela e Brasil

Maduro poupou o Brasil em seu discurso explosivo a centenas de venezuelanos. Ele afirmou que seu governo pode comprar arroz, açúcar e carne do estado de Roraima e pagar pelos produtos.

“Não somos desonestos nem mendigos. Se querem trazer caminhão de arroz, carne, venham que pagarei tudo na hora”, disse, sinalizando que aceitará a ajuda humanitária que está vindo do Brasil.

Galeria de Fotos Crise na Venezuela e tensão na fronteira Veja Fotos

A primeira caminhonete com mantimentos e alimentos não perecíveis vinda de território brasileiro chegou a cruzar a fronteira da Venezuela, mas não furou o bloqueio militar.

A fronteira com o Brasil foi fechada na quinta-feira (21) e com a Colômbia, na sexta-feira (22).

A Venezuela vive uma crise de desabastecimento devido ao colapso econômico do país. Além da pobreza, a fome assolou o território. No ano passado, os venezuelanos perderam uma média de 11 quilos. 

Os hospitais também estão em situação da calamidade pois há uma escassez de medicamentos e materiais médicos.