ENTRETENIMENTO
13/06/2019 15:13 -03

Madonna luta contra um mundo assustador em seu novo disco, 'Madame X'

"Estes são tempos loucos, mas isso não me faz perder a esperança. Me faz querer revidar", diz a Rainha do pop, que lança seu novo álbum nesta sexta (14).

Mario Anzuoni / Reuters
Madonna em sua apresentação no Billboard Music Awards, em Las Vegas (EUA).

Controle de armas, pobreza e os marginalizados, o novo álbum de Madonna, Madame X, vê a Rainha do Pop querendo “revidar” contra o que ela vê como um mundo moderno assustador.

Em uma entrevista à Reuters, Madonna também disse que ficou horrorizada com os movimentos contra os direitos dos LGTBQ e das mulheres, principalmente em seu próprio país, os Estados Unidos.

“Se você está falando sobre a extrema direita e os direitos que estão sendo tirados da comunidade LGBTQ ou das mulheres... Obviamente estou traumatizada e horrorizada”, disse Madonna.

Uma ativista de longa data da comunidade LGTBQ e conhecida por seu trabalho de caridade no Malaui, Madonna, hoje com 60 anos, disse que quer continuar lutando por essas causas.

“Ainda há uma enorme quantidade de pobreza no Malaui e a taxa de HIV diminuiu consideravelmente, mas não desapareceu”, disse a cantora. “[Existem] todos os problemas que são recorrentes nos Estados Unidos por causa da nova legislação, então eu vou ter que continuar lutando pelas mesmas coisas.”

Em seu 14º álbum de estúdio, Madonna aborda as leis de controle de armas dos EUA e usa um trecho de um discurso da sobrevivente Emma Gonzalez no single I Rise, uma canção que ela diz que tem como objetivo dar voz às pessoas marginalizadas.

Dark Ballet, uma balada de piano combinada com pop eletrônico, foi inspirada em Joana D’Arc e faz referência a um mundo “em chamas”, enquanto em Killers Who’s Partying ela canta sobre as crianças pobres e exploradas, bem como uma mulher estuprada.

Mario Anzuoni / Reuters
Parceria com o colombiano Maluma é apenas uma das várias influências latinas em Madame X.

”É muito assustador, sim, é muito assustador... Há coisas acontecendo em todos os lugares do mundo”, disse ela quando perguntada sobre como se sentia em relação ao estado do mundo.

“Quando você pensa sobre a quantidade de pessoas que morreram, foram mortas, foram feridas, cujas vidas foram mudadas irrevogavelmente por causa da falta de controle de armas nos Estados Unidos, é um problema enorme, enorme. Eu me preocupo profundamente com isso, então não pude deixar de escrever sobre isso”, disse ela.

Ela também disse que discorda de alguns estados dos EUA que restringem os direitos ao aborto.

“Estes são tempos loucos porque nós lutamos muito por muitas dessas liberdades e agora parece que eles estão sendo sistematicamente tirados. Mas isso não me faz perder a esperança. Me faz querer revidar.

Camaleão

Influenciada por morar em Lisboa, onde Madonna se juntou a músicos locais nas chamadas “sessões de sala de estar”, Madame X está repleto de latinidade e leva os ouvintes às festas de rua com uma série de faixas cativantes.

Madonna também canta em espanhol e português no álbum de 15 faixas, que será lançado neste sexta (14).

Ela descreveu Madame X como um “camaleão”.

“Cada música é um reflexo da Madame X [apelido que Madonna ganhou no começo de sua carreira, na década de 1980]. Às vezes ela é uma combatente da liberdade, às vezes ela é uma instrutora de cha cha, às vezes ela tem saudades de amor, às vezes ela sente nostalgia”, disse Madonna.

”Às vezes, ela está pensando em todas as pessoas no mundo que estão sofrendo, que não têm voz e que precisam de uma voz e sentem um senso de responsabilidade por essas pessoas.”

Madonna, que ganhou fama no início dos anos 1980 com sucessos como Holiday e Like a Virgin, vendeu mais de 300 milhões de discos em todo o mundo, fazendo dela a artista feminina mais vendida no planeta, segundo o Guinness World Records.

Conhecida por promover limites e, às vezes, imagens provocativas, seu trabalho influenciou dezenas de artistas.

Quando lhe perguntaram como se sentia em relação à sua carreira, ela disse: “Estou incrivelmente grata por ter sido capaz de ter sucesso por tanto tempo e estar na posição que estou, de continuar a criar, ter a liberdade de falar e me sentir inspirada e criativa”.

“Vou continuar falando, espero que seja o mais artístico possível, porque gosto de ser política, mas gosto de fazer isso de maneira poética.”

Seu alter ego Madame X é um reflexo da cantora, que é conhecida por se reinventar repetidamente.

Madonna se descreve como “uma pessoa curiosa, constantemente em busca de respostas, sabedoria, conhecimento para entender o que é a vida”.

“Todo o meu trabalho é influenciado pelas coisas que eu aprendo, então é isso que provoca a reinvenção.“

Questionada sobre o movimento #MeToo que abalou Hollywood revelando a má conduta sexual e sua relevância para o setor musical, Madonna disse: “É claro que há muito tempo as mulheres são tratadas de forma muito diferente do que os homens no mercado fonográfico. Mas eu não sei exatamente como isso vai acontecer. Eu não posso falar mais do que eu já sou.”