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26/08/2019 11:04 -03 | Atualizado 26/08/2019 11:29 -03

Macron: 'As mulheres brasileiras sem dúvida têm um pouco de vergonha [de Bolsonaro]'

Presidente francês chamou de "desrespeitoso" comentário de Bolsonaro sobre a aparência de sua esposa. Para Macron, os brasileiros “merecem um presidente que se comporte à altura” do cargo.

Montagem/Getty Images/Agência Brasil
Macron disse que brasileiros “merecem um presidente que se comporte à altura” do cargo.

Em meio à crise ambiental, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta segunda-feira (26) que “as mulheres brasileiras sem dúvida têm um pouco de vergonha [de seu presidente]”. 

A frase foi dita em entrevista ao lado do presidente chileno Sebastián Piñera, na cúpula do G7. Macron respondeu sobre comentário feito no Facebook pelo presidente Jair Bolsonaro.

No sábado, um seguidor comentou em uma publicação do presidente brasileiro uma foto de Bolsonaro e Michelle e outra de Macron e Macron e Brigitte com a legenda: “Agora entende por que Macron persegue Bolsonaro?”. O ex-deputado respondeu: “Não humilha cara. Kkkkkkk”.

O comentário do brasileiro foi repercutido na imprensa francesa, que criticou a atitude machista.

Na campanha eleitoral, opositores de Macron também usaram a diferença de idade do presidente e de sua esposa, 24 anos mais velha. Na época, o francês respondeu que, se ele tivesse 20 anos a mais, “ninguém pensaria por um segundo que não poderíamos estar legitimamente juntos”. Michelle é 27 anos mais jovem que Bolsonaro. 

Ao comentar o episódio nesta segunda, Macron disse ainda que os brasileiros “merecem um presidente que se comporte à altura” do cargo. “O que eu posso dizer a vocês? É triste, é triste, mas é em primeiro lugar triste para ele e para os brasileiros”, completou.

Crise ambiental

De acordo com o presidente francês, os últimos episódios da crise diplomática entre os dois países foram um “grande mal-entendido”. Ele citou como exemplo a demissão do presidente do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Ricardo Galvão pediu demissão após o governo brasileiro desacreditar dados científicos de monitoramento do desmatamento.

“Ele [Bolsonaro] me prometeu, com a mão no peito [na cúpula do G20, em julho, no Japão], respeitar seus engajamentos ambientais. Dias depois, demitiu cientistas de seu governo”, disse Macron.

O G7 também anunciou a liberação de € 20 milhões, o equivalente a cerca de R$ 91 milhões, para combater os incêndios na Amazônia, principalmente para o envio de aviões para apagar o fogo na região.

O grupo também elaborou um plano de ajuda a médio prazo para o reflorestamento que será apresentado na Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) no fim de setembro. A medida prevê um acordo entre o Brasil, organizações não-governamentais (ONGs) e populações locais.

Entre janeiro e 21 de agosto, o Inpe registrou 75.336 focos de incêndio, 84% a mais do que no mesmo período de 2018. Segundo ambientalistas, a multiplicação dos incêndios ocorre devido ao rápido avanço do desmatamento na região amazônica, que em julho quadruplicou em relação ao mesmo mês de 2018, de acordo com dados do Inpe.

Nesta segunda, Bolsonaro voltou a atacar líderes europeus. ”‘Macron promete ajuda de países ricos à Amazônia’. Será que alguém ajuda alguém, a não ser uma pessoa pobre, né, sem retorno? [...] O que que eles querem lá há tanto tempo?”, questionou em uma fala na saída do Palácio da Alvorada, na qual não respondeu a perguntas dos jornalistas.

O presidente disse ainda que conversou com “vários líderes de países, líderes excepcionais, que querem realmente colaborar com o Brasil” e não dialogou “com aqueles outros, que querem continuar nos tutelando”.

No domingo, o ex-deputado anunciou que aceitou o envio de aeronaves de Israel  com “apoio especializado para colaborar” nas ações contra as queimadas, após falar com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Bolsonaro também conversou nos últimos dias com os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Chile, Sebastián Piñera.