COMPORTAMENTO
10/03/2019 08:54 -03 | Atualizado 11/03/2019 12:53 -03

Esta fotógrafa perguntou a homens como eles rejeitam a masculinidade tóxica

Uma nova série de imagens da fotógrafa Jessica Amity mostra como o machismo atinge os homens.

Denom, do Nepal, e Sam, residente no Reino Unido e na Austrália, participaram do novo ensaio da fotógrafa Jessica Amity “To Be a Man” (“Ser um Homem”).

Muitas vezes passamos não nos atentamos aos benefícios que o feminismo traz aos homens.

Quando homens resistem ao estereótipo do que um “homem de verdade” deve ser, ficam livres para viver a vida à sua própria maneira. Podem chorar à vontade depois de um dia horrível no trabalho. Podem ficar em casa e cuidar dos filhos enquanto sua parceira ganha dinheiro para sustentar a casa.

Em uma nova série de imagens, a fotógrafa Jessiba Amity capta como a rejeição das normas de gênero pode ser libertadora para os homens.

Armada com sua câmera Nikon D850, a fotógrafa, que vive no Nepal, percorreu as ruas de Katmandu pedindo a homens suas reflexões sobre a masculinidade tóxica e o efeito dela sobre sua vida. Então pediu que terminassem uma frase começando com “Tudo bem eu....”.

As respostas foram tão diversas quanto os próprios homens.

“Tudo bem eu ser inseguro”, disse à fotógrafa um holandês chamado Caspar.

“Sempre pensei que, por ser homem, eu devia ser dominador e autoconfiante, que nunca devia me sentir tímido ou inseguro. Devido à pressão da masculinidade tóxica, eu tinha muita dificuldade em lidar com minhas seguranças. Aprender a aceitar meus defeitos me ajudou a compreendê-los e, no final, lidar com eles.”

Jessica Amity
Caspar, um dos homens que participou da série fotográfica de Jessica Amity.

Outros mantiveram um tom mais leve. 

“Tudo bem para mim ser a conchinha. Homens também gostam de carinho e abraços”, falou em tom doce um americano chamado Zach.

Jessica Amity
Zach, outro homem que participou do projeto de Amity.

Entrevistada pelo HuffPost, Amity disse que se espantou ao ver quanto os homens tinham a dizer sobre o assunto.

“Eu imaginara que teria dificuldade, que teria trabalho para persuadi-los a se abrirem comigo”, ela disse. “Não foi o que aconteceu. Evidentemente, esses homens tinham muita consciência dessas questões.”

Amity espera que seu trabalho mostre aos espectadores que o patriarcado também prejudica os homens, forçando-os a se alinhar com uma ideia de masculinidade que não condiz com quem eles são de fato.

“Espero que este trabalho beneficie a saúde mental dos homens e mostre às mulheres que os homens também podem ser nossos aliados hoje”, ela comentou. “Quero enfatizar a importância de engajar os homens juntamente com as mulheres no esforço para contestar essas normas de gênero prejudiciais.”

Para ver mais fotos, vá para o site de Jessica Amity ou para seu Instagram para ver mais imagens da série impactante. 

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

  • Denom, Nepal
    Denom, Nepal
    Jessica Amity
    “Tudo bem eu mostrar minhas emoções e chorar. Não há nada de errado no homem mostrar seu lado sensível. Somos todos humanos e esses sentimentos são completamente normais. Não há problema algum em um homem chorar! Aliás, eu diria que é importantíssimo que os homens chorem, que extravasem suas emoções, que compartilhem seus sentimentos com outros. Em algumas sociedades a ideia é que homens não deveriam chorar, que deveriam esconder suas fraquezas; é melhor que sejam vistos como mais controlados ou emocionalmente anestesiados. As pessoas acham que chorar tem a ver com ser fraco, que significa que não conseguimos controlar nossa emoção. Nos dizem muito coisas tipo ‘não seja maricas’ ou ‘pare de agir como mulherzinha1. Se continuarmos a ouvir coisas como essas, como os garotos em todo o mundo vão encarar a vida? Quem eles vão admirar? Como vão dar conta da transição entre ser meninos e ser homens adultos?
  • Jason, Bélgica
    Jason, Bélgica
    Jessica Amity
    “Tudo bem eu não comparar homens e mulheres e apontar as diferenças. Somos todos humanos e é isso que deve ser o importante.”
  • Yanik, Nepal
    Yanik, Nepal
    Jessica Amity
    “Tudo bem eu ser um marido que cuida da casa. Vindo de uma sociedade tão marcada pelo patriarcado, quero ser o advogado do diabo, desafiando tabus e paradoxos.”
  • Sushrut, Nepal
    Sushrut, Nepal
    Jessica Amity
    "Tudo bem eu usar maquiagem. Ser um homem hétero me dá o privilégio de ficar à vontade. Como homem, estou ao centro do sistema que cria as narrativas dominantes sobre o mundo. Confio que meu ato de autoexpressão é válido. Mas as pessoas que não se identificam como homens héteros não têm esse luxo. O simples ato de autoexpressão pode ser acompanhado de muitos inconvenientes. Por isso é importante para mim que eu aproveite minha posição relativa de privilégio para destacar como modos de expressão não tradicionais são igualmente válidos. Eu me apresentar de maneira tradicionalmente feminina é uma maneira de declarar que a masculinidade sadia tem espaço para expressões tão diversas quanto as pessoas que as fazem."
  • Sam, Austrália e Reino Unido
    Sam, Austrália e Reino Unido
    Jessica Amity
    "Tudo bem eu reconhecer o papel desempenhado pelos homens em estabelecer o sistema que não valoriza as mulheres tanto quanto os homens e reconhecer a responsabilidade que cabe aos homens de mudar essa realidade. Tudo bem eu admitir que quando falamos em “violência contra mulheres”, estamos falando de violência que é cometida por homens. Tudo bem homens, como eu, assumirmos uma posição – colocarmos a boca no trombone – para mudar as expectativas em torno do que significa ser ‘homem’."
  • Naryan, Irlanda do Norte e Nepal
    Naryan, Irlanda do Norte e Nepal
    Jessica Amity
    "Tudo bem eu ser vulnerável. Acredito que todos somos compostos de energias masculinas e femininas. O masculino fica tóxico quando não se autoriza a sentir e quando reage às mágoas e dores com agressão, em vez de compreensão. É difícil ser vulnerável, especialmente porque a dor é mais profunda quando estamos vulneráveis. Mas homens de verdade podem ser vulneráveis, podem ser feridos, e tudo bem."
  • Luke, Austrália e Reino Unido
    Luke, Austrália e Reino Unido
    Jessica Amity
    "Tudo bem eu oferecer a vitória a outros, mesmo quando penso que estou certo. Conceder a vitória a outros não é necessariamente sinal de humildade, também pode ser sinal de força."
  • Fabio, Brasil
    Fabio, Brasil
    Jessica Amity
    “Tudo bem eu ser um homem que não tem medo de mostrar seu lado emocional. Minhas emoções são parte de quem eu sou. Ter a força de ser franco em relação a isso e não esconder nada é pura liberdade.”
  • Peter, Estados Unidos
    Peter, Estados Unidos
    Jessica Amity
    "Tudo bem eu ser como eu sou, com todos meus defeitos e fraquezas. Acho que a chamada ‘masculinidade tóxica’ tem sua raiz nas inseguranças masculinas. Se eu fosse dar um conselho ao meu eu mais jovem sobre o que significa ser um homem bom, o principal seria o seguinte: preocupe-se menos com o que pensam os outros, julgue menos os outros e aprenda mais. Não se preocupe em manter aquele visual ensaiadamente desgrenhado, não se preocupe em contar para quantas festas você tem ido nem com quantas garotas você saiu (ou deixou de sair)."
  • Geoff, Canadá
    Geoff, Canadá
    "Tudo bem eu chorar. Sou um cara que chora muito. Hoje, por exemplo, fui conhecer o templo sagrado Pashupatinath aqui em Katmandu e chorei. Fico emocionado. Tudo bem."
  • Steven, Bélgica
    Steven, Bélgica
    Jessica Amity
    “Tudo bem não encarnar o que a sociedade define como sendo um ‘homem de verdade’. Há uma estrutura ampla que abrange o que é ser um ‘homem de verdade’. Ela dita tudo, desde a postura e o comportamento do homem até como ele deve andar, até o jeito como ele deve dançar. Eu realmente não danço como homem de verdade. Essas regras abrangem até cruzar as pernas quando você se senta, o jeito como o ‘homem de verdade’ deve tratar as mulheres, seus amigos ... como tratar tudo que cerca você. Essas regras priorizam teu ego e tua testosterona acima de tudo. Essa ideia do ‘homem de verdade’ é limitante, e infelizmente é ela que eu sempre tive presente na minha cabeça, ditando meus pensamentos, atos e crenças. Mas quem é que decide o que é um ‘homem de verdade’? Criamos essa ideia toda do ‘homem de verdade’, mas não sinto que eu seja esse homem. Hoje eu penso ‘que se dane, vou ser o que eu tiver vontade de ser’. Isso me deu uma liberdade enorme. Estou conseguindo respirar de novo.”
  • Varun, Nepal
    Varun, Nepal
    Jessica Amity
    "Tudo bem eu sentir medo. Me dei conta de que sentir medo abre oportunidades para aprender. Tenho notado homens reagindo de modo irracional hoje em dia porque têm medo de mostrar às pessoas que eles não sabem alguma coisa."
  • Nils, França
    Nils, França
    Jessica Amity
    "Tudo bem eu usar roupa cor de rosa. Não acho que as cores devam ser para um gênero específico. É irritante sentir que deveríamos limitar nossas escolhas por razões como essa."
  • Max, Nepal
    Max, Nepal
    "Tudo bem eu ser feminino. Já me disseram muitas vezes que os gestos que faço com minhas mãos são afeminados. Eu me senti mal com isso algumas vezes, mas depois percebi que é uma coisa que não tenho como controlar. Também já me disseram que meu rosto é muito feminino e que eu poderia facilmente passar por mulher. Bom, o que eu posso fazer se é essa a minha cara? Então acho que tudo bem eu ter um ‘rosto lindo’ (putz, falei!). De um jeito ou de outro, não posso mudar minha aparência."
  • Rajen, EUA/Nepal
    Rajen, EUA/Nepal
    Jessica Amity
    "Tudo bem eu dar mais valor ao amor e aos relacionamentos que ao sexo. Para as pessoas da minha geração, o sexo casual é visto como mais aceitável e menos tabu que no passado. Sinto que a sociedade encara os homens que não se interessam por transas casuais como sendo ‘menos viris’. A televisão, a música e o cinema glorificam o sexo casual e o mostram como sendo preferencial a ter um relacionamento, a tal ponto que os homens jovens tendem a pensar que ter transas casuais é uma das características que definem o ‘homem de verdade’. É claro que não há problema com o sexo casual, mas também não há problema em você querer ter relações de intimidade física apenas com pessoas pelas quais sente atração emocional.”
  • Lucas, França
    Lucas, França
    Jessica Amity
    “Tudo bem eu ser classificado como um cara sensível. Quando os homens são ou estão sensíveis a coisas ou situações, muitas vezes se escondem. É como uma questão de orgulho. Mas deveríamos nos orgulhar de não sentir necessidade de nos escondermos. Deveríamos ter orgulho de ser quem somos.”
  • Sonam, Tibete
    Sonam, Tibete
    Jessica Amity
    "Tudo bem eu ignorar e denunciar alguns dos meus valores e tradições culturais, se eles têm raízes em ideologias e preconceitos sexistas. Esse modo de pensar perpetuaria um mundo em que o machismo e a misoginia continuariam a correr soltos. E é um mundo em que minha mãe, minhas irmã e minhas potenciais futuras filhas têm que viver."
  • Bastien, França
    Bastien, França
    Jessica Amity
    “Tudo bem eu encarar os relacionamentos de homens e mulheres com a cabeça aberta. Homens e mulheres podem viver sua vida em pé de igualdade."
  • Alberto, Itália
    Alberto, Itália
    Jessica Amity
    "Tudo bem eu revelar meus pontos fracos diante de mulheres, aceitar que nem sempre estou com a razão e mostrar minha vulnerabilidade, meus sentimentos e minhas emoções. Não quero ser o tipo de homem que pensa ter razão o tempo todo e esconde seus pontos fracos, fingindo que está no controle de tudo. Quando isso aconteceu no passado, estraguei meus relacionamentos. Eu não ouvia a outra pessoa, não tinha consciência de seu mundo e sua sensibilidade. Hoje percebo que eu estava projetando minha imagem de homem forte e bem-sucedido, que é o que pensava na época que um homem deveria ser."
  • Thomas, Bélgica
    Thomas, Bélgica
    Jessica Amity
    "Tudo bem eu ser sensível à interseccionalidade e ser um aliado em lutas por justiça social, porque, como homem branco, cis e gay, sou bombardeado de privilégios que definitivamente não mereço." 
  • Arnaud, Bélgica
    Arnaud, Bélgica
    Jessica Amity
    “Tudo bem eu pedir indicação do caminho. Um homem que pede indicação do caminho parece estar admitindo implicitamente que não consegue encontrar o caminho sozinho. Acho que muitas vezes queremos provar que somos capazes de fazer uma coisa, e parece que pedir uma orientação de como chegar a um lugar seria algum tipo de fraqueza ou defeito."
  • Raphael, Alemanha e França
    Raphael, Alemanha e França
    Jessica Amity
    "Tudo bem eu fazer ‘pequenas coisas’ para minhas amigas ou para minha namorada, quando estou num relacionamento. Por exemplo, uma vez me ajoelhei na rua para amarrar o cadarço do sapato de minha amiga, que tinha aberto. Isso a pegou de surpresa e ela disse que não conhecia muitos homens que fariam isso, especialmente em público. Muitos homens acham que gestos desse tipo não são ‘coisa de homem’ e receiam ser ridicularizados por seus amigos homens ou por homens machões."
  • Adam, Canadá
    Adam, Canadá
    Jessica Amity
    “Tudo bem eu pedir ajuda. Há um estudo segundo o qual o índice de suicídio é muito mais alto entre os homens que entre as mulheres. Isso acontece porque homens e garotos têm muito menos chance de pedir ajuda quando precisam dela. Não deveria ser preciso se ‘qualificar’ para poder pedir ajuda. Qualquer pessoa, independentemente de gênero, deveria sentir que pode pedir ajuda. Isso deveria ser aceito e visto como normal.”
  • Dan, EUA
    Dan, EUA
    Jessica Amity
    “Tudo bem eu ser passivo. Não gosto de confrontos, mas sou constantemente pressionado a sentir que eu deveria reagir às coisas com agressividade. Não quero que esperem, só pelo fato de eu ser homem, que eu reaja com violência quando alguém dá um soco ou que comece a berrar quando alguém me xinga.”