ENTRETENIMENTO
17/02/2019 09:32 -03

Para poder combater zumbis, Lupita Nyong'o escreveu uma carta a Taylor Swift

Uma conversa com a atriz sobre os prêmios para "Pantera Negra", seu novo filme "Little Monsters" e o que foi preciso para conseguir o direito de usar “Shake It Off”.

Illustration: Damon Dahlen/HuffPost; Photos: Getty
Lupita Nyong’o no Screen Actors Guild Awards, em 27 de janeiro em Los Angeles, onde Pantera Negra recebeu o prêmio de melhor elenco.

No último 27 de janeiro Lupita Nyong’o e o elenco de Pantera Negra ganharam o prêmio máximo do Screen Actors Guild, o Sindicato de Atores do Cinema e da Televisão, e a atriz foi vista na televisão nacional dando pulos de alegria. Quatro horas depois ela estava no Festival Sundance de Cinema, decapitando zumbis.

Little Monsters estreou à meia-noite, quando Nyong’o ainda estava curtindo a febre de “Wakanda forever”. Às 6h da manhã seguinte ela embarcou em um avião para Park City, Utah, para divulgar a comédia amalucada em que faz uma professora de jardim de infância que protege seus aluninhos de uma invasão de mortos-vivos durante um passeio para um minizoológico. Ela toca ukulele acompanhando as crianças quando elas cantam “Old MacDonald Had a Farm” e “Shake It Off”, de Taylor Swift. Entre uma música e outra, decapita zumbis e interage com um artista enganosamente egoísta (Josh Gad) que trabalha no zoo.

Uma coisa é certa: nunca antes vimos uma atriz ganhadora do Oscar fazer algo desse tipo.

E daqui a pouco você também a verá fazendo uma coisa desse tipo, pois depois de uma guerra de lances que varou a noite em Sundance, Little Monsters ganhou um acordo de distribuição entre a Hulu e a Neon, a distribuidora de Eu, Tonya nos EUA. Obviamente, o que Hollywood e o mundo precisam neste momento é ver Lupita Nyong’o cantando canções pop e empalando criaturas ensanguentadas. Isso fará bem à nossa alma.

Quando encontrei Nyong’o para falar de Little Monsters e da atenção conquistada por Pantera Negra na temporada de premiações, ela comentou que escreveu uma carta a Taylor Swift para pedir o direito de usar Shake It Off no filme. Também falamos de como está a carreira dela e das grandes esperanças para a sequência de Corra!, de Jordan Peele, a ser lançado em breve.

HuffPost: Depois de um fim de semana de festejos, você está exausta?

Lupita Nyong’o: Estou me recuperando.

Fale um pouco de como foi sua noite nos SAG Awards. É claro que todo o mundo viu você dando pulos de alegria quando o grande prêmio foi anunciado...

Foi realmente emocionante estar no SAG Awards. Eu estava rezando para a gente ganhar, e quando isso aconteceu foi uma emoção enorme receber esse reconhecimento de nossos pares. O SAG Awards, para mim, é um prêmio muito especial. Representa o reconhecimento dos nossos pares, que sabem o que é fazer um filme. Então para nós, conseguir esse reconhecimento ajuda a garantir que esse tipo de filme possa continuar a ser feito.

Kevin Mazur via Getty Images
Nyong'o e Chadwick Boseman (à direita) depois do anúncio do prêmio dado ao elenco de Pantera Negra no SAG Awards.

Vocês fizeram festa a noite inteira?

Fizemos festa por um tempo respeitável. Fizemos festa como Michael B. Jordan.

E como foi para você a manhã das indicações ao Oscar, em matéria do reconhecimento que Pantera Negra recebeu e que deixou de receber?

Para mim não foi a manhã. Eu estava em Benin (na África ocidental) e já era de tarde. Eu estava no meio de um trabalho, debaixo de sol forte. Estava em um mundo completamente diferente quando minha maquiadora me contou que recebemos sete indicações. Fiquei empolgadíssima. Era um dia em que eu estava trabalhando num lugar super remoto no Benin e tínhamos planejado fazer uma sessão de Pantera Negra num povoado pequeno. Ao ar livre. Foi bem antes de tomarmos conhecimento das indicações. Pareceu que era uma coisa destinada a acontecer, sabe como?

Naquela noite assistimos a clipes de Pantera Negra. O filme ainda não tinha sido lançado no Benin porque não há cinemas lá, então estavam vendo pela primeira vez. Poder ver uma plateia africana daquele tipo com a atenção totalmente voltada à tela, gente de 5 a 90 anos de idade, nos fez entender: “Este filme é forte e significativo de uma maneira que talvez nem daqui a alguns anos vamos conseguir captar”. Senti orgulho enorme por ter feito parte do filme. Senti gratidão enorme.

Como você reagiu quando soube que Ryan Coogler não foi indicado ao Oscar de melhor direção?

Fiquei decepcionada, mas não surpresa. Decepcionada. Mas no final ganhamos a indicação para Melhor Filme, e essa indicação abrange o filme por inteiro. É um reconhecimento de todos os esforços envolvidos no filme e do que o filme inteiro significa. Então fiquei feliz com isso, mas decepcionada por Ryan Coogler não ter sido indicado. Ao mesmo tempo, eu sei que ele não trabalha de olho em reconhecimentos. O reconhecimento que ele quer é que as pessoas assistam ao filme e que o filme mexa com elas, tenha significado para elas.

E isso, evidentemente, foi mais do que conseguido.

Foi conseguido.

Estou curioso para saber o que você achou da discussão da ideia de um Oscar popular, uma ideia que teve vida curta.

Não pensei nada sobre isso. Eu estava trabalhando em Nós quando aquela ideia toda foi discutida.

Estou curioso sobre isso especificamente porque esse prêmio poderia ser interpretado como uma maneira de a Academia de Artes e Ciências do Cinema se absolver por potencialmente esnobar Pantera Negra na categoria melhor filme e relegá-lo a um prêmio que é inferior ao prêmio tradicional de Melhor Filme.

Sim. Bem, julgando pelo que Pantera Negra conseguiu fazer, acho que isso é a prova de que um filme pode ser tanto popular quanto forte, que não é preciso optar entre uma coisa ou outra. O simples fato de um filme ter bilheteria grande ou ser um filme que agrada ao grande público não significa que seja preciso deixá-lo mais simplificado, menos profundo. Pantera Negracomprova isso: que as pessoas reagem à profundidade e a abraçam, quando ela é bem feita. Não é preciso optar entre uma coisa ou outra.

Para mim, então, estou feliz por termos sido reconhecidos como parte de todos os filmes de 2018, como deveria ser. Não acho que o Oscar deva ter uma categoria de popularidade. Acho que fazemos filmes para que possam ser vistos. Todo o mundo quer seja isso, quer seu filme seja uma grande ou uma pequena produção. A gente não faz filmes para que fiquem na gaveta. Os fazemos para que o público reaja a eles. Os prêmios são um reconhecimento do poder de um filme, quer ele tenha dado muito dinheiro, quer não.

Courtesy of Sundance Institute
Nyong'o em Little Monsters, em que ela faz uma professora de jardim de infância que protege seus aluninhos contra uma invasão de zumbis.

Você já tocava ukulele antes de fazer Little Monsters?

Não, nada.

Como foram as aulas de ukulele? Você pegou o jeito do instrumento rapidamente?

Nem um pouco. As aulas foram frustrantes. Mas uma coisa que adoro no meu trabalho é que quando você assina contrato para fazer um projeto, tem que aprender tudo que está ligado ao projeto. Para este filme, uma das coisas que precisei aprender foi a tocar ukulele. Eu não podia desistir. Você simplesmente tem que continuar tentando.

Existe uma fase de primeiro contato com o instrumento. No começo, não acontece nada. Você toca a mesma nota de novo, de novo, e não tem retorno. Então você passa uma noite bem dormida, e na próxima vez em que pega o instrumento, a coisa funciona, simplesmente. É preciso continuar tentando. O mais frustrante para mim foram as primeiras duas ou três semanas, antes de eu conseguir tocar alguma coisa com sol. Depois disso, foi como um crescimento exponencial acontecendo.

Você sempre soube que a canção que teria que tocar seria “Shake it Off”?

Sempre soube. Isso já estava no roteiro, se bem que a produção estava tendo dificuldade em conseguir os direitos. Por isso escrevi uma cartinha pessoal para Taylor Swift.

E ela respondeu?

Ela nos deu os direitos. Foi a resposta dela.

Portanto, na prática, ela respondeu, sim.

E serei eternamente grata por isso, porque essa canção significou muito para mim numa fase difícil da minha vida. Eu estava trabalhando num projeto e meu melhor amigo pegou um avião só para ficar do meu lado. Ele me fez ouvir “Shake It Off”. Essa música virou meu hino, uma música que me mostrou como superar aquele momento não muito bacana. A canção ganhou muito significado pessoal para mim. Eu compartilhei isso com Taylor Swift e ela nos deu os direitos.

Então você estava aprendendo a tocar “Shake It Off” e então percebeu que talvez essa não seria a canção que você acabaria tocando no filme, devido ao problema com os direitos. Vocês discutiram outras alternativas caso essa canção não desse certo?

Eu não quis discutir alternativas. Achei que esse filme precisava de “Shake It Off.” Era a canção. “Shake It Off” é divertido e leve, mas tem uma profundidade. Sabe, às vezes você precisa simplesmente jogar as coisas para longe – shake it off. Achei muito bacana que uma turminha do jardim de infância cantasse essa música, que fosse o hino dela. “Shake It Off” já fazia parte do DNA do projeto. Então sim, os produtores chegaram a olhar outras canções. Me mandaram outras para eu ouvir. Eu não gostei tanto de ouvir as outras. Eu dizia “não adianta, precisamos conseguir ‘Shake It Off’”.

Adam Taylor via Getty Images
Nyong'o recebendo o Oscar de melhor atriz coadjuvante por 12 Anos de Escravidão em 2014.

Nunca antes vimos você em um filme como Little Monsters, sem dúvida o papel mais cômico que você já encarou. O que a atraiu para o papel foi especificamente o fato de diferir tanto da Lupita Nyong’o que temos visto nos últimos anos?

Com toda certeza. O papel era totalmente diferente de qualquer outra coisa que já me ofereceram. Eu queria realmente fazer comédia, mas não havia encontrado a coisa certa. As comédias que me tinham oferecido eu não achava engraçadas. Little Monsters foi a primeira vez que li um roteiro e gargalhei. Eu mal conseguia acreditar. É uma história tão absurda, sabe, tem toda essa linguagem irreverente, esses palavrões, e criancinhas inocentes no meio de tudo. Há uma tensão entre a inocência delas e o caráter blasê de outros personagens. Ao longo da história o tom vai mudando de repente, de forma surpreendente, é uma coisa superinteressante.

Juntando tudo isso, pensei “meu Deus, este é o tipo de material que acho divertido, então quero ver isto sendo feito, quero fazer parte”. Ms. Caroline é o papel dos sonhos para mim, ela me lembra da Fraulein Maria de A Noviça Rebelde. E eu simplesmente amo A Noviça Rebelde e Julie Andrews naquele papel. Ela é sempre aquele raio de sol, mas possui aquela qualidade de mãe loba que faz qualquer coisa para proteger a inocência das crianças sob seus cuidados. Eu queria fazer um papel desse tipo. Nem sequer sabia o quanto eu queria até estar diante da página, e então pensei “este vai ser meu momento de fraulein”.

Você só percebeu quando se deparou com o momento.

Isso mesmo. Mas não julgue meu canto.

Você tem uma voz ótima.

Não sou uma Julie Andrews, nem era essa a proposta. Mas tudo bem.

Falando sério, alguém mais é?

Quem é Julie Andrews a não ser a própria Julie Andrews? Isso mesmo.

O que você achou de decapitar zumbis no contexto deste sete?

Houve muito sangue. É uma boa ideia no papel, mas assim que você começa a trabalhar com sangue é super frustrante. O sangue mancha tudo. Você não pode encostar em ninguém, não pode tocar em nada. Outra coisa foi que eu na realidade fiquei com medo dos zumbis. Me lembro da primeira vez que eles apareceram, porque o sujeito que fez Fúria – como você chama o filme, Estrada da Fúria?

Você está falando de Mad Max?

Isso mesmo, Mad Max. Bom, eles fizeram os zumbis parecer totalmente realistas, mesmo a olho nu. Foi asqueroso. Passei todo o primeiro dia que os zumbis estavam no set fazendo força para não olhar para eles. Sim, não foi muito fácil me acostumar com o sangue e tudo mais. Mas foi divertido. Fiz todas minhas próprias cenas de ação. E curti lutar com os zumbis.

Para quem vê de fora, a impressão foi que depois de sua vitória no Oscar você não estava recebendo os papéis de protagonista que merecia. Só agora estamos vendo essa situação mudar, com Nós e Americanah a serem lançados em breve, além de seus projetos com Viola Davis e Rihannah. Você também sentiu o mesmo?

Você sabe, é engraçado, muita gente me faz essa pergunta. Veja bem, eu já sabia, para começar, quando fiz o papel em 12 Anos de Escravidão e aquele trabalho me levou naquela jornada, eu sabia que estava ingressando num setor onde pessoas como eu eram pouco representadas. E eu sabia que isso significava que meu caminho seria diferente. Ao mesmo tempo, o que 12 Anos de Escravidão fez por mim foi me colocar numa posição de poder escolher, de não ser obrigada a aceitar qualquer coisa que me fosse oferecida. Eu pude realmente aceitar projetos nos quais eu queria investir meu espírito artístico, projetos que tivessem um significado para mim.

Portanto, não precisei lutar tanto quanto teria sido o caso se eu tivesse começado mais por baixo. O que aconteceu foi que eu sabia que não haveria projetos que já estavam na minha cabeça. Pude entrar pelo lado criativo, do desenvolvimento dos projetos. Muitas pessoas com ideias na cabeça me procuraram e disseram “queremos fazer estes tipos de trabalho. Você topa participar?”. Então eu entrei na parte do desenvolvimento, e isso significava que eu não seria a protagonista no ano seguinte ou algo assim. Mas aqueles projetos já estavam em desenvolvimento. O que estamos vendo agora são os frutos desse trabalho.

Eu não fiquei apenas sentada, sentindo que não estava recebendo o que merecia. Percebi que eu teria que fazer acontecer aquilo que eu queria. Além disso, eu precisava de tempo para me acostumar com a esfera cinematográfica que me foi dada. Eu não sabia. Acho que eu não estava preparada para fazer um papel principal em um filme logo depois daquilo tudo, que nem sei como descrever.

Foi um abalo sísmico. Falar em “fama da noite para o dia” é tão clichê, mas imagino que, você tendo realmente vivenciado algo desse tipo...

Isso mesmo, foi exatamente assim. Minha vida mudou completamente. Todos os aspectos da minha vida mudaram, e eu precisei de tempo para me ajustar, então projetos como Mogli: O Menino Lobo e Star Wars: Os Últimos Jedi me deram tempo para isso, porque me permitiram continuar a trabalhar mas ao mesmo tempo recuar um pouco para o segundo plano para conseguir me acostumar com minha nova situação, entende?

Você sente que virou celebridade antes de o público chegar a te conhecer realmente como atriz? As pessoas começaram a prestar atenção enorme a como você se veste. Talvez você não tenha tido tempo de decidir realmente quem é como pessoa no mundo da moda antes de ser alçada tão rapidamente para uma posição de destaque. 

Quando eu estava trabalhando em 12 Anos de Escravidão e fazendo a divulgação do filme, depois quando houve aquele reconhecimento todo, eu meditava diariamente para abrir espaço na minha vida para a abundância. Muitas vezes na vida a gente aprende a lidar com fracassos. Ninguém nos ensina a lidar com o sucesso, e ele pode ser tão arrasador quanto o fracasso. Então sempre fiz questão de voltar para meu próprio centro, de me cercar de pessoas que já me conheciam antes para me conservar com os pés no chão e centrada e consciente, para que não sair voando na tempestade criada à minha volta. Eu não queria viver o sonho de outra pessoa de quem eu ia ser. Precisava identificar qual era o meu próprio sonho.

Eu tinha que checar comigo mesma: por que mesmo estou fazendo tudo isso? Porque ganhar um Oscar pelo primeiro papel que fiz no cinema na minha vida é uma coisa que te deixa zonza. E você se pergunta: “Ok então, já conquistei isso, e agora, qual será o próximo passo?” Às vezes é como se o direito de fracassar lhe tivesse sido roubado.

Essa é uma ótima maneira de expressar o que aconteceu a você.

Tive que garantir que eu mesma me daria permissão para fracassar, mesmo que mais ninguém me autorizasse, entende? Então continuei no assento do motorista de minha vida, para não tentar realizar o sonho de outra pessoa para minha vida. Estou tentando decifrar por mim mesma qual é o meu sonho.

Você viu As Viúvas, o filme mais recente de Steve McQueen?

Vi.

Achei tão decepcionante que as pessoas não deram muita atenção ao filme. As Viúvas não está sendo indicado para prêmios e não faturou muito – especialmente considerando que chegou depois de 12 Anos de Escravidão, que foi um sucesso comercial inesperado. Estou curioso sobre quais são suas impressões por ter ficado de fora dessa conversa e como seu relacionamento com McQueen evoluiu nos últimos anos.

Steve é como – meu Deus. Eu amo Steve. E sempre vou amá-lo. Sempre serei grata a ele por ter me dado minha primeira chance, porque sempre é necessária uma pessoa que diga “sim, escolho você”. Ele realmente exerceu um papel enorme no caminho para o meu destino, seja qual for esse destino. Por isso serei eternamente grata a ele e sempre lhe darei meu apoio. Sempre darei apoio a qualquer coisa que ele fizer. E ainda me sinto muito amiga dele. Não converso com eles todos os dias, mas quando conversamos, é uma coisa familiar. Carinhosa. E ele sempre dá ótimos conselhos. Ele é franco, é direto, ele me diz exatamente o que pensa. Adoro isso nele.

Ainda não vimos o que Steve tem para dar de melhor. Ele ainda tem mais a oferecer. Mesmo As Viúvas, que foi tão diferente de qualquer outra coisa dele. É isso que eu respeito em Steve. Como eu, ele se recusa a ser enquadrado. 

Universal Pictures
Nyong'o em Nós, dirigido por Jordan Peele.

Ciente do fenômeno que foi Corra!, você está preparada para o lançamento de Nós em março, considerando quantas pessoas vão estar atentas para o filme seguinte de Jordan Peele? E, se Nós não for um fenômeno tão grande, como isso também será comentado?

Estou sim. Quando aceitei o papel, eu tinha consciência de estar aceitando uma aposta alta, altíssima. Para começar, me senti tão pequena. Senti “uau, este é meu primeiro papel realmente principal e é com Jordan Peele, que admiro demais”. Assisti aCorra! cinco vezes em um mês. Sinto a pressão que Jordan sofre em relação a seu próximo trabalho, e de algum jeito eu vou ser o veículo através do qual ele vai fazer esse trabalho. Sinto a pressão, sim.

Mas, sabe de uma coisa, é sempre uma questão de “ok, tudo bem, essas são as expectativas, mas temos trabalho a fazer, então mãos à obra”. E você tem que pôr as mãos na massa e fazer. Tenho que aprender minhas falas. Tenho que mergulhar na personagem. Tenho que fazer as pesquisas. Tenho que fazer o trabalho. E é intimidante. Eu li o roteiro, adorei e falei: “Isto é incrível, isto é sobre ... peraí, é sobre o quê mesmo?” Porque os filmes de Jordan sempre têm várias camadas. Você vê uma coisa, mas há muitas outras coisas acontecendo. Me lembro de falar ao telefone com Jordan por horas e ficar anotando sem parar tudo o que ele dizia, tudo sobre as imagens e os temas. Pensei “meu Deus, isto é tão inteligente”. Jordan é um homem realmente inteligente e que também sabe se expressar através da cultura popular. Quando você tem essas duas qualidades, o resultado é mágico.

Então foi uma questão de ser capaz de atender às expectativas dele e me desafiar a fazer algo realmente novo, fora de minha zona de conforto. É assim com todos os papéis. Nunca estou equipada para representar um papel até o momento de começar a representar. Bom, eu já fiz o meu trabalho. Não há nada mais que eu possa fazer agora.

Vai estar nas mãos do mundo. O que tiver que ser será.

Sim, e eu não fico me angustiando com isso. Eu me desapego. Quando concluo um projeto, eu me desapego dele. Escolho projetos dos quais quero fazer parte. Quero vivenciar a criação deles, não como eles são recebidos. Assim, seja como for que o filme é recebido, eu saberei que curti muito. Fiz o melhor trabalho que pude. E amo Jordan de todo coração, então vamos ver. Para mim agora, tudo é lucro. Adoro o filme. Você já viu o trailer e como as pessoas reagiram, então, sabe, o que tiver que acontecer vai acontecer.

Este texto foi publicado originalmente no HuffPost US e traduzido do inglês.