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02/03/2019 13:43 -03 | Atualizado 02/03/2019 14:44 -03

Lula participa de velório de neto e retorna a Curitiba após duas horas

Petista foi saudado com aplausos e gritos de "Lula Livre".

MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images
Lula é saudado por militantes ao chegar ao cemitério de São Bernardo do Campo.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou por cerca de duas horas do velório de seu neto Arthur Araújo, morto por meningite meningocócica. O funeral ocorreu neste sábado (2) no Cemitério de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Lula chegou ao local por volta das 11h da manhã. Foi saudado pelos militantes, que o aplaudiam e gritavam “Lula Livre”. Abatido, apenas acenou para o público. Ele entrou para o cemitério e deixou o local às 13h.

Segundo o blog de Fausto Macedo, do Estadão, Lula afirmou aos familiares que Arthur sofreu bullying na escola por ser neto dele. “Por isso, vou provar a minha inocência e, quando eu for para o céu, eu vou levando meu diploma de inocente”, disse.

Preso por ser condenado em 2ª instância por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, desde abril do ano passado, Lula foi autorizado pela Justiça Federal a ir ao enterro do neto. A defesa do ex-presidente se baseou na Lei de Execução Penal para conseguir o benefício. Essa legislação permite a saída temporária de presos em caso de “falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão”. 

ASSOCIATED PRESS
Lula deixa o cemitério após acompanhar o velório do neto morto por meningite.

No final de janeiro, a juíza Carolina Lebbos, da Vara de Execuções Penais de Curitiba, a mesma que autorizou a viagem de Lula hoje, recusou o pedido de Lula de participar do velório do irmão Genivaldo Inácio da Silva, o Vavá. Lebbos acolheu argumentos do MPF (Ministério Público Federal) e da Polícia Federal de que não havia um helicóptero para transportar o ex-presidente — devido aos resgates em Brumadinho — e de que era necessário preservar a “segurança pública e do próprio preso”.

O TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), de 2ª instância, também negou o pedido em janeiro, e o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, concedeu a autorização, mas quando Vavá já estava sendo enterrado. Lula então desistiu de ir a São Paulo para se encontrar com os parentes.

Na manhã deste sábado, Lula deixou Curitiba, onde está preso na carceragem da Polícia Federal, por volta das 7h da manhã. A coluna Painel, da Folha, revela que o ex-presidente “desabou” ao receber a notícia do chefe da custódia. Ele chorou aos soluços quando foi informado da morte do menino, a quem era bastante afeiçoado.

No cemitério, Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, associou o sofrimento do ex-presidente a “uma falha brutal da Justiça”, que condenou Lula pelo tríplex no Guarujá. “Todo esse ano [em que está preso] Lula foi impedido de curtir o neto, seus netos, seus filhos. Um homem da estatura, dignidade e honestidade de Lula não merecia isso”, disse Okamotto.

Condenações de Lula

Lula foi condenado a 12 anos de 1 mês de prisão pelo TRF-4 em regime fechado. Ele foi apontado por desembargadores como “um dos principais articuladores, se não o principal, do esquema da Petrobras”. A pena foi aumentada pelo tribunal, uma vez que o juiz Sérgio Moro havia condenado Lula a 9 anos e meio de cadeia. 

Em fevereiro deste ano, Lula foi condenado em outro caso: o do sítio em Atibaia. A juíza que substituiu Moro, Gabriela Hardt, considerou o petista culpado por corrupção e lavagem dinheiro e o sentenciou a 12 anos e 11 meses de prisão.

Para Hardt, Lula recebeu R$ 1 milhão em propinas referentes a reformas feitas no imóvel, que incluíram a ampliação da sede do sítio e a reforma de um lago artificial. As obras foram realizadas pelas empresas OAS e Odebrecht, que tinham contrato com o governo federal.