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07/08/2019 10:12 -03 | Atualizado 07/08/2019 15:24 -03

Por corte de gasto, ex-presidente Lula será transferido de Curitiba para São Paulo

Além de reduzir custos, a decisão da Justiça Federal tem objetivo de evitar transtornos na carceragem e na cidade. Lula será transferido para Tremembé.

Rodolfo Buhrer / Reuters
O ex-presidente Lula cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do triplex do Guarujá.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será transferido de Curitiba, onde está preso desde 7 de abril do ano passado, para São Paulo. A decisão da juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, tem o objetivo de reduzir  impactos na carceragem e também atende a pedido da família.

De acordo com o despacho, a manutenção de Lula em Curitiba gera prejuízo e sobrecarga de gastos, além de transtornos nas funções do órgão. A Superintendência Regional da Polícia Federal do Paraná, por exemplo, alega à Justiça alto incômodo com a permanência do ex-presidente e argumentou a possibilidade de episódios de violência.

O município de Curitiba também reitera insatisfação com transtornos causados pela presença de Lula na cidade.

De acordo com a juíza, a transferência “voltado à execução penal, próximo ao seu meio social e familiar, tem o condão de reduzir os custos humanos e financeiros inerentes à custódia, além de proporcionar melhores condições de ressocialização do preso”.

“A situação ora verificada tem trazido, a cada dia, contínuo e crescente prejuízo ao interesse público, com o emprego de recursos humanos e financeiros destinados à atividade policial na custódia do apenado”, conclui a juíza no despacho.

Tremembé

Após despacho da juíza, o juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci determinou que o ex-presidente cumpra o restante da pena no presídio de Tremembé (SP) ― distante 170km de Santo André, onde o petista tem familiares. O local é conhecido por abrigar presos condenados por crimes de grande comoção nacional, como Cristian Cravinhos, que participou do assassinato dos pais de Suzane von Richtofen. 

A defesa do ex-presidente negou que a transferência atenda a pedidos de advogados de Lula e acionou o STF contra a mudança. Disse que pediu à juíza que aguardasse o julgamento do pedido de liberdade do petista. Em nota afirmou ainda que: 

“Lula é vítima de intenso constrangimento ilegal imposto por parte do Sistema de Justiça. A defesa tomará todas as medidas necessárias com o objetivo de restabelecer a liberdade plena do ex-presidente Lula e para assegurar os direitos que lhe são assegurados pela lei e pela Constituição Federal”.

Petistas também reclamaram da mudança. Presidente do partido, Gleisi Hoffmann criticou a decisão e alfinetou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O tucano respondeu:

O ex-presidente cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do triplex do Guarujá, em investigação da Operação Lava Jato.