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09/11/2019 15:41 -03 | Atualizado 09/11/2019 16:46 -03

Lula diz que Bolsonaro governa para 'milicianos' e que está de volta para lutar

Após 580 dias preso em Curitiba, Lula retorna ao seu berço político em uma imagem muito similar àquela vivida no dia da sua prisão.

Nacho Doce / Reuters
Lula faz discurso em São Bernardo do campo (SP).

Após 580 dias preso em Curitiba, Lula retorna ao seu berço político em uma imagem muito similar àquela vivida no dia da sua prisão, em 7 de abril de 2018.

Em São Bernardo do Campo (SP), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o seu segundo discurso em liberdade neste sábado (9) marcado por críticas a OperaçãoLavaJato e mirando as eleições de 2022 ao se colocar como adversário direto do trio Jair Bolsonaro, Sergio Moro e Paulo Guedes.

“O cidadão [Bolsonaro] foi eleito democraticamente. Ele foi eleito para governar para o povo brasileiro, e não para governar para os milicianos do Rio de Janeiro [...] Eles têm que explicar por que estão apresentando um projeto econômico que vai empobrecer ainda mais a sociedade brasileira”, afirmou o ex-presidente. 

De acordo com Lula, o Brasil “não merece o governo que tem”. O ex-presidente afirmou que a “esquerda vai derrotar a ultradireita” em 2022. 

“Nós não podemos permitir que eles destruam o nosso País [..] Não podemos permitir que os milicianos acabem com o País que construímos. Um País que era respeitado no mundo inteiro [...] É uma questão de honra recuperar esse País”, completou.

Ao citar o presidente Bolsonaro, o petista afirmou que ele “nunca fez um discurso” e só “ofende as mulheres, negros e LGBTs”. 

“Ele tem que explicar quem matou Marielle. Ele tem que explicar onde está o Queiroz. Como ele acumulou patrimônio, porque ele querem destruir a Petrobras, o BNDES, o Banco do Brasil”, questionou o petista.

No fim do discurso, Lula reafirmou a sua oposição à Bolsonaro ao criticar a agenda de reformas e citar que países vizinhos, como Chile e Argentina, estão enfrentando problemas com o modelo liberal proposto pelo ministro da economia Paulo Guedes, a quem o petista se referiu como “destruidor de sonhos”.  

Após o discurso do ex-presidente, o ministro da Justiça Sergio Moro usou a sua conta oficial do Twitter para dizer que “não responde a criminosos, presos ou soltos.” 

Lula deixou a prisão em Curitiba na última sexta-feira (8), após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que derrubou a prisão depois de condenação em segunda instância. O juiz que assinou o despacho foi Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Federal de Curitiba.

Na manhã deste sábado, o petista embarcou em um avião fretado para São Paulo. O ex-presidente estava preso desde abril do ano passado por ser condenado em 2ª instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, investigado na Operação Lava Jato.

Dirceu deixa a prisão e reencontra Lula

Além do ex-presidente, o ex-ministro José Dirceu também foi liberado da prisão após determinação da Justiça do Paraná. Ele estava preso desde maio de 2019 no Complexo dos Pinhais. 

A decisão foi da juíza Ana Carolina Bartolamei Ramos, da 1ª Vara de Execuções Penais de Curitiba. O ex-ministro responde por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa em processos da Lava Jato. 

Após deixarem a prisão, os petistas se reencontraram em uma festa organizada no apartamento de um amigo de Lula. Dirceu aproveitou o reencontro para gravar um vídeo ao lado do vice-presidente do PT, o deputado estadual Emídio de Souza (PT-SP).

“Eu estava na trincheira da prisão. Agora estou aqui de novo na trincheira da luta. Agora não é [a] do Lula livre. Agora é para nós voltarmos e retomarmos o governo do Brasil”, afirmou o ex-ministro. 

O que o STF decidiu antes? 

Essa foi a terceira vez em que o STF mudou seu entendimento sobre prisão após condenação em segunda instância. Desde a promulgação da Constituição atual, em 1988, condenados eram presos após a segunda condenação. Em 2009, o Supremo passou a exigir o trânsito em julgado, ou seja, quando não restam mais recursos.

Já em fevereiro de 2016, a corte permitiu a prisão de uma pessoa do estado de São Paulo que ainda tinha recursos pendentes. Em dezembro daquele ano, a mudança foi consolidada no julgamento de um recurso com repercussão geral reconhecida, quando a decisão passou a ser seguida por todos os tribunais do País.

Em 4 de abril de 2018, o plenário negou um habeas corpus preventivo ao ex-presidente Lula. No dia seguinte, o juiz Sergio Moro determinou a prisão do petista.